Blogues lusófonos sobre Comunicação

O investigador brasileiro Rogério Christofoletti está a listar os blogues de investigadores em Comunicação do mundo lusófono. A lista, que está sempre em aberto, já conta com mais de 130 blogues. Confira aqui.

SJ promove “Conferências de Outono”

SJ2O Sindicato dos Jornalistas (SJ) promove, já a partir de segunda-feira, no Porto, um ciclo de debates intitulado “Conferências de Outono“. Os debates realizam-se todas as segundas-feiras de Outubro, às 21 horas, no auditório da Cooperativa Árvore, que apoia a iniciativa. Um ciclo idêntico, ainda que com outras temáticas, realizar-se-á em Novembro, em Lisboa.

O programa  é o seguinte:

01.OUT – “Acesso à profissão: O Caminho do Purgatório?” – Intervenções de Alfredo Maia (Presidente da Direcção do Sindicato dos Jornalistas), Fernando Zamith (jornalista na agência Lusa e docente na Universidade do Porto) e Cynthia Valente (jornalista no “Destak”) .

08.OUT – “Ainda sabemos escrever?” – Intervenções de Mário Cláudio (escritor e docente da Universidade do Porto), Pedro Olavo Simões (jornalista no “Jornal de Notícias” e bloguer do Fonte das Virtudes) e José Mário Costa (responsável pelo sítio Ciberdúvidas).

15.OUT – “Não te rias que é pior: Humor, Jornalismo e Política” – Intervenções de Manuel António Pina (jornalista e escritor), Carlos Romero (jornalista) e José Manuel Ribeiro (cartunista em “O Jogo”).

22.OUT – “Vamos acabar no Museu? O futuro do jornalismo” – Intervenções de Luís Humberto Marcos (antigo jornalista, director do Museu da Imprensa), Miguel Carvalho (jornalista na “Visão”) e Jorge Fiel (jornalista no “Expresso”).

29.OUT – “Ainda podemos escrever? – Incidências do Estatuto do Jornalista e das Novas Leis Penais” – Intervenções de Rui Pereira (jornalista e docente da Universidade do Porto), António Arnaldo Mesquita (jornalista no “Público) e Horácio Serra Pereira (advogado, chefe do Gabinete Jurídico do Sindicato dos Jornalistas).

Acaba de sair Creative Destruction: An Exploratory Look at News on the Internet, A report from the Joan Shorenstein Center on the Press, Politics and Public Policy, John F. Kennedy School of Government, Harvard University
Prepared by Thomas E. Patterson

Our evidence suggests that the Internet is redistributing the news audience in a way that is pressuring
some traditional news organizations. Product substitution through the Web is particularly threatening to
the print media, whose initial advantage as a “first mover” has all but disappeared. The Internet is also a
larger threat to local news organizations than to those that are nationally known. Because the Web reduces
the influence of geography on people’s choice of a news source, it inherently favors “brand
names”—those relatively few news organizations that readily come to mind to Americans everywhere
when they go to the Internet for news.
Although the sites of nontraditional news organizations are a threat to traditional news organizations, the
latter have strengths they can leverage on the Web. Local news organizations are “brand names” within
their communities, which can be used to their advantage. Their offline reach can also be used to drive
traffic to their sites. Most important, they have a product—the news—that people want.

Na morte de Claude-Jean Bertrand

Faleceu Claude-Jean Bertrand, professor jubilado da Universidade de Paris II, há muitos anos dedicado à investigação e divulgação de sistemas de responsabilização dos media.

Um defensor do papel sócio-cultural e político dos meios de comunicação, Bertrand entendia que nem o Estado nem o Mercado poderiam assegurar, por si mesmos, a qualidade desses meios. “Os dois são indispensáveis, mas ambos são perigosos. E não podemos esperar que um neutralize o outro”, escreveu num dos seus livros.
Onde vê ele,então, um caminho de solução? Nos sistemas de responsabilização dos media (MAS – de Media Accountability Systems), tais como os códigos de conduta, os provedores, a informação e crítica sobre os media, a investigação científica, os conselhos de Imprensa, a alfabetização mediática…. Instâncias, que podem, pelo menos em alguns casos, juntar profissionais dos media e utilizadores/membros da audiência.

“É necessário – escreveu ele no prefácio de um dos seus livros, em 2002 – que os cidadãos activos que desejam melhorar este serviço público crucial que são os veículos de comunicação, que os futuros jornalistas actualmente nos bancos escolares, que os jornalistas em actividade submetidos frequentemente a pressões ilegítimas, que os patrões da mídia conscientes da rentabilidade de uma mídia de qualidade, saibam que existe todo um arsenal de armas pacíficas, capazes de garantir ao mesmo tempo a liberdade e a excelência dos meios de comunicação”.

