O ‘jornalismo’ da Praia da Luz

O jornalismo não pode “ignorar um fenómeno social destes”, considera o director de Informação da SIC, Alcides Vieira, em comentário ao facto de aquele canal ter sido o que mais tempo dedicou ao desaparecimento da criança inglesa no Algarve (mais de um terço do tempo emitido com informação entre os dias 3 e 20 deste mês, segundo a Marktest).

Mereceria todo um tratado a ideia que Alcides Vieira defende, em declarações ao Diário de Notícias, segundo a qual “o dever do jornalista às oito da noite é o de informar sobre o que aconteceu nesse dia, mesmo que não se passe nada”. Em tradução do DN: “a falta de notícia também é notícia”.

Dificilmente se percebe o que fazem nove profissionais do canal na zona do desaparecimento. Como não os estamos a ver a informar em 30 segundos que não há novidades, o mais provável é que ocupem antena, mas não façam jornalismo.

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2 thoughts on “O ‘jornalismo’ da Praia da Luz

  1. Sou absolutamente contra este tipo de acompanhamento (e aproveitamento) que as televisões fazem deste tipo de assunto (lembro-me logo de Entre-os-Rios…).
    Porém, devo assinalar o trabalho exemplar do jornalista Bento Rodrigues, que nem aprecio particularmente. Máximo cuidado nos termos que utiliza, postura irrepreensível. Sensacionalismo posto, esse sim, na sarjeta. Merece o meu aplauso.

  2. Antigamente “notícias” queriam dizer “novidades”. Agora, de acordo com este iluminado da SIC, ficamos a saber que a ausência de notícias merecem ser noticiadas. Faz lembrar os jornais do fim do século XIX e início do século XX, quando “informavam” que o Rei estava bem de saúde desde ontem…
    O que é curioso é que a SIC já deu muito menos destaque ao caso durante o seu Primeiro Jornal. Efeitos do estudo da Marktest?

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