100 dias após o desaparecimento de Madeleine McCann

Factos:
. Desapareceu a 3 de Maio último do quarto onde dormia, num hotel da Praia da Luz, uma criança inglesa que, na altura, tinha 3 anos.

. Os pais da criança desaparecida ampliaram essa tragédia à escala global, fazendo uso dos meios de comunicação social.

. A opinião pública ‘adoptou’ esta criança quase como um membro da família, fruto de uma cobertura jornalística assente sobretudo em códigos emocionais.

. As autoridades policiais, a quem compete as investigações, não estavam preparadas para a ampla cobertura mediática que invadiu o Algarve e os planos de comunicação gizados nem sempre foram eficazes.

. Os media ingleses desenvolveram um trabalho participativo nas investigações, não se percebendo, por vezes, qual a distância que separava os jornalistas das forças policiais/dos familiares da criança.

. Os media portugueses fizeram assentar os seus relatos em fontes anónimas, frequentemente com informação desencontrada, criando assim um processo circular em que uns desmentiam os outros.

. Nos sucessivos directos das televisões e rádios feitos para a Praia da Luz não há informação, mas relatos que oscilam entre o quotidiano dos McCann, as movimentações exteriores da PJ e o circo mediático montado pelos próprios jornalistas.

Do que foi enumerado, o que nos interessa? Isto: desapareceu a 3 de Maio último do quarto onde dormia, num hotel da Praia da Luz, uma criança inglesa. Cem dias após esse desaparecimento, nada se sabe sobre o seu paradeiro. Tudo o mais que se escreve/diz sobre este trágico acontecimento são elementos produzidos pelas máquinas mediáticas e especulações criadas por fontes não-identificadas.