Jornalistas ‘embedded’ nas campanhas eleitorais

Leitura da coluna “Médiatiques” de Daniel Scneidermann, no Libération: Les «embedded» de Sarko et Ségo:

“Toute cette énergie déployée pour recueillir des phrases creuses, des confidences potentiellement manipulatoires, ne pourrait-elle être employée à autre chose?”

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Velhos hábitos

Há dias, João Paulo Meneses chamava-nos a atenção para a tentativa, por parte do presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Rio, de  alterar o conteúdo de um texto com declarações suas publicado na revista de domingo do Público.
A notícia refere-se a um facto inquietante (a tentativa de ingerência no trabalho do jornalista) mas encerra, na sua origem, um outro não menos inquietante – haveria, à partida, um acordo entre as partes para que o texto pudesse ser lido por Rio antes da publicação.
Não é um prática nova e não acontece apenas em Portugal (veja-se este caso recente, em tudo semelhante, ocorrido com o presidente do Estado francês).
Não creio que estejamos perante um problema legal. Dependendo o visionamento de um texto já concluído de um acordo entre ambas as partes em que se tenha também acordado a ‘não interferência’ não há qualquer ilícito, parece-me.
Haverá, quando muito, problemas de transparência, uma vez que essa informação não é considerada vital a ponto de ser transmitida aos leitores.
E, por isso mesmo, creio que o que está em causa é um comportamento eticamente perigoso.
É censurável que um entrevistado assim proceda (se não confia no jornalista não lhe dá a entrevista) mas é igualmente censurável que um jornalista embarque nesse tipo de acordo, sobretudo porque – como este dois exemplos provam – quem pede para ler não o faz, no mais das vezes, por simples curiosidade.
Mais censurável ainda será que uma empresa jornalística – e a sua estrutura de gestão empresarial e editorial – aceitem este tipo de situações como ‘normais’. Dão um sinal errado aos potenciais entrevistados, dão um sinal errado aos seus assalariados e dão – sobretudo quando, por outras vias, a informação flui para além de um círculo restrito – um sinal errado aos seus leitores.