Marcelino deixa direcção do Correio da Manhã

O director do “Correio da Manhã”, João Marcelino, vai deixar o jornal. A notícia é dada pelo Público online que adianta que o jornalista, ao comunicar hoje a decisão aos jornalistas daquele diário, não adiantou qualquer elemento indiciador de novas funções que possa vir a assumir.
Recorde-se que, aquando da demissão das direcções do “24 Horas” e do “Diário de Notícias”, se apontou o nome deste jornalista para suceder a António José teixeira no DN.

A força jornalística de uma imagem…

A fotografia jornalística é, talvez, o género de imagem que melhor se presta ao cumprimento da função referencial da mensagem visual.
Contudo, especialmente no âmbito de um certo fotojornalismo, ela cumpre cada vez mais uma função expressiva ou emotiva e até poética.
A imagem que hoje faz a primeira página em vários (muitos) jornais do mundo é uma fotografia assim: há nela o mistério de uma realidade que poucos textos conseguiriam dizer melhor.

Na verdade, há nesta imagem uma força de sentido que não escapou a uma boa parte dos editores.
Se bem que o próprio reconhecimento generalizado da força desta imagem seja também para os jornalistas uma coisa difícil de explicar…

RR em papel – número 1


A Rádio Renascença disponibiliza, a partir das 12h30 de hoje, a sua primeira publicação em papel, o “Página 1”.

As duas edições diárias do PDF podem ser descarregadas às 12h30 e às 17h30 durante os dias de semana.

Além das informações respeitantes ao que é notícia durante o dia – hoje, por exemplo, a manifestação em Chaves ou a confirmação de um segunda caso de BSE – o “Página 1” deverá apresentar também materiais de produção própria, como é o caso da reportagem ‘Emigrantes à força’ que integra o primeiro exemplar.

(Post anterior sobre o mesmo assunto).

Crise e futuro da Imprensa “a ferver”

Nestes escassos dois meses que o ano de 2007 leva de existência, tem sido um verdadeiro fervilhar de estudos, reflexões e iniciatiavs em torno da crise da imprensa e dos caminhos para a superar. Além da primeira parte das observações que sobre este assunto produziu Pacheco Pereira, no Público (e do eco que têm tido, sobretudo na blogosfera), ficam aqui três referências. A primeira vai para o texto “Is A Newspaper An ‘Essential Service’?“, que Philip M. Stone publica no site Followthemedia.com. O tom não deixa dúvidas, mas não dispensa a leitura:

News is important to our daily lives. But does it really matter where we get that news – radio, television, the Internet, or even a newspaper? A Wall Street Journal op-ed piece suggested that government-raised funds might be made available for serious journalism or should it be, as Slate slated that article, “If dailies can’t make it on their own, they deserve death.”

20070220_Senat_groupe_de_travail crise de la presseMais elaborado e também voltado para a componente negócio é o relatório “La presse au défi du numérique” de Marc Tessier, antigo presidente de France Télévisions e hoje director geral de uma empresa de serviços de media, que elaborou o estudo para o ministro francês da Cultura.

O texto observa que “l’irruption des nouvelles technologies numériques est en passe de bouleverser non seulement l’économie des médias traditionnels, mais aussi leurs modes d’organisation, leurs structures et leurs contenus”. Num ambiente “plurimédia” os actores do sector da imprensa deverão, segundo o autor, aliar-se, passar para uma escala de sinergias superior e investir a sério no digital e na Internet. Algumas recomendações:

“(…) même s’il peut et doit continuer à être soutenu, du fait de sa double fonction éducative et culturelle, l’écrit, dans les médias, ne doit pas être considéré isolément. Il devient un élément d’une offre plurifonctionnelle. D’où l’importance :
– de développer les synergies d’entreprises pluri-médias;
– de favoriser la pluricompétence (ou polyvalence), notamment dans le domaine de l’information ;
– de protéger l’édition écrite du parasitage et du ‘copillage’;
– de faciliter l’émergence de sites d’information s’inspirant des règles et de la
culture qu’un siècle de presse a permis de mettre en valeur”.

Refira-se, a este propósito, que o Senado francês criou recentemente um grupo de trabalho sobre a crise da Imprensa, o qual procede actualmente a audições de vários actores ligados ao problema. [É de um dos depoentes nessa audição, Gilles Bruno, do Observatoire des Médias, que utilizo a gravura que ilustra este post].

