Madie e Miguel

Miguel terá já ouvido falar muito de Madeleine, a menina que desapareceu na praia da Luz, mas Madie não conhece este menino de Rio Tinto. Nem ela, nem os milhões de pessoas que se compadecem pelo desaparecimento da menina inglesa. A história desta criança portuguesa é simples e, ao mesmo tempo, brutal: tem 12 anos, sofre de um cancro, fez sucessivos tratamentos de quimioterapia e radioterapia e agora não pode ir à escola. Porquê? Porque é alvo de violência física e psicológica por parte dos colegas. A sua debilidade motiva a troça permanente da turma. A história faz a manchete hoje do “Público”, num trabalho da autoria da jornalista Ana Cristina Pereira.

Todos os esforços, todos os meios, todos os recursos poderão ser justificados na busca da pequena Maddie. Como na busca de outros desaparecidos. Basta clicar em http://www.policiajudiciaria.pt/htm/pessoas_desaparecidas/madeleine.htm para saber que outras pessoas carecem de auxílio. Pela minha parte, gostava que a onda de solidariedade para com a pequena menina inglesa se estendesse ao menino de Rio Tinto. Miguel precisa de ajuda para poder continuar a ir à escola sem correr o perigo de ser agredido pelos colegas. E nem é necessário fazer assim tanto esforço para resolver parte do seu sofrimento. Terá esta história poder para levar as entidades competentes a agir com rapidez e eficácia? Grave, pelo menos, é. E muito.

13 thoughts on “Madie e Miguel

  1. Pela minha parte fiz questão de “mostrar” a notícia ao maior número de pessoas possível,tendo em conta que o Público não é um jornal “popular”. Espero que os outros media a “agarrem” não deve passar despercebida. (Afinal que crianças “estamos” a criar?)

    Cláudia Martins

  2. Nota inicial: a única informação que tenho sobre este caso é este post, o que digo baseia-se somente nessas informações. Onde estou, não tenho acesso ao Público.

    … de facto uma turma de crianças de 12 anos pode ser capaz das mais crueldades.
    São estes temas que precisamos de aprender a trabalhar na “educação para a cidadania”.
    Sinceramente, mais do que me espantar pelo facto das crianças fazerem esses comentários, custa-me que a escola tenha dificuldade em dar a a volta a este texto, tenha dificuldade em lidar com estes casos e em superar estas situações. Trabalhei num ambiente previlegiado com crianças desta idade e sei bem, que mesmo aí, às vezes, é muito difícil dar a volta a estas coisas. Por aí passaram algumas das minhas frustrações…
    Desconfio que tudo isto pode ter alguma relação para o modo como lidamos com a fragilidade, a dor, a morte, o débil e fraco.
    Todos sabemos que o riso e a ironía são, por vezes, armas crueis que disfarçam o medo, disfraçam a dificuldade de lidar com todas estas coisas.
    só a partir da atenção e da criação de tempos e espaços para conversar com estas crianças sobre estas coisas se pode fazer caminho.
    Onde criar esses espaços? Em casa, na escola, em grupos…

  3. mais algumas notas:
    os actos de violência são mesmo graves, relendo o meu texto temo que ficasse a impressão de uma certa “compreensão” com a atitude das crianças. Não se trata disso. Para seu proprio bem, a mensagem a dar a estas crianças por parte das autoridades educativas tem que ser clara e firme.

    mas a minha preocupação era chamar a atenção que mais importante que nos espantarmos com a crueldade de que as crianças são capazes é procurar caminhos.
    Julgo que por vezes somos um pouco ingénuos, mas a verdade é que os fenómenos de Grupo condicionam muito os comportamentos das crianças e a verdade é que a diferença e a debilidade são, por vezes, mal recebidas.
    De facto, a educação não pode ser só ensinar a memorizar conteúdos…

  4. Pingback: Duas notas sobre uma manchete « Jornalismo e Comunicação

  5. Muito se tem comentado sobre o exagero dos meios colocados à disposição da busca pela menina inglesa, nomeadamente das elites intelectuais. O caso é apresentado como mais uma histérica e passageira telenovela, condicionada pelos media dizem uns; enfatizada pela fotogenia da família ou a beleza da criança dizem outros; ou ainda pelo acirrar da condição de familiaridade/proximidade contextual, “o podia ter-me acontecido a mim”. Apesar de ter alguma parte de verdade, não deixam de ser ignóbeis estas afirmações na situação e caso actual, quando em sua contraposição são apresentados os dados “em 2006 desapareceram em Portugal 31 crianças, mais de metade das quais com idades entre 11 e 15 anos…” (por Júdice no Público 11.05.2007 e de certo modo também referido em artigo de opinião do Expresso de 19.05.2007). Olhando para afirmação, poderíamos pensar, se dessas crianças mais de metade tem entre 11 e 15 anos, então as restantes tem menos. Ou será que não? Porque é que o enfoque foi colocado sobre crianças de 11 a 15, quando a comparação entre estes dois grupos etários é completamente descabida ao nível do contexto social e das possíveis explicações existentes para um desaparecimento? Talvez porque o número 31, diz antes respeito ao número total de pessoas desaparecidas e não crianças, e das quais mais de metade têm entre 11 e 15 anos.
    Mas veja-se ainda sobre a veracidade destes números o site da PJ (http://www.policiajudiciaria.pt/htm/pessoas.htm). Quantas crianças temos ali entre os 11 e 15 anos, muito poucas. E desaparecidas em 2006, não vi nenhuma. E entre os 0 e os 4 anos, temos 2, uma das quais vitima em primeira mão de rapto por parte do pai em litigio com a mãe, e só depois sendo dada como raptada na Policia. Ou seja, sobra-nos, no site da PJ, apenas uma imagem, a de Maddie!!
    Mas sobre estes números Júdice, não tem qualquer pudor em afirmar que o que “o que se passou em Lagos é estatisticamente uma inevitabilidade que decorre da realidade que define o nosso tempo; e é estatisticamente irrelevante em Portugal”.

