O “mundo” das “cartas ao director”

Photo Sharing and Video Hosting at PhotobucketQuando exerci as funções de provedor do leitor do Jornal de Notícias, uma das maiores surpresas que tive foi descobrir o pequeno universo daqueles leitores que têm todo o tempo do mundo e que (não) se fartam de escrever para os jornais.

Onde estava a novidade? Estava no facto de haver cavalheiros que levavam o papel tão a sério que faziam constar na sua entourage que eram jornalistas (então não escreviam no jornal?) e, como prova disso, chegavam a mandar imprimir cartões com o logotipo do jornal e com o respectivo nome. E a coisa era de tal monta que se as cartas que enviavam não saíam com a frequência que lhes permitia alimentar a ilusão protestavam, neste caso junto do provedor.

São extremos de um mundo que vale a pena conhecer e que a investigadora Marisa Torres da Silva, ex-jornalista e actualmente monitora na Universidade Nova de Lisboa, quis estudar. A pesquisa que fez para o seu mestrado a partir do caso do Público, e que acaba de ser publicada em livro, procura indagar, entre outros aspectos, sobre quais os critérios de selecção das cartas, se é que os há, e que características revestem aquelas que são seleccionadas. O trabalho permite ver como é construída a voz dos leitores através da Imprensa, os constrangimentos e regras que a condicionam, proporcionando, ao mesmo tempo, “elementos de reflexão e ferramentas críticas aplicáveis a outros espaços de diálogo e fóruns de imprensa abertos”.