A terceira referência vai para o “processo de integração radical” que acaba de ser implantado no jornal norte-americano The Atlanta Journal-Constitution. O texto da mensagem que a directora dirigiu a este respeito à Redacção surge transcrito por Juan Antonio Giner, no blog Innovations in Newspapers. É apenas um caso que, como The Telegraph, vale a pena seguir de perto: “This structure places print and digital on equal footing, each taking what they need to satisfy their specific audiences(acesso com prévia inscrição, gratuita).

Uma revista nova: “Journalism Practice”

Journalism Practice A editora inglesa Routledge anuncia ainda para este mês o lançamento de “Journalism Practice“, uma revista científica, que será dirigida por Bob Franklin, tendo por base a Cardiff School of Journalism, Media and Cultural Studies.
De natureza multidisciplinar e âmbito internacional, a nova publicação sairá três vezes por ano e tem a particularidade de lançar um olhar crítico e rigoroso sobre os universos da prática jornalística. Cobrirá áreas como a formação de jornalistas, o currículo para o jornalismo, o trabalho jornalístico desenvolvido nas diferentes plataformas (imprensa, online, rádio e televisão). Procurará igualmente constituir um espaço de debate de contributos eruditos orientados para a prática, propostos por jornalistas, formadores, estudantes de jornalismo e académicos.
No dizer de Peter Golding, um dos apoiantes desta iniciativa, “The practice of journalism merits top class discussion and research, and this Journal is a welcome forum for bringing the best of academic and professional writing together. It is in the very best hands and I am looking forward immensely to reading it”.

Governo francês quer disciplinar a Internet

O governo francês tem pronto um projecto de diploma legal que cria uma assim designada “Commission nationale de déontologie des services de communication au public en ligne“.
Esta Comissão, que está a suscitar polémica em alguns sectores da sociedade francesa, como noticia a edição online do diário Le Monde, teria uma função de natureza predominantemente consultiva, com competências em áreas como a telefonia fixa ou móvel, o fornecimento de acesso, alojamento de sites, fóruns e blogues, edição de conteúdos, etc.
Para a Liga Internet e Liberdades este projecto que se apresenta como voltado para a “protecção da infância” seria, na verdade,  “um cavalo de Troia” com potenciais efeitos danosos para a liberdade de imprensa e de expressão.

Investir nas redacções traz mais lucros

Numa altura em que assistimos, em Portugal, a mais do que indícios de movimentações em sentido contrário, um estudo – com dados recolhidos ao longo de uma década – conclui que quem mais investe nas redacções mais rendimento retira do negócio.
Reduzir, cortar, despedir serão, eventualmente, as soluções indicadas para outro tipo de operações – não para o jornalismo, prova o estudo.
E se alguém por cá se lembrasse de oferecer uma cópia a Francisco Pinto Balsemão, Paulo Fernandes, Belmiro de Azevedo e Joaquim Oliveira – será que ajudava?

Ah! As novas tecnologias…

E se alguém tivesse podido filmar o primeiro contacto de um monge da Idade Média com um livro?

Um video que nos ajuda a olhar para o ‘novo’ com um sorriso.

Encontrei a sugestão aqui.

Quando o online é ‘prateleira’

Na notícia “Manuela fala, fala“, do Correio da Manhã, sobre o depoimento de Manuela Moura Guedes no Tribunal de Trabalho de Setúbal, a propósito de um conflito interno na TVI, corre-se o risco de não ler como termina a peça:

[Das cinco jornalistas da TVI que são testemunhas de um colega transferido de secção]” (…) Todas afirmaram que trabalhar no departamento On-line representa “estar na prateleira e limitar-se a fazer um trabalho de copy-paste”.
Uma das intervenientes manifestou a preocupação por ser testemunha abonatória do colega. “Ao estar aqui arrisco-me a represálias”, desabafou durante a audiência, confessando que não pode estar “em silêncio face às injustiças que são cometidas na Redacção” da Quatro”.

A TV que temos e que consumimos

Acabam de ser divulgados pela Marktest os dados da Mediamonitor que nos permitem ver com mais clareza o papel da televisão na nossa sociedade, bem como a natureza específica do meio televisivo. Trata-se dos dados sobre a emissão de programas agrupados em macro-géneros e da sua relação com o comportamento das audiências.

