Mais parra que uva

O já chamado ‘caso Charrua’ estende-se hoje, no Público, por duas páginas. A peça “Caso Charrua causa mal-estar no PS”, que ocupa toda a página 6, tem, porém, uma particularidade: lemo-la de fio a pavio e não encontramos nela o que o título diz.

As partes do texto vagamente ligadas ao título são estas:

A permanência de Margarida Moreira na Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) depois do caso Fernando Charrua está a avolumar o mal-estar no PS-Porto. A oposição ao líder federativo, Renato Sampaio, apenas estará à espera da reunião da comissão política, marcada para o dia 4 de Junho, para pedir contas sobre um caso cujos estilhaços atingiram o próprio primeiro-ministro. As dificuldades para o líder do PS-Porto são óbvias: é um apoiante de primeira hora de José Sócrates e foi por ele que passou também a nomeação da actual directora regional. Mas as proporções que o assunto assumiu extravasaram já para a Assembleia da República, pondo em xeque a própria ministra da Educação, que se refugia no facto de o inquérito disciplinar estar ainda a correr para não se pronunciar.

(…) Há quem exija a demissão de Margarida Moreira da DREN, mas o PS não estará interessado em precipitar a queda, dando, assim, argumentos à oposição, que vem clamando contra um clima intimidatório e de perseguição fomentado por medidas do executivo de Sócrates.

Tenho a maior consideração pelos dois jornalistas que assinam o trabalho e sei bem como, frequentemente, quem escreve as peças não é quem faz, em definitivo, os títulos. Não pretendo, por outro lado, negar que possa existir mal-estar no PS sobre este caso. Mas era de esperar do Público que, dando tanto destaque ao assunto, a ponto de o chamar para a primeira página e de lhe conceder a extensão que concede, nos desse mais uva e menos parra.