Menino de Rio Tinto continua sem ir à escola

Hoje os jornais (“Público” e “Expresso”) falam novamente do menino que mora em Rio Tinto e que não pode ir à escola porque os colegas o agridem física e psicologicamente. Esse menino, de 12 anos, teve um cancro e fez vários tratamentos de quimioterapia e radioterapia. No artigo da jornalista Ana Cristina Pereira, do “Público”,refere-se que a Associação de Pais da escola em causa está revoltada com a mediatização do caso (com os artigos de jornais e com os comentários na blogosfera), considerando-a “redutora, porque o foco de atenção está numa criança”, sem “preocupação” com eventuais efeitos sobre os outros alunos; “simplista, porque existe uma análise de pessoas externas a esta comunidade que tentam penalizar as outras crianças”. Esta semana, a Direcção Regional de Educação do Norte interveio, propondo o envio de professores a casa de Miguel até ao final do ano lectivo,uma medida que a Associação de Pais também critica.
Talvez este menino não tenha os olhos expressivos de Maddie, nem os seus pais possuam as aptidões comunicativas do casal McCann. Talvez a situação exija dos jornalistas um tacto especial na protecção desta lutadora criança. Mas enquanto não se perceber que a educação para a inclusão faz parte do crescimento equilibrado das nossas crianças e que todos nós temos a obrigação de a promover, os media devem continuar a pontuar a sua agenda com casos inacreditáveis como este drama que vive actualmente o corajoso menino de Rio Tinto.

 

3 thoughts on “Menino de Rio Tinto continua sem ir à escola

  1. Choca-me a crueldade das crianças, sim. Mas choca-me ainda mais o egoismo desses pais… Nem sequer lhes ocorre que amanhã o mesmo problema pode bater-lhes à porta.
    A solução encontrada pela DREN seria louvável se o Miguel estivesse fisicamente impossibilitado de se deslocar à escola, o que parece não ser o caso. Assim sendo, acho que a criança tem todo o direito a frequentar as aulas e compete à escola sensibilizar alunos e pais para a questão.

    Fazes bem em não deixar esquecer este caso, querida Felisbela. É muitíssimo grave e espero que os media lhe dediquem pelo menos tanto tempo e recursos como ao desaparecimento da menina inglesa.

  2. Eu teria vergonha de mim mesmo se algum filho meu não tivesse a consciência do mal de zombar de um colega nestas circunstâncias. educação começa em casa, e não na escola, pelo que me espanta que a origem do problema, a postura “individual” da Associação de Pais apesar de pessoa colectiva, não seja também criticada nesta posta. Os pais agudizam o problema da criança afectada com uma falta de solidariedade animalesca que transmitem aos seus próprios descendentes. Esses pais deviam ter rostos e nomes inscritos nos jornais e passados na televisão para sentirem como a sua reacção, além de totalmente destituída de bom senso, é a mais digna de ser… mediatizada e ridicularizada.
    Para bem da saúde mental da sociedade.

  3. “Talvez este menino não tenha os olhos expressivos de Maddie, nem os seus pais possuam as aptidões comunicativas do casal McCann. …”exija dos jornalistas um tacto especial na protecção desta lutadora criança. Mas enquanto não se perceber que a educação para a inclusão faz parte do crescimento equilibrado das nossas crianças e que todos nós temos a obrigação de a promover”
    Ora bem, a questão não tem só a relacionar-se com o Jornalismo e com os Jornalistas, mas com todos nós. è com a intervenção na melhoria da Comunicação, para que se ouça e veja alguma coisa…Mas o Jornalista é um elemento da sociedade igual a tantos outros, que não obstante usar a sua cidadania, através da sua profissão, não deve a mesma se confundir, com a máquina da propaganda ( de duvidosos objectivos) ou com “operarisação” do método “marketingzado” de vender papel, dv’s ou panfletários políticos que vivem à sombra das notícias ou no arrasto das mesmas.
    Nos casos é sempre urgente divulgar para informar, reanimar consciências, ou para as criar, mas, eu como Jornalista não me gostaria de ver como “escriba do jornal de paróquia” das desgraças e males alheios, sabe-se lá, para amanhã anunciar um novo Salvador …
    Neste Far West de milhões resta-nos pensar, nas realidades objectives da nossa sociedade em que com menos milhões criaríamos condições estruturantes para as crianças e para quem necessita. Esta pode ser uma das mensagens, a outra é a de não ocultar nada (mesmo que na inocência da volúpia de escrever, o façamos), porque nós não fazemos parte de nenhum show, a vida real merece-nos outro respeito. Respeito que também temos de ter pelas vitimas e famílias, assim como, não interagir para além do ético e produzir demasiado ruído que possa afectar a investigação de quem de direito (no caso a polícia). Na verdade a nossa missão é informar, e já agora estudar e evoluir o modo como.

    José João Canavilhas

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