Quando o jornalismo intervém no desenrolar dos acontecimentos… (ACTUALIZAÇÃO)

Na senda da mais recente pista na insvestigação do desaparecimento de Madeleine McCann, há uma pergunta que fica para já no ar: até onde devem ir os jornalistas para investigar um caso? Devem os jornalistas, em nome da procura da verdade, empreender investigações paralelas, como a que parece ter decorrido esta manhã com a contratação de civis que percorreram com cães a zona assinalada na nova pista?

Sendo certo que todos os meios se justificariam para um desfecho desta história, até onde devem ir os jornalistas para conseguir uma notícia? É esse o objectivo, não é? Conseguir uma notícia… ou a notícia! Independentemente de um certo altruísmo ou de uma certa solidariedade com esta história, o que é que motiva este envolvimento dos jornalistas? Não tenho respostas nem sinto segurança para ajuizar sobre a correcção ou não dos procedimentos jornalísticos. Mas diria que podemos reflectir um bocadinho sobre estas práticas, porque os jornalistas já não fazem apenas o relato do que acontece… podem mesmo fazer acontecer.

ACTUALIZAÇÃO: Ver texto do Público “São os media, não a polícia, quem investiga nova pista no Algarve” (edição de 15 de Junho, p.14)

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3 thoughts on “Quando o jornalismo intervém no desenrolar dos acontecimentos… (ACTUALIZAÇÃO)

  1. Também não tenho certezas – intelectuais, académicas ou profissionais, digamos assim – sobre este assunto. Mas a «intuição ética» diz-me que está mal. Nem mesmo o jornalismo de investigação é policial, e não é certamente o caso. Jornalistas à procura dum suposto cadáver num suposto local indicado por um suposto indício anónimo? Não pode estar certo.
    De qualquer forma, aconteceu porque as autoridades portuguesas deixaram. Recordo que quando assassinaram o dirigente palestino Sartawi em Albufeira (anos ’80) foi um jornalista português duma rádio local (creio que na altura ainda «pirata») quem encontrou a arma do crime num descampado, porque a polícia estava a olhar para o lado.

  2. É questionável. Ponto. Mas eu realço que, para obter uma história, disponibilizam meios, quaisquer meios, para lá chegar. E esta parte é que me parece interessante. Seja porque acham que a investigação de quem de direito, no terreno, é lenta e improfícua; seja por considerarem que factores importantes foram descurados desde o início, como apontam investigadores britânicos que conhecem melhor estas realidades fruto da sua convivência com casos de pedofilia que, de resto, não perdoam em termos de visibilidade, exposição e até sujeição à ira do público. Mas o que me espantou foi chegarem, trazerem cães, “alugarem” pessoas para a busca, isso significa que não brincam em serviço nem estão de braços cruzados à porta do resort. Dou mais valor a este profissionalismo, em nome da procura de algo que interesse ao leitor e nas circunstâncias em que se arrasta o caso em apreço.

  3. Se a intervenção dos jornalistas for benéfica, porque não ? Qual o problema de fazer acontecer em vez se limitarem ao relato do que acontece ? Não vejo qualquer problema nisso.

    O que me incomoda muitas vezes é os jornalistas não prestarem ajuda a quem precisa porque acham que não devem intervir. Na minha opinião, ajudar os outros é mais importante do que a profissão ou as questões éticas.

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