‘Mea culpa’ agora… sobre o caso Madeleine

Depois do argumento “mesmo sem haver novidade, tem de haver notícia”, Fernanda Câncio introduz, no Diário de Notícias de hoje, vários outros argumentos para discussão sobre a cobertura mediática do desaparecimento de Madeleine, no Algarve: “nós fazemos, mas os outros também fazem; se nós não fizermos, haverá quem faça; e havendo quem faça, nós temos de fazer. Porque os media são um negócio”. E alude àquilo que perspicazmente chama “mecanismo”: primeiro faz-se, de forma escancarada e ad nauseam, o contrário do jornalismo, como aconteceu com a queda da ponte de Entre-os-Rios ou com o caso Casa Pia, e depois faz-se mea culpa.

A jornalista toca, depois, num ponto que é evidentemente fulcral: a necessidade  vital de termos um “público exigente”. Só que ele não nasce de geração espontânea nem “pega de estaca”. E nesse processo é aos próprios media que também cabe um papel, queiram ou não assumi-lo.

De qualquer modo, creio que esta vertigem louca e desenfreada que se apodera dos media em ocasiões assim pode salvar o “negócio”, mas desacredita o jornalismo e é, a prazo, contrária aos interesses dos media. Pelo menos daqueles  – e creio que os há – para quem o jornalismo é mais do que um produto para encher os olhos e a barriga dos velhos e novos proletários.

“É quando o jornalismo está a morrer que precisamos dos jornalistas”, observa Fernanda Câncio. E eu subscrevo.

2 thoughts on “‘Mea culpa’ agora… sobre o caso Madeleine

  1. Queria aqui deixar o meu voto de esperança para que os media portugueses (e neste caso, falando especialmente das televisões, inclusivé da televisão “pública”), um dia, vejam que “eles” são o melhor meio de cultivo intelectual do povo. Pode ser que, deste modo, mudem para melhor, e passem a fazer Jornalismo.

    A frase “mesmo sem novidade, tem que haver notícia” está, simplesmente, genial na medida que é o melhor retrato possível dos media actuais.

    Boas postagens! 😉

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