Tempo (que não há) para ler o que há

” (…) Durante apenas estes dias do final de Agosto e do início de Setembro, as livrarias francesas receberão 727 novos romances, como a imprensa não se cansa de repetir. Quem, em França, quiser acompanhar a rentrée literária de um modo escrupuloso tem, pois, com que se entreter. Se não se publicassem novos livros nos próximos tempos, seriam necessários dois anos para ler estes romances todos, e isto com a condição de ler um por dia. (…)
E se alguma improvável criatura quisesse ler todas as obras que, no ano passado, foram objecto de depósito legal na Biblioteca Nacional de Espanha teria necessidade de, conseguindo ler uma obra por dia, dispor de cento e oitenta e um anos e mais uns dias. Uma vida inteira não chegaria, portanto, para ler as 66.270 obras editadas em 2006 no país do lado.
(…) Os números, não oficialmente confirmados, que circulam relativamente à actividade editorial britânica em 2005 são esmagadores: 206.000 títulos, mais de quinhentos por dia, mais de vinte por hora. Compreende-se assim que não estão a ser excessivos os que dizem que, nas três ou quatro últimas décadas, se produziu mais informação do que nos cinco mil anos precedentes (…)”.
Eduardo Jorge Madureira, Diário do Minho, 2 de Setembro de 2007

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