“É verdade, juro! Passou na til’visão…”

Intitula-se”É verdade!” e é uma das músicas do álbum mais recente dos Terrakota, lançado no final de Maio passado. Ouvi-a há pouco na Rádio Universitária do Minho. Aqui fica a letra:

Só lês “a Bola” Múmia é peça de antiguidade?…Tás dopado!
Vês documentários pensas que tudo é verdade?… Tás dopado!
O noticiário parece ter objectividade?… Tás dopado!
O imigrante é o tumor da sociedade?…
Mwadié, tás quase apanhar overdose, vai no médico antes que não fazes paragem cardíaca!

É verdade, juro! Passou na til’visão…
Uma galinha engripada contaminou o adão
É verdade, juro!! Ouvi ontem na rádio…
O parente avariou saiu a correr todo nu do estádio
É verdade, juro!Li ontem no jornal
Bondaram o bandido, um islamista radical
É verdade juro! Passei a ser otário.
Já não falo co os meus irmãos arranjei um amigo imaginário.

Bem vindos!! Bem vindos!! Bem vindos!!
Ao século dos junkies da informação
Tamos todos dopados não temos seuquer opção
Não procuras ela te encontra e táplica a injecção
A mistela actua sem dares conta, molda-te o gosto e opinião.
Senta! Saboreia a sensação…
Tenta controlar a tentação meu irmão!
De pegar no controlo remoto
Tem novela e desporto
Tempo pró Kanuko? Ai iso é que não!
Pensa! Não leva só injecção…
Essa cabeça não é para decoração
A máquina fala connosco e até nos dá lição
Nos diz quem é Deus, o Bom, o Mau……e o Vilão!

Uma nova relação com os leitores

Libé journ CitO diário francês Libération dedica hoje um pequeno dossier ao tema da relação entre o jornalismo e os cidadãos (um assunto incluído na lista de assuntos que para o jornal são indicadores de uma ‘mudança de era’). Entre as peças inclui-se o editorial do director.

* Droit d’intervention, Editorial de Laurent Joffrin
* Les sentinelles de CentPapiers, un site de Montréal recense aujourd’hui 250 rédacteurs bénévoles.
* Le «regard témoin» de NowPublic: Basé à Vancouver, le site joue la carte des cyberreporters locaux.
* Olivier Trédan, chercheur: «On laisse le public produire, mais on garde le dernier mot»

Do editorial, este extracto:

“L’écriture de l’information, petite ou grande, demande discipline, savoir-faire et longues journées. Tout citoyen est capable de le faire : il doit toutefois s’y consacrer entièrement, à l’image d’un professionnel. Faute de quoi, comme le montre notre enquête, la rumeur et la fausse nouvelle viennent infester la «contre-information» bien plus vite qu’elles ne se manifestent dans le «journalisme officiel». Ainsi la première complétera le deuxième. Il ne le remplacera pas. Non, le journalisme se sauvera d’abord lui-même. Dans les efforts pour préserver ou conquérir l’indépendance face aux pouvoirs, bien sûr. Mais surtout dans l’établissement d’un lien nouveau avec les lecteurs, les auditeurs et les spectateurs. Un lien où l’humilité et la rigueur des journalistes deviennent la règle et le droit d’intervention des lecteurs la coutume. Un lien égalitaire, où ceux qui émettent l’information ne sont plus en surplomb par rapport à ceux qui la reçoivent. A cette condition seulement, les citoyens se réconcilieront avec leurs médias. Et les médias survivront.”