Para onde olhamos mais?

Foi recentemente publicado pela Online Journalism Review (OJR) um interessante estudo – Eyetracking points the way to effective news article design – que pretende ajudar a um mais eficaz desenho das páginas da web, em função dos locais para onde os nossos olhos se orientam prioritariamente. Entre outras curiosas conclusões, sugere-se ali que os olhos dos homens e das mulheres nem sempre se concentram exactamente nos mesmos pontos de uma fotografia.

Tese de jornalista da RTP sobre ‘Caso Prestige’

“O ‘caso Prestige’ – estudo comparado nos telejornais da TV Galiza e da RTP” é o título-tema da tese de mestrado que a jornalista da RTP Maria Cerqueira apresenta hoje, na Universidade do Porto. A prova decorre na Faculdade de Letras, a partir das 14:30.

“A actualidade contra o jornalismo”

Só agora vi, nos “Cuadernos de Periodistas”, de Janeiro, da Asociacion de la Prensa de Madrid, este artigo de Carlos G. Reigosa, director de “Publicaciones, Análisis y Estilo” da Agencia Efe, intitulado “La actualidad contra el periodismo“. A ideia central:

Los periodistas ya no controlan la agenda cotidiana, ni eligen los contenidos, ni jerarquizan la información. Hoy la información está ‘precocinada’ por gabinetes de prensa y direcciones de comunicación. Para que esa ‘actualidad’ no esté contra el periodismo, el informador-periodista ha de recuperar los valores y prácticas de su oficio y atender la agenda informativa desde el interés general de sus lectores.

A pergunta impõe-se: que dizem os jornalistas portugueses, pelo menos os que passam os olhos por este blogue, sobre o que se passa nas redacções de cá?

Seminário de doutoramento em jornalismo

O Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho, através do projecto de investigação Mediascópio, inicia hoje, em Braga, um seminário permanente de doutoramento, centrado nos estudos jornalísticos.

A sessão de hoje será dinamizada por Sandra Marinho, que tem em curso uma investigação sobre “A qualidade no ensino do jornalismo”. O texto de referência do seminário é um artigo de Mark Deuze, “What is journalism? Professional identity and ideology of journalists reconsidered”, publicado na revista Journalism Vol. 6(4): 442–464 , 2005.

A maioria do país não vê televisão?


Este é um retrato do país, no que diz respeito à audiência de televisão por canais, segundo os dados da Marktest, publicados no Anuário de Media e Publicidade 2006. Se é verdade, como diz a nossa empresa de audimetria, que “em 2006, os portugueses viram, em média, 3 horas e 30 minutos de televisão por dia”, e que, por outro lado, a audiência média (calculada sobre o universo dos indivíduos a partir dos quatro anos) nem no prime time chega aos 40 por cento, não há aqui uma ou duas conclusões que parecem óbvias e de que quase ninguém fala? Uma, pelo menos, é certa: para se chegar à média de 3 horas e meia por dia, os que vêem não podem deixar de ver muita TV. Consola-nos um outro dado que também nunca é referido: todos estes números referem-se a “televisão ligada” e não a “televisão efectivamente vista”. Como pude comprovar com as audiências mais jovens, sem esta distinção não se percebe nada de audiências televisivas.

O “mundo” das “cartas ao director”

Photo Sharing and Video Hosting at PhotobucketQuando exerci as funções de provedor do leitor do Jornal de Notícias, uma das maiores surpresas que tive foi descobrir o pequeno universo daqueles leitores que têm todo o tempo do mundo e que (não) se fartam de escrever para os jornais.

Onde estava a novidade? Estava no facto de haver cavalheiros que levavam o papel tão a sério que faziam constar na sua entourage que eram jornalistas (então não escreviam no jornal?) e, como prova disso, chegavam a mandar imprimir cartões com o logotipo do jornal e com o respectivo nome. E a coisa era de tal monta que se as cartas que enviavam não saíam com a frequência que lhes permitia alimentar a ilusão protestavam, neste caso junto do provedor.

São extremos de um mundo que vale a pena conhecer e que a investigadora Marisa Torres da Silva, ex-jornalista e actualmente monitora na Universidade Nova de Lisboa, quis estudar. A pesquisa que fez para o seu mestrado a partir do caso do Público, e que acaba de ser publicada em livro, procura indagar, entre outros aspectos, sobre quais os critérios de selecção das cartas, se é que os há, e que características revestem aquelas que são seleccionadas. O trabalho permite ver como é construída a voz dos leitores através da Imprensa, os constrangimentos e regras que a condicionam, proporcionando, ao mesmo tempo, “elementos de reflexão e ferramentas críticas aplicáveis a outros espaços de diálogo e fóruns de imprensa abertos”.

The Economist experimenta com a net

O The Economist Group tem em curso um pequeno projecto experimental com o objectivo de desenvolver uma presença online ‘verdadeiramente inovadora’.

