A “guerra” do papel está perdida?

Este estudo – The Impact of Digitalization – a Generation Apart – , a que vários media hoje se referiram, coloca uma questão que me parece central, nos debates sobre as transformações em curso, relativamente ao acesso e uso dos media informativos: o “gap” geracional.

Tem-se discutido se as gerações mais novas, que aparentemente se interessam pouco pela informação nos media clássicos, particularmente pela imprensa, afinal se interessam por algum tipo de informação de actualidade. Em rigor, esse é um debate antigo. Os dados de “The Impact of Digitalization” confirmam que a Televisão, seguida da Imprensa e da Rádio continuam a ser, globalmente falando, as fontes primeiras da informação dos cidadãos, e que, no caso do Reino Unido, a Internet não vai além de 8%. Mas se se for olhar para os grupos etários, aí verifica-se que a TV, continuando a liderar, cai significativamente e que a Internet suplanta a Imprensa.

É para esta realidade que é preciso olhar. É para esta realidade que poucos olham. O marketing do lançamento do novo P[úblico] procurou ir de encontro a estas novas sensibilidades e estilos de vida. Mas estou cada vez mais persuadido que a guerra do papel – que não necessariamente do jornalismo – está perdida para as gerações mais novas. Isso pode não ser totalmente verdade para os tempos mais imediatos. Mas parece ser uma tendência forte a médio-longo prazo.

Anúncios

“Em Portugal praticamente não se consegue…”

“Em Portugal praticamente não se consegue ver um telejornal que não seja uma espécie de conjunto de sketches de filmes policiais, de catástrofes e de acidentes. Por que é que os “media” se concentram tão obcecantemente nessa triste faceta, de que é importante estar consciente, mas que obscurece tanto do conjunto do país e do que nele de bom se produz e faz?
Não há alegria e felicidade em Portugal?
Não há ninguém que estude este fenómeno, que parece representar grave “depressão colectiva”, já anunciada pelas inúmeras bandeirinhas nacionais há anos colocadas em todas as janelas?
Não são as notícias ou os factos em si, é a sua repetição obsessiva que revela qualquer coisa de insano, de poluído, no país, pelo menos no país que alguns “media” julgam que é aquele que os portugueses querem ver. (…)”[Continuar a ler: aqui]
Vítor Oliveira Jorge, poeta, professor, arqueólogo, no seu blogue Trans-Ferir.