Em posição de destaque surgem os programas de ficção: com cerca de 8900 horas emitidas (e uma média de mais de 6 horas diárias por canal) representaram um quarto (25.4%) da emissão televisiva da RTP1, 2:, SIC e TVI em 2006 e mais de um terço dos minutos visionados pela audiência, no mesmo período.
Segundo a Marktest, “a quota de audiência dos programas de ficção esteve assim 40% acima da sua quota de emissão”.
Nessa relação entre a “oferta” destes canais e a “procura” do público, os programas de informação constituem o segundo tipo de programa mais frequente, representando 16.4% da emissão em 2006 e 21.3% do total de minutos visionados.
Os programas de divertimento surgem na terceira posição, representando 14.5% da oferta e 17.0% da procura.
É interessante analisar o que se passa, neste plano, com a publicidade, com os programas orientados para o conhecimento e para os públicos mais novos.
Seria importante ter acesso igualmente a estes dados discriminados por canal e por subcategorias (decompondo, por exemplo o macro-género “ficção” ou salientando a subcategoria desporto), para verificar o que se passa nomeadamente com os canais do operador público.

Seminário sobre “Transformações recentes do jornalismo digital”

Elisabeth Saad Corrêa, Professora do Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (Brasil), orienta amanhã, às 14.30, em Braga, um seminário sobre “Transformações recentes do jornalismo digital”. A iniciativa ocorre no âmbito das actividades do curso de mestrado de Ciências da Comunicação – área de especialização em Informação e Jornalismo, da Universidade do Minho. O local é o edifício do Instituto de Ciências Sociais (Sala de Seminários) e a entrada é livre.

O J&C errou

No post anterior perguntava-se se alguém tinha visto a página de Media do Público de hoje.
Tanto eu como dois outros colegas não tinhamos – ao início da manhã – conseguido encontrá-la na versão do jornal disponibilizada online.
Foi, certamente, desatenção.
Foi, de certeza, um erro.
Agradeço a correcção pronta do António Granado (este post só na apareceu mais cedo porque estive a assistir à apresentação de duas teses de mestrado).
Peço desculpa ao Público e aos leitores deste blog.
Aqui fica a página de hoje.

Blog de Campus

Está já online há algum tempo mas só ontem, segundo me dizem os seus responsáveis, adquiriu uma forma e uma presença mais estabilizada – o Blog de Campus do Jornal de Negócios.
É um espaço complementar da secção de Campus, que sai apenas à segunda-feira, e mostra-se aberto a contributos externos.
No (re)lançamento, publica-se uma entrevista que se apresenta como sendo ‘conteúdo exclusivo para o blog’ com o novo presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, Seabra Santos.
Excertos:

no CRUP, tenho sido uma voz permanente a defender o reforço da capacidade do CRUP e do entendimento das universidades no âmbito do CRUP. Se o CRUP não tiver capacidade para se fortalecer como voz em representação das universidades, então o CRUP desvaloriza-se naturalmente face aos outros autores em jogo.

O enquadramento em que as universidades são postas a jogar é um enquadramento que, manifestamente, promove acima de tudo a concorrência entre elas. A articulação e a coordenação torna-se difícil quando isto acontece. É preciso lutar por essa articulação e por essa coordenação e fazer passar a ideia em que há vantagens em consegui-lo. As universidades, no seu conjunto, fragilizam-se, porque não são capazes de adoptar atitudes em comum no âmbito do CRUP.

Duas teses sobre jornalismo digital

Duas teses de mestrado sobre jornalismo digital serão amanhã apresentadas e discutidas no Departamento de Ciências da comunicação da Universidade do Minho, no quadro do mestrado de Ciências da Comunicação – área de especialização em Informação e Jornalismo. A primeira, às 11 horas, será a da licenciada Daniela Bertocchi que apresenta uma tese intitulada “A Narrativa Jornalística no Ciberespaço“. Às 14.30, realiza-se a prova do licenciado Fernando Zamith, cuja tese se intitula “As Potencialidades da Internet nos Ciberjornais Portugueses“. Ambas serão arguidas pelo Prof. Xosé Pereira, da Faculdade de Ciências da Comunicação da Universidade de Santiago de Compostela, decorrendo as provas na sala de seminários do novo edifício do Instituto de Ciências Sociais (Campus de Gualtar, Braga).