    Estatisticamente irrelevante??!

  6. Que sistema educativo temos nós que não tem uma ferramenta capaz de resolver o problema do miguel? Éverdade que por vezes as cianças são cueis mas «o por-se no lugar do outro» não poderia ser um caminho?i A lei básica da Educação «O RESPEITO PELOS OUTROS»õnão tem sido suficientemente estudada e aplicada .Já sabia deste caso do Miguel que dá que pensar de como os objctivos gerais da educação estarão a ser cumpridos;O MIGUEL È UMA CRIANÇA CIDADÂ DE PLENO DIREITO e quantos migueis ,mais ou menos velados estarão nas nossas escolas? miguel tu és um menino lindo que com sofrimento estás a aprender o que o homem não deve ser.Um abraço quente para o miguel

  7. Bom dia, eu vivo em Moçambique e tenho um pequenino de 5 meses, ao lêr a história do Miguel fico angustiada, por pensar que possa acontecer este tipo de descriminaão aos nossos filhos também. A nossa indiferença contribui e muito para que este tipo de situações não tenham resposta, achamos sempre que não é conosco, logo cruzamos os braços,não pode, o facto de termos filhos saudáveis não significa que não tenhamos que ter uma atitude próactiva em relação a estes factos, porque nunca sabemos o que nos pode acontecer
    Força vamos aliviar o sofrimento do Miguel.

  8. Coragem !
    Os pais deveriam falar com os professores, para resolverem o assunto.
    Lidar com o sofrimento, é complicado. Deve ser explicado aos colegas do menino, que estão a ter um comportamento lamentável e vergonhoso. Que têm de crescer e serem uns homenzinhos ou mulherzinhas.Tem de haver alguém que os ensine.
    da Teresa

  9. Mas afinal o que aconteceu realmente à menina?
    Como será possivel, pais tão civilizados estarem a ser acusados dea morte da própria filha???
    E ao ser verdade estamos perante de algo com dimensões muito graves….levaram o mundo inteiro a acreditar que a menina tinha sido raptada…..afinal em que mundo vivemos???
    Quer isto dizer por pertencer a uma classe social preveligiada, pode matar, esconder o corpo, acusar…. e ter as altas individuaidades a seu lado???
    Afinal que país é a Inglaterra???
    Como pode entrar em países considerados 3º mundo com a finalidade de ajudar a tornar um país humano…se eles não são HUMANOS???
    Que credibildade têm para dizer que são contra o Terrorismo???
    O que se está a passar com a raça HUMANA????
    É melhor começar cada País a procurar no seu seio os terroristas”BIN LADENS” …. De onde vem o exemplo de que tudo se pode fazer sem punição???
    Para quem acredita em Deus…..eram estas as palavras pronunciadas por ele???
    “MATEM AS CRÂNCINHAS”?????
    Ou era deixem vir as criãncinhas?????
    A ganância, o poder, dinheiro tornam as pessoas em monstros…..
    Procuram eles E.T?
    Temos sim Mutantes humanos a quem tudo é permitido!!!
    Começamos a viver num mundo pior …..de loucos …e quem fôr pessoa considerada SÃ…corre o risco de ser mutilada……
    Resta-me sonhar com um mundo cheio de PAZ, Alegria, Respeito….algo que me incutiram e não existe na realidade!!

  10. im portuguese , and i believe that madie is live and his parents are inocents and victims of coments and ………uf!!!!!
    im mother and im very said ,because kate and gerry were vitims of psicolig violence .
    one day ,i pray for that ,madie appears ,madie remember my angela , so beautiful .

    lot of kisses for babies twins.
    maria

  11. Os alunos de 12 anos ultrajam um colega doente, quando antes deveriam protege-lo e amá-lo.
    O problema não é apenas a escola, mas também a educação que estes meninos levam de casa.
    A Escola se quisesse teria ferramentas quase suficientes para travar estes bárbaros destes alunos. Mas como os professores dizem (já me disseram) ao fim do mês ganham o mesmo, por isso toca de ser incompetente.
    Para o quadro ser perfeito os pais dos alunos por sua vez condizem com os professores e não passam de uns reles iguais aos filhos

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