Em Portugal, Claude-Jean Bertrand tem publicado o seu livro A Deontologia dos Media, pela Coimbra-Minerva (2001). No Brasil, vários dos livros do autor estão traduzidfos em português.

Será que dá?

Não é todos os dias – sobretudo nos tempos que correm – que assistimos ao lançamento de um grande jornal ou, pelo menos, de um que se propõe sê-lo. Este surgirá, já depois de amanhã, em Espanha, com uma tiragem de 250 mil exemplares distribuídos por quatro edições, envolvendo 140 jornalistas e apostando na infografia, nas grandes fotos e em artigos curtos. E a 50 cêntimos, metade do preço dos concorrentes, uma espécie de meio termo entre os gratuitos e os pagos.
Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket
Politicamente há quem veja o Público como um respiro para o governo Zapatero, depois que El País enveredou, nos últimos anos, por uma linha de maior distanciamento. Mas o responsável editorial da empresa que o publica, a Mediapro, desvaloriza o assunto, notando que a política nem sequer será o principal tema deste novo diário.
Num país em que, como recorda The Editors Weblog, 40 por cento dos que lêem jornais o fazem com a imprensa gratuita (mas em que os jornais pagos têm mantido uma circulação estável), vai ser interessante acompanhar a entrada do Público espanhol no mercado – sabendo-se que quer recusar o sensacionalismo, mas não deixando de ser ousado e vivo no grafismo.

Este Público terá uma única redacção para a versão impressa e para a digital e será dirigido por um conhecido blogger espanhol, Ignacio Escolar, de 31 anos, idade que corresponde também à média etária da redacção.

Será este exemplo de hibridismo “um novo modelo editorial e de negócio ou apenas um novo passo para se converter em gratuito”? À pergunta de The Editors Weblog só o tempo dará a resposta.

Para saber mais: “Todo lo que siempre quiso saber sobre Público“.

Os McCann, a SIC e o “país inquisitorial”

A propósito de um trabalho no Jornal da Noite de quinta-feira, na SIC, sobre o facto de Kate, mãe de Madeleine McCann, não chorar em público, refere Eduardo Jorge Madureira, no Diário do Minho de hoje:

“Antes de Clarence Mitchell ter falado, e imediatamente a seguir aos quinze segundos iniciais tomados por Paulo Camacho, entraram as imagens do casal McCann e a voz do jornalista Bernardo Ferrão: “Numa rápida pesquisa ao caso Maddie, se nos concentrarmos apenas em Kate McCann, as imagens dão força à pergunta de alguns”. A SIC exibe um grande plano do rosto de Kate McCann para servir de cenário à tal pergunta de uns “alguns”: “Por que não chora uma mãe que perde uma filha?”.

E comenta:

Quando chega a hora de dar pancada, é preciso dar pancada. Nas presentes circunstâncias, é preciso bater em Kate ou porque não chora e é culpada ou porque chora e é culpada na mesma e é, além disso, fingida. (…) na SIC, houve também quem sentisse que não podia prosseguir caminho sem intervir e, julgando falar em nome de uns duvidosos ‘alguns, não compreendeu o quão é estúpida a pretensão de conferir às imagens – apenas a fugazes imagens – qualquer força para tornar legítima uma pergunta como a que foi formulada. O país inquisitorial, que, numas ocasiões, quer lágrimas, noutras, quer sangue, e, sempre, se contenta com aparências, terá, todavia, ficado encantado com a interrogação.

 

Obra ‘monumental’ de jornalismo (até no preço!)

A Routledge tem prevista para o fim do próximo mês a publicação de uma obre em quatro volumes, intitulada Journalism: Critical Concepts in Media and Cultural Studies. Editado por Howard Tumber, fundador da revista Journalism: Theory, Practice & Criticism e autor de vários livros, entre os quais a útil colectânea “News – a Reader“, este trabalho compreende dez partes que se estendem por cerca de 1600 páginas (e – a parte menos agradável – 595 libras!):

Volume I

1 (‘Histories’)
2 (‘Definitions’)
3 (‘Socialization and the Newsroom’)

Volume II

4 (‘Theories and Models’)
5 (‘Journalist—Source Models’)

Volume III

6 (‘Professionalism and Occupation’)
7 (‘Education’)
8 (‘Ethics and Objectivity’)

Volume IV

9 (‘Global News and Global Journalism’)
10 (‘Journalism and its Futures’).