Infotainment desportivo?

Olhar para as primeiras páginas dos principais diários pagos é, hoje, um exercício curioso.
Os jornais de informação generalista escolhem todos chamar, com grande destaque, ao rosto do jornal a ida de Pinto da Costa à Polícia Judiciária (dois deles – o Correio da Manhã e o Diário de Notícias – chegam mesmo ao ponto de ter escolhido as mesmas palavras para título).
O tema tem indubitável apelo jornalístico porque convoca para um só momento universos distintos como a gestão desportiva, o combate à corrupção, a aplicação da justiça ou até mesmo a exposição pública de recantos da intimidade de personalidades com visibilidade social.

Os diários desportivos também escolhem todos um mesmo tema para as capas de hoje – a anunciada chegada de mais um ‘craque’ para o Benfica.
O outro tema –  cujo ponto de partida é a actividade desportiva e que, como se disse, recolheu unanimidade entre os diários generalistas – tem direito a chamadas secundárias no O Jogo e no Record mas não encontrou espaço no A Bola.
Serão indesmentíveis os méritos do tal do David Luiz. Aceito.
Pode até vir a ser um Ronaldão! Muito bem.
Mas, se pensarmos nos diários desportivos como espaços jornalísticos, será fácil explicar as opções assumidas?
E se, porventura,  o que explica as opções são critérios que ultrapassam a esfera do jornalismo, não seria mais sensato redefinir o seu estatuto?

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2 thoughts on “Infotainment desportivo?

  1. Absolutamente de acordo. É uma pena que os jornais desportivos não queiram sequer debater o que os faz correr. E, no entanto, parece que são os mais lidos em Portugal… Não será isto um sinal de algo vai mal, muito mal, num dos preceitos da existência de comunicação social livre, que é a formação de uma opinião pública capaz de decidir em democracia? Parece-me a mim que a nossa democracia é o que é muito por causa da nossa opinião pública. O escriba

  2. Mais peculiar se torna quando ainda não existe confirmação oficial da transferência desse tal David Luiz para o Benfica.
    Depois acontece como em muitos outros casos em que não se confirmam as tranferências, e os jornais são apelidados de sensalionalistas e coisas afim.
    Muitas vezes com razão, tenho de confidenciar…

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