A ERC e a avaliação do pluralismo na RTP

Sobre as declarações que prestei ao JN acerca do documento da ERC “Avaliação do pluralismo político-partidário na televisão pública“, desenvolvo um pouco mais a minha posição:

  • Acho positivo que exista avaliação da prestação do operador público, no que toca ao pluralismo político e, existindo tal avaliação, é desejável que haja processos e critérios acordados e conhecidos.
  • O modelo desenhado não se circunscreve aos aspectos quantitativos (aos tempos relativos de cada corrente político-partidária) mas contempla igualmente as fontes e as valêncis positivas ou negativas das notícias ou programas informativos. Isso é fundamental para se superar alguns equívocos inerentes ao tipo de dados até agora volta e meia divulgados a partir da audimetria.
  • É, de facto, problemática a quantificação apresentada. Em si mesma, parece-me equilibrada a distribuição. No entanto, não se percebe bem como é que esses valores quantitativos irão incorporar os aspectos qualitativos e, em qualquer caso, eles em nenhum caso poderão deixar de ter um valor informativo, indicativo ou referencial. E isto porque não se está a ver muito bem como é que os editores dos canais monitorizados se vão pôr, na apreciação jornalística da actualidade, a verificar se uma determinada cobertura não sairá fora da quota já atingida. Ou, ao contrário, a hipervalorizar um dado assunto ou um dado partido apenas ou sobretudo para cumprir a quota ou dela se aproximar.
  • Por tudo isso, parece-me aconselhável o diálogo permanente entre a ERC e o operador, quer antes da entrada em vigor do modelo proposto quer nas etapas iniciais da sua implementação. O bom senso é, aqui, fundamental, para que se cumpra a lei que obriga ao respeito pelo pluralismo mas que isso sirva para qualificar e não aviltar o jornalismo que se for fazendo.

2 thoughts on “A ERC e a avaliação do pluralismo na RTP

  1. tenho uma dúvida: até que ponto a questão da quantificação pode reflectir as mudanças que se vão dando? Explicando melhor; ao longo de uma legislatura, o peso efectivo das forças políticas na sociedade altera-se significativamente, havendo o desajuste entre esse peso e a percentagem de votos obtidos na última eleição. Sem entrar en análises demasiado subjectivas como se pode avaliar este factor?

  2. Pingback: Estrela Serrano esclarece posição da ERC « Jornalismo e Comunicação

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