“Uma espécie de regra no jornalismo”

“(…) Somos o país da Europa (do Mundo?) que tem mais jornais desportivos diários, mas o que tem menos jornalismo desportivo. Os outros jornais também ignoram o tema [o folhetim da transcrição das escutas do processo do Apito Dourado no CM], porque há uma espécie de regra no jornalismo que obriga uns a desprezarem as informações que os outros obtêm. As notícias não têm um valor intrínseco: têm mais ou menos valor, consoante foram publicadas por um jornal ou pela concorrência (…)”

Ricardo Araújo Pereira, in Visão, 19.04.2007

Proibir a própria liberdade

“Os media não têm (apenas) o direito, têm o dever de noticiar e/ou denunciar os crimes, condutas ilegítimas ou irregulares, de interesse público; o País e o povo é que têm o direito de saber, de estar informados. Tais notícias claro que afectam o bom nome (ou hipotético bom nome) das pessoas singulares ou colectivas em causa. Assim, de acordo com a ‘tese’ do acórdão do STJ, passam a ser proibidas. O que significa passar a ser proibida a própria liberdade. Como é isto possível? E como é possível este ‘silêncio’, que ainda nenhum responsável, nenhum deputado, nenhum político, se tenha referido a tão grave ameaça, mesmo involuntária, à democracia em Portugal?”

José Carlos de Vasconcelos (a propósito do acórdão do Supremo Tribunal de Justiça sobre o ‘Público’), in Visão, 19.04.2007

Floribella no móvel. Quanto custaria?

O primeiro episódio da nova série da Floribella foi promovido como tendo direito a apresentação antecipada na net e no telemóvel.
O apelo ao ‘fora do comum’ (o maior, o mais bizarro, o mais estranho, o mais novo…) continua a ser uma estratégia suficientemente eficiente para garantir os retornos comerciais e de imagem considerados aceitáveis pelas empresas que administram este tipo de produtos. O Big Brother – o primeiro – foi apresentado não apenas como um concurso televisivo mais como ‘a primeira novela do real’ e isso garantiu-lhe uma enorme projecção mediática em jornais, rádios e até TV’s concorrentes mesmo antes da primeira emissão.
Que os profissionais da Comunicação Estratégica ‘trabalhem’ os temas por forma a dar-lhes um ângulo jornalístico não constitui problema, muito pelo contrário.  Que os jornalistas – pressionados pelo tempo, escassez de meios, escassez de recursos, etc – só nos apresentem exactamente o que foi ‘trabalhado’ pela Comunicação Estratégica é que me parece problemático.
E quando nem mesmo as questões simples – neste caso em apreço, custos, acessos, tarifários – surgem respondidas no texto jornalístico há um largo vazio por preencher.
Temos os blogs, pois temos.
E, com tantos defeitos, valham-nos, ainda assim.
Miguel Vitorino, sabendo que este primeiro episódio pode ser visto de forma gratuita por força de um acordo entre a SIC e as operadoras, foi tentar calcular quanto custaria vê-lo no telemóvel às tarifas de mercado (tráfego avulso).
E o resultado parece ser esclarecedor; varia entre os 60 euros da Optimus e os 120 euros da TMN.

Encontrei a referência ao blog do Miguel Vitorino no Zone 41 (que a havia encontrado no do Paulo Querido).