Proibir a própria liberdade

“Os media não têm (apenas) o direito, têm o dever de noticiar e/ou denunciar os crimes, condutas ilegítimas ou irregulares, de interesse público; o País e o povo é que têm o direito de saber, de estar informados. Tais notícias claro que afectam o bom nome (ou hipotético bom nome) das pessoas singulares ou colectivas em causa. Assim, de acordo com a ‘tese’ do acórdão do STJ, passam a ser proibidas. O que significa passar a ser proibida a própria liberdade. Como é isto possível? E como é possível este ‘silêncio’, que ainda nenhum responsável, nenhum deputado, nenhum político, se tenha referido a tão grave ameaça, mesmo involuntária, à democracia em Portugal?”

José Carlos de Vasconcelos (a propósito do acórdão do Supremo Tribunal de Justiça sobre o ‘Público’), in Visão, 19.04.2007

One thought on “Proibir a própria liberdade

  1. Sim, o acórdão do STJ relativo ao caso Sporting-Público é uma vergonha absoluta e uma ameaça notável à nossa demcoracia. Não vale a pena escamotear o facto. Mas essa insensibilidade e falta de cultura democráticas estão alastradas por muitos tribunais e juizes e procuradores deste país, cada vez mais desavergonhados no cerceamento da liberdade de expressão e de informação. A cobardia de muitos há-de levar-nos bem fundo, até ao ponto em que já não sabaremos que país e que civilização é a nossa. Relativizem, relativizem e vão ver daqui a uns anos.

Os comentários estão fechados.