Um gratuito que joga com os pagos

Um post da nossa correspondente em Lisboa, Marisa Torres Silva:

Photo Sharing and Video Hosting at PhotobucketO jornal gratuito Global Notícias, do grupo Controlinveste (o mesmo que detêm o DN, JN, O Jogo, 24 Horas ou a revista Evasões, entre outros media), apareceu na segunda-feira com uma aguerrida campanha de marketing – até oferecia um café aos leitores que apresentassem um exemplar nos estabelecimentos autorizados.
Com uma ambiciosa tiragem de 150 mil exemplares, o novo gratuito concorre agora com os “veteranos” Destak e Metro e com o Meia Hora, surgido este ano. As características são idênticas: poucas páginas (24), notícias breves, muita publicidade (11 páginas inteiras). Tem como cores predominantes o laranja, o amarelo e o preto, num grafismo relativamente sóbrio. As secções, normalmente de uma página – com excepção da de desporto, com duas – vão desde a opinião, que abre o jornal, até ao Local, País, Globo, Ócio, Fama ou Memo, com a programação televisiva.
Mas uma das particularidades do Global Notícias em relação aos outros gratuitos é apresentar-se como uma espécie de “best of” das outras publicações do grupo. No final de cada notícia, aparece a indicação da sua proveniência, fazendo lembrar a referência “Lusa” no caso dos jornais generalistas pagos (só que, em vez disso, aparece um jornal da Controlinveste).
Aliás, o tema de capa deste primeiro número, sobre o caso Maddie, desenvolvido nas páginas interiores, contém uma referência muitíssimo interessante: “saiba mais num especial de sete páginas, hoje com o DN”. Se há quem pense que os gratuitos tiram leitores aos jornais pagos, o Global Notícias inverte aqui, por completo, essa ideia.
Esta organização interna do jornal poder-nos-á fazer antever, de uma forma mais concreta, o novo gratuito que sairá no final do ano, a parceria entre o Público e A Bola. Já todos vimos que os gratuitos é que “estão a dar”; mas a ver vamos se todos se aguentam no mercado. Convém não esquecer que já houve uma baixa – o Diário Desportivo, que apenas durou uns escassos meses.

Marisa Torres da Silva

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