O site do projecto Red Stripe adopta uma postura bem diferente da que, num primeiro impulso, identificariamos com aquele grupo e esforça-se por mostrar abertura e dinamismo.
Há um pedido de ideias, há um blog e até uma webcam ligada em permanência ao escritório.
Mas há também avisos que não nos deixam esquecer a herança genética da coisa…(e Dan Gillmor, por exemplo, não ficou muito bem impressionado).

Publicidade “viral”

…ou de como a publicidade se faz hoje por outros caminhos e já não é o que era. Até este post entra na campanha.

The State of News Media – 2007

Foi hoje disponibilizado o quarto estudo anual do Project for Excellence in Journalism, o State of News Media – 2007.
É, à semelhança dos anteriores, um estudo longo, que detalha algumas das grandes tendências detectadas.
Aqui ficam algumas das pistas enunciadas:

The evidence is mounting that the news industry must become more aggressive about developing a new economic model.
There are growing questions about whether the dominant ownership model of the last generation, the public corporation, is suited to the transition newsrooms must now make.
The Argument Culture is giving way to something new, the Answer Culture.
Blogging is on the brink of a new phase that will probably include scandal, profitability for some, and a splintering into elites and non-elites over standards and ethics.
While journalists are becoming more serious about the Web, no clear models of how to do journalism online really exist yet, and some qualities are still only marginally explored.

Manuel Carlos Chaparro na blogosfera

O Doutor em Ciências da Comunicação, Manuel Carlos Chaparro, lançou o blogue “O Xis da Questão” que, segundo suas próprias palavras, tem como objectivos “fazer a reflexão crítica da acção jornalística nos processos da actualidade, desenvolver práticas pedagógicas de desconstrução do discurso jornalístico e desenvolver linguagens e formas de socialização do conhecimento”.

Chaparro iniciou sua carreira como jornalista em Lisboa. Emigrou para o Brasil em 1961. É professor de jornalismo da Escola de Comunicação e Arte da Universidade São Paulo.

50 anos … de um país chamado Portugal

Grande parte das opiniões sobre os 50 anos da RTP desancam no operador público. Por se esquecer do serviço – público – que deveria prestar. Por ser correia de transmissão do poder do momento. Por nos devolver um mundo pimba. E até mesmo por existir.
Do que tenho lido, estranho e entranho duas coisas. A primeira é que não haja muito mais gente – não apenas aqueles que sempre escrevem e opinam – a manifestar o que acham da RTP e desejam que ela seja. E nisso a própria RTP tem muitas culpas, porque podia fazer-se muito mais “de todos e de cada um” de nós.
A segunda nota é que muitas flechas disparadas na direcção do operador público têm implícita a pena de a RTP não ser, digamos, a BBC. Ora sobre isto, esquecemo-nos de dizer, ao mesmo tempo, que nós também não somos a Inglaterra.
Muitas das observações sobre a RTP são, afinal, projecções dos nossos impasses e dos nossos limites como sociedade. Projecções num ente convertido em “bode expiatório” que, muitas vezes – é verdade – se põe a jeito.

“Nouvel Obs” e “The Guardian” apostam no vídeo

logo-canalobs-grand O site da revista francesa Nouvel Observateur disponibiliza desde quinta-feira um canal de vídeos sobre assuntos da actualidade e emissões televisivas a que a redacção da revista está ligada. Além da inserção de comentários, é possível descarregar o endereço de cada vídeo (para blogues, por exemplo) e fazer download do som.

Entretanto, era divulgado no mesmo dia que o grupo que edita o diário britânico The Guardian planeia investir um milhão de libras na produção de vídeos sobre a actualidade e na contratação de profissionais para trabalharem nessa área, no quadro de um investimento de 15 milhões de libras que visa fazer passar o site do jornal para a era do web 2.0. O director do jornal sublinhou, na altura, que, numa aposta de longo prazo, o grupo entende estar ainda numa fase inicial de reconversão em ordem a um jornalismo cada vez mais assente na lógica da web.

Simpósio sobre Jornalismo Digital

Digital JournalismJá está disponível o programa definitivo do Simpósio Internacional sobre Jornalismo Digital da Universidade do Texas, em Austion (EUA), que vai decorrer em 30 e 31 deste m~es. Esta iniciativa anualmente promovida pela Knight Chair in Journalism e pela UNESCO Chair in Communication daquela instituição norte-americana, cujo titular é o brasileiro Rosental Calman Alves, vai já na oitava edição. E, como de costume, proporcionará a possibilidade de seguir o evento através de webcast. De resto, o site do Simpósio constitui um repositório fundamental para acompanhar a evolução do jornalismo em rede neste início do século XXI.

