Morreu Jean Baudrillard

Morreu hoje, em Paris, com 77 anos, Jean Baudrillard, autor de uma vasta obra, traduzida em várias línguas. Simulacros e Simulações, O Crime Perfeito, Sociedade de Consumo, Para uma Crítica da Economia e Ilusão do Fim são alguns dos seus livros, editados em português.

O meu “encontro” com a obra deste importantíssimo sociólogo deu-se tendo a televisão como ponto de (des)encontro. Em vários livros, Baudrillard exprime um pessimismo epidérmico em relação ao audiovisual, que considera ter vindo a criar intensificações do real, sem, no entanto, o representar tal como ele é. Num mundo povoado de imagens, o homem torna-se, na sua perspectiva, incapaz de viver fora de uma construção imagética engendrada por uma tecnologia que renova permanentemente uma “hiper-realidade”, ou seja, um mundo de simulacros cada vez mais desligado do real. Em Simulacros e Simulação, devolve-nos um retrato estranho da sociedade contemporânea, pendurada em realidades sem referentes, evoluindo aglutinada a signos auto-referenciais que apenas existem no momento da sua troca. O mundo pertence ao objecto simulado. Nesse plano, é vã a tentativa de procurar a verdade daquilo que se mostra ou o esforço de racionalização perante aquilo que se vê. Poder-se-á discutir muitas das suas teses, mas o seu pensamento é uma referência obrigatória para quem estuda a TV. E muitas outras temáticas.

Para uma “navegação” pelo perfil biográfico, pelo pensamento e pela obra do autor, consultar, por exemplo, este site.

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RTP, 50 anos. Que balanço?

A RTP comemora amanhã meio século de existência.
Paralelamente à emissão festiva que a TV pública está a preparar, seria importante fazer algum balanço destes 50 anos de emissões. Mais do que aos seus responsáveis, talvez fosse pertinente dar a palavra aos telespectadores.
Quais os programas que mais nos marcaram?
Que elogios merece esta televisão que se diz “de todos os portugueses”?
Que reparos poderemos fazer?
Sem querer substituir qualquer emissão de debate televisivo sobre este tema (que urge fazer), abrimos aqui espaço para iniciar essa discussão.

Podem os jornais ser redes sociais?

Tomando como ponto de  partida a recente remodelação do site do USA Today, Mathew Ingram pergunta, no AgoraVox, se é mesmo possível fazer de um jornal uma rede social?
Ou seja, não estarão os jornais a embarcar numa ilusão, ao pensar que os leitores vão valorizar de forma diferente o seu trabalho pelo simples facto de a ele estarem associadas formas de maior interacção como os jornalistas e com os restantes leitores?
A resposta não será simples, não será uma só e, sobretudo, não pode ser dada agora, antes de verificado o sucesso das experiências em curso.
É possível aceitar que, como diz Ingram, alguns leitores queiram apenas ser consumidores.
Mas é também possível que outros gostem de participar numa iniciativa como este mapa colaborativo dos buracos na cidade, disponível no site Bakersfield.com (via BuzzMachine).
E será possível que outros ainda queiram acrescentar conhecimento específico a material jornalístico em preparação.
E o jornalismo vai precisar de saber lidar com  todos eles.