Dar voz a quem?

A  postura de Mark Deuze num seminário internacional sobre jornalismo participativo que teve lugar há dias (sugestão recolhida no Ponto Media) parece ter sido bastante contundente.
Deuze junta todos os indícios visíveis de fluidez na actividade – os despedimentos de jornalistas, a produção sub-contratada de conteúdos, o crescimento do dito ‘trabalho atípico’ (não vinculado, precário), a aposta no conteúdo-gerado-pelo-utilizador (USG) e a aposta em espaços de participação comunitária – e pergunta: mas quem são então estes cidadãos a quem se pretende dar voz? Quem são estas pessoas que vão elaborar as notícias para eles próprios?

The same people that used to be of primary interest to the advertisers sponsoring mainstream news in the first place: affluent, white, middle class and largely suburban households.
Giving voice to the voiceless? Don’t make me (horse) laugh.

Face à internet – parece dizer-nos Mark Deuze – as empresas preferem encontrar formas de fazer subsistir o modelo de negócio tradicional a refundar toda a operação; as empresas preferem reduzir custos, reduzir custos, reduzir custos…e tanto melhor se isso aparecer decorado com as cores da ‘participação’.

2 thoughts on “Dar voz a quem?

  1. Hola Luis. Claro que existe el riesgo de dar la voz a los líderes de opinión pública, a los prescriptores de consumo y demás. Pero precisamente esos son lo que, al menos de momento, han sido menos activos y presente en la comunicación digital. Hay en cambio muchas otras voces, dispares y desde hace tiempo, construyendo su propia capacidad de influencia y planteando nuevos puntos de vista. No me parece posible establecer barreras de entrada y criterios de calidad informativa que puedan descalificar a unos ciudadanos en favor de otros. Los colectivos digitales podrán ser juzgados por acciones y afirmaciones, pero en el marco general de un discurso abierto donde son más claras las afiliaciones políticas, las dependencias económicas y otras presiones que en los medios anteriores demasiadas veces se ignoran o se habla como si nunca hubieran existido.
    De acuerdo con otras muchas opiniones de Mark, no coincido en el modelo de defensa profesional que parece interesarle ahora a Deuze.
    Un saludo a todos

  2. Caro Daniel,

    Creio que há, de facto, que encontrar ferramentas novas de interpretação para muito do que se passa neste domínio. Mas parece-me que este discurso de Deuze tem a vantagem de moderar algum tecno-optimismo que pode constituiu a base para a actuação de quem governa os meios. E é um facto que em tempos de aparente maior necessidade de informação enquadrada, confirmada, verificada, assistimos a movimentos de precarização do trabalho jornalístico e de fragmentação da produção.
    Obrigado pela visita.

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