Crise e futuro da Imprensa “a ferver”

Nestes escassos dois meses que o ano de 2007 leva de existência, tem sido um verdadeiro fervilhar de estudos, reflexões e iniciatiavs em torno da crise da imprensa e dos caminhos para a superar. Além da primeira parte das observações que sobre este assunto produziu Pacheco Pereira, no Público (e do eco que têm tido, sobretudo na blogosfera), ficam aqui três referências. A primeira vai para o texto “Is A Newspaper An ‘Essential Service’?“, que Philip M. Stone publica no site Followthemedia.com. O tom não deixa dúvidas, mas não dispensa a leitura:

News is important to our daily lives. But does it really matter where we get that news – radio, television, the Internet, or even a newspaper? A Wall Street Journal op-ed piece suggested that government-raised funds might be made available for serious journalism or should it be, as Slate slated that article, “If dailies can’t make it on their own, they deserve death.”

20070220_Senat_groupe_de_travail crise de la presseMais elaborado e também voltado para a componente negócio é o relatório “La presse au défi du numérique” de Marc Tessier, antigo presidente de France Télévisions e hoje director geral de uma empresa de serviços de media, que elaborou o estudo para o ministro francês da Cultura.

O texto observa que “l’irruption des nouvelles technologies numériques est en passe de bouleverser non seulement l’économie des médias traditionnels, mais aussi leurs modes d’organisation, leurs structures et leurs contenus”. Num ambiente “plurimédia” os actores do sector da imprensa deverão, segundo o autor, aliar-se, passar para uma escala de sinergias superior e investir a sério no digital e na Internet. Algumas recomendações:

“(…) même s’il peut et doit continuer à être soutenu, du fait de sa double fonction éducative et culturelle, l’écrit, dans les médias, ne doit pas être considéré isolément. Il devient un élément d’une offre plurifonctionnelle. D’où l’importance :
- de développer les synergies d’entreprises pluri-médias;
- de favoriser la pluricompétence (ou polyvalence), notamment dans le domaine de l’information ;
- de protéger l’édition écrite du parasitage et du ‘copillage’;
- de faciliter l’émergence de sites d’information s’inspirant des règles et de la
culture qu’un siècle de presse a permis de mettre en valeur”.

Refira-se, a este propósito, que o Senado francês criou recentemente um grupo de trabalho sobre a crise da Imprensa, o qual procede actualmente a audições de vários actores ligados ao problema. [É de um dos depoentes nessa audição, Gilles Bruno, do Observatoire des Médias, que utilizo a gravura que ilustra este post].

A terceira referência vai para o “processo de integração radical” que acaba de ser implantado no jornal norte-americano The Atlanta Journal-Constitution. O texto da mensagem que a directora dirigiu a este respeito à Redacção surge transcrito por Juan Antonio Giner, no blog Innovations in Newspapers. É apenas um caso que, como The Telegraph, vale a pena seguir de perto: “This structure places print and digital on equal footing, each taking what they need to satisfy their specific audiences(acesso com prévia inscrição, gratuita).

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1 pensamento em “Crise e futuro da Imprensa “a ferver”

  1. Não deve haver profissão/área que mais discuta o seu futuro do que o jornalismo. Basta conhecer um pouco da história do jornalismo para saber que isto não é nada de novo. O tema “o futuro do jornalismo” é recorrente e debatido há décadas.

    Porque será… ?

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