“Meia Hora” – um olhar

Nas ruas de Lisboa apareceu um novo diário dos dias úteis. Apesar de gratuito – ou por causa de o ser – merece referência, até porque ele próprio se quer implantar nas classes médias e médias altas, aquelas que andam menos pela carris, pelo metro. E “se Maomé não vai à montanha…” – pedimos a Marisa Torres Silva, autora do recém-lançado livro “A Voz dos Leitores na Imprensa”, que nos desse o seu olhar sobre este novo título que se lê em “Meia Hora”. A foto, essa, tomámo-la de empréstimo do Indústrias Culturais (que também dedica um post a este novo jornal).

Será que, face ao panorama da imprensa nacional, podemos ainda falar do binómio qualidade vs. popular?

Pelos vistos, a Cofina (em parceria com a MetroNews) pensa que sim, ao lançar hoje um novoPhoto Sharing and Video Hosting at Photobucketgratuito que apelida como sendo de referência, o “Meia Hora” (distribuição de 100 mil exemplares). Curiosamente, o grupo é também detentor do título gratuito líder do mercado, o “Destak” . Mas o que é que separa os dois jornais, o que é que faz com que o novo título surja sob a égide de “qualidade”?

A meu ver, muito pouco. Em termos de grafismo, as diferenças são óbvias, com o “Meia Hora” a apostar mais nas cores suaves, numa apresentação mais sóbria, a contrastar com os vermelhos do “Destak”. Em termos de conteúdo do jornal, talvez um maior destaque para a política nacional e internacional, que aparecem em primeiro lugar no alinhamento (a seguir à secção “Bom Dia”, com opinião, agenda, efemérides e citação do dia), contrastando com a prioridade que o “Destak” dá à informação de carácter local. Está bem escrito, bem organizado, com títulos informativos mas apelativos, tal como os outros gratuitos generalistas. A publicidade ocupa 12 das 32 páginas, mas não tem classificados (será por ser o primeiro?).

De resto, o “Meia Hora” cumpre as funções de um gratuito – leitura rápida, adequação aos estilos de vida, distribuição em locais estratégicos, aposta numa nova fórmula de atracção publicitária – mas… não mais do que isso. E também não se poderia pretender mais. Daí a estranheza, apesar do obsoleto da dicotomia (uma abordagem multi-dimensional adequa-se mais ao contexto actual), do termo “de referência”.

Aliás, o editorial deste primeiro número, que contém também o estatuto editorial do jornal, afirma claramente: “Publicaremos apenas notícias, sem análise. Quem quer análise, pode ir buscá-la a outros espaços se e quando tiver tempo para isso (…). Este é um jornal para quem quer ser informado e não tem tempo a perder com palavras desnecessárias.”

Uma nota final, que valoriza este número 1 do “Meia Hora” e que é pouco comum encontrar num gratuito – a presença de uma “cacha” ou de uma notícia divulgada em primeira mão. A fazer manchete, o jornal apresenta dados de um estudo do ISCTE, sobre a corrupção em Portugal, que só irão ser publicamente apresentados a 15 de Junho.

Marisa Torres da Silva

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Construção da profissão de jornalista

Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket
É hoje apresentado em Lisboa o livro de Fernando Correia e Carla Baptista “Jornalistas – do Ofício à Profissão: Mudanças no Jornalismo português 1956-1968”. O evento terá lugar na sede da Editorial Caminho, às 18.30.

O livro resultou de um trabalho de investigação que teve por base em entrevistas a 38 jornalistas que iniciaram a profissão antes de meados dos anos 60. Propõe-se como “um retrato vivido da forma como os jornalistas portugueses foram construindo um território profissional, orientado por valores éticos e humanos e definido pela posse de competências e saberes específicos”, num período que os autores consideram “decisivo para a construção da profissão”.

“Clube de Jornalistas” debate pluralismo

O pluralismo político-partidário na RTP e o plano da ERC para o monitorar é o tema da edição de hoje do programa Clube de Jornalistas na RTP2.  Participam Estrela Serrano, do Conselho Regulador da ERC, o jornalista Joaquim Vieira e o professor Rogério Santos. A partir das das 23 e 30, na RTP2, com moderação de João Alferes Gonçalves.

“Jornalismo de sarjeta”

“(…) Em tempos pouco propícios ao pudor e à seriedade, um jornalista sem escrúpulos é um indivíduo armado e perigoso e seria exigível que a Carteira Profissional fosse atribuída pelo menos com tantos cuidados como a licença de porte de arma. Como seria exigível que o jornalismo sério que ainda há estivesse na linha da frente contra o jornalismo de sarjeta, em vez de se deixar contaminar por ele(…)”.

Manuel António Pina, in Jornal de Notícias, 6 de Junho de 2007  (ler o texto completo: AQUI)