Não, Sócrates não blogou…

Na semana passada, a propósito da página especialmente criada pelo governo para apresentar a sua visão da visita do primeiro-ministro à China e perante a inédita (em Portugal) disponibilização de um blog nesse mesmo espaço, perguntámos aqui: Vai Sócrates blogar?

Terminada a visita, o espaço regista duas únicas entradas – assinadas por Rolando Borges Martins e Carlos Zorrinho –  ambas com data de 30 de Janeiro mas só disponibilizadas aos leitores no dia 2 deste mês.
As duas distanciam-se de forma indescritível do registo que poderia esperar-se (discurso franco, personalização, informalidade) e, pelo tom – “A visita do Primeiro-Ministro à China tem constituído um relevante êxito político e económico” – fazem mais lembrar um press release escrito por alguém muito voluntarioso mas muito pouco experiente.

As impressões de viagem do próprio José Sócrates ficam, adivinha-se, para outra oportunidade.

Mas, em assim sendo, para que se criou o espaço?

Quem pensou tal estratégia?

E com que objectivos?

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Entre Gutenberg e o digital

Jornalismo contemporâneo – os media entre a era Gutenberg e o paradigma digital” é o título de um livro do jornalista Joaquim Vieira, que hoje é apresentado em Lisboa. O evento terá lugar no Café Nicola, no Rossio, às 21 horas, cabendo a apresentação a Vanda de Sousa, Directora do Departamento de Ciencias da Comunicaçao da Universidade Independente. A editora é a Edline.

Mário Mesquita deixa o ‘Público’ e José Manuel Fernandes comenta

Mário Mesquita (MM) anuncia o fim da sua coluna no Público dos domingos, onde se mantinha desde 1998 (já fizera parte da equipa de colunistas, mas nos primeiros anos de vida do jornal).

Acho bem que as equipas de colunistas se refresquem, que se dê lugar a novas caras, novas perspectivas, novas linguagens. Mas neste caso,as versões de um lado e de outro têm ‘nuances’ que vale a pena considerar.

Escreve Mário Mesquita:

“O director deste jornal, José Manuel Fernandes, manifestou-me esta semana as suas dúvidas acerca da compatibilidade entre as funções de membro do Conselho Executivo da Fundação Luso-Americana, que vou assumir em breve, e a condição de colunista do PÚBLICO. Do meu ponto de vista, não me parece haver qualquer incompatibilidade no plano ético ou jurídico. Existem, felizmente, nos jornais portugueses, colunistas que desempenham funções políticas, partidárias, religiosas, associativas, empresariais e outras, o que só contribui – presumo – para assegurar o pluralismo e a diversidade no espaço público. O próprio Presidente do Conselho Executivo da FLAD é colunista regular do Diário de Notícias. Permiti-me mesmo ironizar, dizendo qualquer coisa como isto: “Por acaso, até me parece que V. é mais pró-americano do que eu…”. José Manuel Fernandes comunicou-me que tencionava consultar o Conselho de Redacção sobre o assunto. Não sei se já teve ocasião de o fazer. Em todo o caso, após alguma meditação, decidi solicitar, desde já, a rescisão do contrato que me liga ao PÚBLICO até Dezembro do corrente ano. Não por considerar que exista incompatibilidade ou conflito de interesses, mas por deduzir que o director do PÚBLICO considera inconveniente a minha colaboração no jornal. E isso é quanto me basta: não gostaria de continuar a escrever num jornal onde a minha presença não é desejada”.

Solicitei a José Manuel Fernandes um comentário a esta declaração. Eis a resposta:

“O parecer do CR foi positivo.
O ponto central é a margem de liberdade do colunista, ponto onde MM reconheceu que haveria áreas sobre as quais não escreveria. Também se colocava a questão da periocidade e do pagamento por coluna, pois MM era um dos dois colunistas com contrato escrito e o terceiro mais caro. Nesse quadro coloquei-lhe o problema, ouvi a sua intenção de querer continuar a escrever, informei-o que teria reunião com o CR e disse-lhe que os colunistas com ligações partidárias tb sairiam (PRangel, Queiró, Teixeira Lopes, Vitor Dias). Não era o caso dele, mas de uma ligação institucional que, como ele reconheceu, o limitaria. Esperava ter podido falar com ele antes da despedida, dia 11, mas ontem estive incontactável e hoje fui surpreendido pelo teor do seu texto.”

Actualização:

Gabriel Silva pergunta, no Blasfémias:

“(…) Que [José Manuel Fernandes] seja livre de escolher os colunistas que entender e de os dispensar quando achar por bem, estar-se-á obviamente de acordo. Mas socorrer-se daquele tipo de «pretexto»? Como é «incompatibilidade»? Pode explicar melhor?”