Os McCann, a SIC e o “país inquisitorial”

A propósito de um trabalho no Jornal da Noite de quinta-feira, na SIC, sobre o facto de Kate, mãe de Madeleine McCann, não chorar em público, refere Eduardo Jorge Madureira, no Diário do Minho de hoje:

“Antes de Clarence Mitchell ter falado, e imediatamente a seguir aos quinze segundos iniciais tomados por Paulo Camacho, entraram as imagens do casal McCann e a voz do jornalista Bernardo Ferrão: “Numa rápida pesquisa ao caso Maddie, se nos concentrarmos apenas em Kate McCann, as imagens dão força à pergunta de alguns”. A SIC exibe um grande plano do rosto de Kate McCann para servir de cenário à tal pergunta de uns “alguns”: “Por que não chora uma mãe que perde uma filha?”.

E comenta:

Quando chega a hora de dar pancada, é preciso dar pancada. Nas presentes circunstâncias, é preciso bater em Kate ou porque não chora e é culpada ou porque chora e é culpada na mesma e é, além disso, fingida. (…) na SIC, houve também quem sentisse que não podia prosseguir caminho sem intervir e, julgando falar em nome de uns duvidosos ‘alguns, não compreendeu o quão é estúpida a pretensão de conferir às imagens – apenas a fugazes imagens – qualquer força para tornar legítima uma pergunta como a que foi formulada. O país inquisitorial, que, numas ocasiões, quer lágrimas, noutras, quer sangue, e, sempre, se contenta com aparências, terá, todavia, ficado encantado com a interrogação.

 

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