“O país está doido!”

É pelo menos insólito o que aconteceu esta noite na SIC Notícias. Convidado para uma entrevista a pretexto da discussão da actual situação do PSD, Santana Lopes foi interrompido pela pivot, porque José Mourinho acabara de chegar a Portugal naquele instante. À entrevista sobrepôs-se então um directo do aeroporto de Lisboa. Quando a emissão regressou ao estúdio, Santana Lopes estava indignado. Reconhecendo ironicamente que José Mourinho é mais importante do que “todos nós”, o ex-Primeiro Ministro considerou que “o país está doido”, porque sobrepõe um treinador de futebol a um debate sobre a situação política do país. Suspendeu a entrevista e deixou-nos um bom pretexto para reflectir sobre critérios editoriais. Os mesmos em que a SIC insistiu agora no noticiário das 23h00, quando lamentou o sucedido.

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6 thoughts on ““O país está doido!”

  1. O site da SIC disponibiliza o vídeo da peça em que se relata o que aconteceu. No entanto, desta não fazem parte os argumentos apresentados por Santana Lopes, após o regresso ao estúdio, para abandonar a entrevista. E são esses argumentos que o ex-primeiro ministro usou que nos interessa discutir (e que a Madalena refere no seu post). Em Televisão, uma simples entrevista em estúdio obedece normalmente a uma opção editorial que, por si só, pretende conferir/reconhecer importância aos argumentos/convidado que nos propomos escutar. Pressupõe também o estabelecimento de uma relação com o convidado/fonte que implica a existência de determinados graus de confiança. Levar um convidado a aceitar ser entrevistado em directo para uma entrevista de 1 minuto (num directo de exterior), 10 minutos (numa entrevista para um dos jornais principais) ou com formatos mais alargados (como era o caso) não é bem a mesma coisa. Tem consequências, como sabemos, ao nível da estruturação não só do trabalho jornalístico como da própria argumentação que o convidado se propõe usar. Por isso, a interrupção (não avisada? não planeada?) tem, na minha opinião, de obedecer a razões muito maiores do que as que levaram à própria existência da entrevista, sob pena de estarmos perante a quebra da relação de confiança implícita no contacto que levou à realização DESTA (e não de qualquer outra) entrevista. É esta ponderação que é necessário fazer em relação a este caso.

  2. Correcção: fiz uma nova consulta ao site da SIC e na secção de vídeos consta “Santana Lopes abandona entrevista” que se refere aos argumentos utilizados.

  3. Só para dar conta de que tive conhecimento deste facto a partir deste blogue. Na altura (ontem à noite), procurei mais informação e não encontrei referência nos media.

    O Público.pt, por exemplo, só hoje (às 8h22) dá conta do incidente. Curiosamente, neste momento, a notícia conta com 373 comentários.

    É curioso como se pode aceder a informação, desta natureza, em primeira-mão a partir de um blogue.

  4. Reflectir o quê?
    Há um mês e picos uma Brzezinski ficou famosa na América por recusar-se a ler uma notícia sobre Paris Hilton.
    Depois desse exemplo, o que a SIC-N nos deu serve para quê?
    Santana Lopes teve um momento de fazer corar de vergonha o jornalismo cá da paróquia.
    Pode ser o jornalismo que o usa ou se serve dele: o “beautiful people”, sejam políticos ou treinadores. Mas há sempre prioridades e claramente os jornalistas, editor ou apresentadora, não souberam distingui-las. Mourinho perdia claramente. Santana elevou-se muito bem e fez um grande golo.

  5. É pelo menos insólito o que aconteceu esta noite na SIC Notícias. Santana Lopes foi convidado para uma entrevista, na SIC Notícias, na qual dissertou sobre a possibilidade de (sobre)vivência do PPD/PSD. No auge da sua análise, Santana Lopes foi interrompido porque nada há de mais importante no país do que o futebol.

    Teria Scolari levado um soco? Teria Jesualdo Ferreira sido demitido por obra e graça de Nossa Senhora de… Fátima? Teria desabado o Estádio do Dragão?

    Não. Mais importante do que a entrevista, segundo os cada vez mais boémios e etílicos critérios jornalísticos da praça portuguesa, era a chegada de José Mourinho às ocidentais praias lusitanas depois de ter descoberto o caminho aéreo para enriquecer à sombra da bananeira.

    Assentada a poeira causada pela descoberta da pólvora sem fumo, a entrevista recomeçou. Isto é, Santana Lopes partiu a loiça (ao estilo da das Caldas), considerou que, afinal, Mourinho era mais importante do que “todos nós”, afirmou que “o país está doido”, porque sobrepõe um treinador de futebol a um debate sobre a situação política do país… e foi-se embora.

    Finalmente, a propósito das Caldas, alguém mostrou que de quando em vez aparecem alguns que os têm…

    Quanto aos boémios e etílicos critérios jornalísticos da praça portuguesa está tudo dito. A bem da Nação, seja ela ou não “socretina”.

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