Novo Público

O jornal Público promete-nos aparecer ‘novo’ na próxima segunda-feira.
Mais do que uma reformulação gráfica estará em curso uma mudança de posicionamento no mercado.
E mesmo que isso esteja a acontecer com uma campanha que retoma ideias da promoção de uma marca de cerveja e mesmo que a espreitadela de olho a um jornalismo que incorpora mais o contributo dos leitores contraste com uma mudança que parece ter acontecido completamente à sua margem, mesmo assim, a mudança é um sinal positivo.

A nova imagem gráfica – pelos únicos frames disponibilizados até agora – sugeriu-me semelhanças no logo com o desportivo catalão espanhol Marca e na designação do segundo caderno com o britânico Guardian.
Sugeriu-me, também, que se aponta num sentido de ruptura clara com o Público que ainda hoje lemos.
Só na segunda poderemos começar a ver se a estratégia é a mais acertada.

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A propósito da reflexão que se impõe

Na sequência do apelo a uma reflexão que se impõe sobre o jornalismo que se faz e sobre a imagem que dele fazem os leitores/ouvintes/telespectadores, deixo aqui excertos de um texto recente de Andy Zipser (ele próprio jornalista):

Reporters are supposed to be hard-eyed, skeptical, even cynical, but those qualities frequently turn out to be armor against facts, theories or ideas that step outside of conventional wisdom.

Admittedly, it’s hard to keep lofty ideas in mind when payrolls are being whacked and newspapers are changing hands like Monopoly properties. And it’s hard to bring a contrarian perspective to an issue that vested interests have coopted, putting their own institutional gloss on the subject. But good journalism—the kind of journalism we point to when asked to explain why the press deserves special protection—has always come down to individual reporters describing the world in unflinching and unvarnished terms. Everything else in the news business isn’t journalism; it’s business.

Encontrei a sugestão aqui.

A propósito de uma história deprimente

Há uma história deprimente que começou ontem a ser contada e que hoje tem desenvolvimentos. Uma mulher pobre de uma freguesia dos arredores de Penafiel simulou uma doença grave do foro oncológico para arranjar dinheiro para a família. A vizinhança, quando soube do embuste, entre a solidariedade e a revolta, parece ter actuado com assinalável bom senso, bem ao contrário do que por vezes acontece, com a sede justiceira típica destas situações.

A dada altura da reportagem, o JN reporta o seguinte.

” (…) Para evitarem a exposição pública dos filhos, os vizinhos decidiram, com a concordância dos pais, retirá-los de casa e escondê-los da humilhação pública. “Sentimos que fomos enganados e não perdoamos, mas o cenário é de miséria e o que preocupa toda a gente são os miúdos. Decidimos escondê-los das televisões e dos jornais”, contou um vizinho. (…)”.

Para os leitores, em especial para aqueles que estão do lado dos media, uma pergunta: este caso não deveria merecer séria reflexão? Não deveria suscitar uma espécie de acção preventiva que combatesse a representação dos jornalistas que a atitude daqueles vizinhos exprime?

Quem detém o quê

  • O grupo Prisa, que detém El País, adquire controlo da maioria das acções da Media Capital que detém a TVI.
  • O grupo RCS (dos italianos do Corriere della Sera), que detém a Unedisa, que controla El Mundo, compra a Recoletos, que detém, em Portugal, o grupo Económico (Diário Económico e Semanário Económico).

Complicado? Nem tanto.