A intervenção de abertura caberá ao professor e blogger Jeff Jarvis e terá por título “The end of the mourning, mewling, and moaning about the future of journalism: Why I’m a cock-eyed optimist about news”
De entre os temas do programa deste ano, que dará particular atenção às mudanças em curso no jornalismo, destacam-se os tópicos seguintes:

  • The transformation of newspaper to multimedia news organization – the merging of online-print newsrooms and the challenges of a continuous news flow
  • The transformation of business models – how the online audience and revenues are changing how newspapers do business
  • The transformation of journalism from monologue to conversation – citizens’ participation in news production and dissemination
  • The transformation of journalism on a flat world – international perspectives on online journalism
  • The transformation of storytelling techniques – how video and interactive features are changing news production routines
  • Strategic positioning in the new media environment
  • New journalistic forms and new journalists
  • Journalism online: how content is affected.

(Crédito da ilustração: Avram Dumitrescu)

RTP: 50 anos!

A TV pública: o + e o –

(-) Nasceu na Feira Popular de Lisboa, mas o poder político cedo tomou conta dela. “A televisão é um instrumento de acção, benéfico ou maléfico, consoante o critério que presidir à sua utilização. O governo espera que os dirigentes do novo serviço público saibam fazer desse instrumento um meio de elevação moral e cultural do povo português”. Foram estas as palavras que Marcello Caetano dirigiu à RTP aquando da assinatura do primeiro contrato de concessão de serviço público.

(+) Atravessou o Estado Novo sem grande autonomia no campo da informação, mas acumulou, mesmo nesse período, emissões memoráveis: a visita da rainha Isabel II a Portugal em 1957, a primeira transmissão de um jogo de futebol em 1958, a transmissão dos jogos da equipa portuguesa no Campeonato Mundial de 1966 (ainda hoje lembramos os Magriços…), as visitas papais, as sucessivas edições do Festival da Canção…

(+) Recordo com muita saudade muitos profissionais que passaram pela RTP : Fernando Balsinha, Adriano Cerqueira, Fernando Pessa, Henrique Mendes, Artur Ramos, Rui Romano, Alice Cruz, Fialho Gouveia…

(+) Foi testemunha ímpar da História: do 25 de Abril, da adesão de Portugal à CEE, dos massacres em Timor Leste, da “despedida” portuguesa de Macau, da guerra no Golfo, dos vários ataques terroristas…

(-) Nem sempre foi/é a TV “de todos os portugueses”: faltou-lhe/falta-lhe rasgo na programação dos canais internacionais, era/é preciso tornar o país (fora de Lisboa) mais visível.

(-) Em tempo de TV privada, a RTP1 foi o primeiro canal a fazer contra-programação. Perdeu as audiências para a SIC, quando em 1995 ganhou o exclusivo da transmissão do casamento de D. Duarte e D. Isabel Herédia.

(-) Ao longo dos anos 90, a RTP clonou muitos formatos dos canais privados. Nesse tempo, era preciso ter tido mais audácia, criatividade e qualidade.

(+) Mesmo não sendo líder de audiências, a RTP conseguiu somar trunfos ao nível da informação semanal, “obrigando” frequentemente os canais privados a mudar as suas opções editoriais: na segunda metade dos anos 90, o canal generalista público ousou mexer na composição dos “plateaux” informativos, tornando-os menos monocromáticos (políticos).

(+) Quando as “novelas da vida real” se revelavam fórmulas eficazes de atracção de audiência, a RTP resistiu a esse género de programação e, aos poucos, foi criando uma programação alternativa aos canais privados.

(+/-) Actualmente a RTP1 é o canal com mais programas de informação em horário nocturno, mas os políticos ainda continuam a ser os “donos dos plateaux”.

(-) Se quisermos somar o número de conselhos administração e de directores de programas e de informação que a RTP somou nestes 50 anos ficaremos, decerto, assustados com a dança de cadeiras.

(-) Em dia de aniversário, a RTP fez a festa em Lisboa e não prestou muita atenção ao Centro de Produção do Porto, mesmo sabendo que o “Jornal da Tarde” (feito a partir do Porto) é líder de audiência e que a “Praça da Alegria” e “Portugal no Coração” têm a sua emissão a norte.

(+/-) Que grande Centro de Produção se inaugurou hoje na capital! Na minha opinião, carregou-se demasiado na festa oficial, mas aquilo que me preocupa mais é o desequilíbrio de meios entre Lisboa e Porto.

(+) Assisti hoje à emissão da RTP através da Internet. Gostaria de voltar a fazer o mesmo amanhã e depois e depois… E já agora, também seria adequado a RTP prestar mais atenção ao “on line”.

A RTP faz hoje 50 anos. A televisão está hoje em festa. Não é bonita a opção da TVI de sobrepor à Gala da TV pública a “Gala das 7 Maravilhas”. É um gesto mesquinho.

Debate sobre o futuro da TV na web

O Sapo Vídeos transmite em directo, nesta quarta-feira (7), a partir das 11 horas da manhã, um debate acerca do futuro da televisão na web. Estarão presentes na discussão responsáveis por dez canais de TV online. (Via PúblicoDigital).