Menino de Rio Tinto continua sem ir à escola

Hoje os jornais (“Público” e “Expresso”) falam novamente do menino que mora em Rio Tinto e que não pode ir à escola porque os colegas o agridem física e psicologicamente. Esse menino, de 12 anos, teve um cancro e fez vários tratamentos de quimioterapia e radioterapia. No artigo da jornalista Ana Cristina Pereira, do “Público”,refere-se que a Associação de Pais da escola em causa está revoltada com a mediatização do caso (com os artigos de jornais e com os comentários na blogosfera), considerando-a “redutora, porque o foco de atenção está numa criança”, sem “preocupação” com eventuais efeitos sobre os outros alunos; “simplista, porque existe uma análise de pessoas externas a esta comunidade que tentam penalizar as outras crianças”. Esta semana, a Direcção Regional de Educação do Norte interveio, propondo o envio de professores a casa de Miguel até ao final do ano lectivo,uma medida que a Associação de Pais também critica.
Talvez este menino não tenha os olhos expressivos de Maddie, nem os seus pais possuam as aptidões comunicativas do casal McCann. Talvez a situação exija dos jornalistas um tacto especial na protecção desta lutadora criança. Mas enquanto não se perceber que a educação para a inclusão faz parte do crescimento equilibrado das nossas crianças e que todos nós temos a obrigação de a promover, os media devem continuar a pontuar a sua agenda com casos inacreditáveis como este drama que vive actualmente o corajoso menino de Rio Tinto.

 

Lembrar, sim, mas também esquecer

Sugiro a leitura de um artigo de Viktor Mayer-Schönberger – Useful Void: The Art of Forgetting in the Age of Ubiquitous Computing, da John F. Kennedy School of Government da Universidade de Harvard. Fica aqui o resumo:

As humans we have the capacity to remember – and to forget. For millennia remembering was hard, and forgetting easy. By default, we would forget. Digital technology has inverted this. Today, with affordable storage, effortless retrieval and global access remembering has become the default, for us individuallyPhoto Sharing and Video Hosting at Photobucket and for society as a whole. We store our digital photos irrespective of whether they are good or not – because even choosing which to throw away is too time-consuming, and keep different versions of the documents we work on, just in case we ever need to go back to an earlier one. Google saves every search query, and millions of video surveillance cameras retain our movements. In this article I analyze this shift and link it to technological innovation and information economics. Then I suggest why we may want to worry about the shift, and call for what I term data ecology. In contrast to others I do not call for comprehensive new laws or constitutional adjudication. Instead I propose a simple rule that reinstates the default of forgetting our societies have experienced for millennia, and I show how a combination of law and technology can achieve this shift.

Vale a pena ler, a este propósito, o post e respectivos comentários do Imezzo (onde encontrei a referência ao texto acima): Memória e informação: a arte de gerar, organizar, lembrar, salvar, recuperar, apagar… ou deixar pra lá.

ACT (27.05): Vem a propósito do tema deste post a conferência que Jeffrey A. Barash, da Universidade de Picardie -Jules Verne, prefere terça-feira, às 11 horas, no Auditótio de Engenharia II, junto ao Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho, em Braga. Tema: «QU’EST-CE QUE LA MÉMOIRE COLLECTIVE». A iniciativa é da Comissão do de Curso de História e a entrada é livre.