Fim da Imprensa: “lenga-lenga apocalíptica”?

“(…) Essa lengalenga apocalíptica do fim da imprensa e sua transferência imediata para a virtualidade da internet revela um desconhecimento dos desdobramentos e acomodações do processo histórico. Convém àqueles que não estão interessados em desenvolver os fundamentos originais do jornalismo – mantidos com muita vitalidade e criatividade nas mais importantes publicações do mundo. O jornalismo impresso não foi afetado pelas diferenças idiomáticas e culturais, seus traços essenciais podem ser identificados nos quatro cantos do mundo, testados diariamente nas mais dramáticas circunstâncias. Os defensores do corte abrupto são na verdade defensores do fim da história, agentes da política de terra arrasada e do voluntarismo tipo ‘depois de mim, o dilúvio’.(…)”

As afirmações, feitas no texto O futuro do jornalismo impresso, da autoria de Alberto Dines, no Observatório da Imprensa, parecem-me mais pertinentes para o jornalismo tout court do que para o jornalismo impresso.  E o leitor?

5 thoughts on “Fim da Imprensa: “lenga-lenga apocalíptica”?

  1. é verdade que o Jornalismo (e também o impresso) tem sobrevivído a várias “revoluções”. De facto, mais importante que discutir a sobrevivência e tentar perceber que pressupostos se alteram. Cada revolução traz consigo um novo “paradigma”, uma nova forma de olhar a realidade.
    A questão é se em cada um destes momentos nos agarramos a todo custo à «velha» forma de olhar a realidade ou, sendo fieis ao que nos parece essencial somos capzes de dar o salto.
    Naturalmente também podemos perguntar se nestas “revouluções” se colocam em causa o essencial do jornalismo.
    Pessoalmente, pesno que, apesar de todas as mudanças, o jornalismo tem uma Missão essencial para a manutenção de um Espaço Público Democrático. Aliás, a grande pergunta é saber se em cada momento o Jornalismo, independentemente dos meios, é fiel a esta missão.

  2. Do alto da pouca experiência que tenho acredito que o futuro da imprensa está apenas dependente dos agentes económicos que serão ou não capazes de investir do que da virtualidade da Internet… Até quando haverá no Jornalismo em geral profissionais que se vendem por tuta e meia?! O exercício da profissão não devia dar tanto gozo ao ponto de se conseguir suportar o “sistema”…

  3. Os «agentes da política de terra arrasada» podem muito bem ser, hoje, os lobistas profissionais…

  4. Estou com o zé maria brito.
    Os paradigmas vão sendo alterados a cada revolução [interna ou externa] e cabe ao jornalismo manter o seu status ético adaptando a sua prática aos tempos correntes.
    No entanto, não posso deixar de tomar nota da crescente “youtubização” da notícia, do recusrso a “fontes” como o sms ou os blogs.
    Se cada uma delas tem a sua importância relativa [há quem lhe chame “jornalismo do cidadão”], cada uma delas tem, também, falhas graves em termos de credibilidade.
    Fico pasmado ao ver a forma como os jornalistas concorrem com este tipo de media… utilizando os mesmo métodos em vez de apostarem no que os distingue.
    Novas pragmáticas – precisam-se.
    Ou então, sem dúvida, se não morrem são engolidos.

    Digo eu, que nem sou jornalista…

  5. Pingback: #2007.0005 “YouTubização” do Jornalismo | Fractura.Net

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