LA Times aposta na Internet

O novo editor do Los Angeles Times, James E. O’Shea, quer fundir a redacção da edição impressa com a redacção do site do jornal, e afirma que a mudança será “crucial” para garantir que o jornal se mantém economicamente viável. No discurso que proferiu há uns dias perante a equipa editorial, O’Shea apresentou os resultados de um estudo elaborado a nível interno com o objectivo de preparar a fusão, potenciando não apenas o número de leitores online como também de leitores em papel. Sem papas na língua, o editor afirma que o LA Times está a ficar para trás, no que respeita ao jornalismo na Internet, e apela aos restantes editores, jornalistas e fotógrafos no sentido de fazerem um esforço para dominar as tecnologias digitais, aplicando-as ao seu trabalho:

Latimes.com will become our primary vehicle for breaking news 24 hours a day. Reporters now enter the newsroom and tell editors what kind of a story they will write for the newspaper the next day.
Then — we tend to think what can we do for the Internet, as if it were some kind of journalistic orphan.
That kind of thinking must change if we want to remain competitive.
We need to enter the newsroom and think about how we are going to break news on the Internet.
And then what we are going to do that will be different for the newspaper, which will become an even stronger vehicle for tightly-written context, analysis, interpretation and expertise.
(…) The newspaper is the edited medium, the place where we make choices about what is crucial to a story and what is not, where we use our sources and expertise to make editorial decisions that save our readers time, that capitalize on our journalistic experience and expertise to help people negotiate a tricky and confusing world, where we focus on the personalities behind the news and where we exercise literary and journalistic discipline to tell people what we think they need to know and not necessarily everything that we as journalists know about a subject.

Publicidade: revistas tiveram ano fraco nos EUA

O site Journalism.org publicou há dias um balanço do que foi 2006 para o segmento de revistas de informação geral nos EUA, no que diz respeito às vendas de espaço publicitário, e o resultado não é muito animador.

Overall, the broader trends in the industry appear to be a cause for concern. Time’s ad pages are down in the territory they were in early 1990s. U.S News’s ad pages are below where they were throughout the 1990’s. Newsweek’s are down to where they were in late 2001, after the 9/11 attacks.

Quanto ao tipo de anunciantes, a indústria farmacêutica e o sector de vendas a retalho foram os mais activos, tendo-se verificado uma quebra no número de anúncios publicados pela indústria automóvel.

Nove mil ou vinte mil?

Uma coisa é a posição que cada um possa ter relativamente à pergunta que é colocada aos portugueses no referendo sobre a despenalização do aborto, no próximo dia 11, e outra, bem diferente, é o rigor que se exige nas notícias acerca das iniciativas relacionadas com esse referendo.

Organizações ligadas ao “não” promoveram ontem uma “caminhada” em Lisboa. Que nos dizem os jornais de hoje acerca da participação nessa iniciativa?

– Segundo dados das autoridades policiais, terão participado entre oito a nove mil pessoas;

– De acordo com os promotores, esse número situar-se-ia em mais do dobro: à roda de 20 mil.

– Sendo dados tão díspares, apenas o Correio da Manhã e o Diário de Notícias nos disponibilizam os cálculos de ambas as fontes; ou seja o Público e o Jornal de Notícias apenas nos dão os dados da polícia (o JN escolhe o assunto para título da peça: Oito mil pessoas marcharam pelo ‘não’ em várias artérias de Lisboa“)

– O Correio da Manhã é o que transmite mais “calor” na reportagem do acontecido, a começar desde logo pelo lead (“milhares de pessoas (…) que durante duas horas e meia não se cansaram de entoar canções e fazer rimas ‘a favor da vida'”. O DN não deixa de passar a mensagem de que os dados da polícia sobre o número de manifestantes são mais credíveis do que os dos promotores (“foram milhares – oito a nove mil pelas contas da polícia, embora a organização tenha apontado 20 mil”).

– Quantos participantes teve a manifestação? Será que os organizadores puxaram os números para cima? Será correcto, como por vezes se ouve, que a verdade dos dados estará algures no meio? Mas: a polícia teria alguma razão especial para calcular por baixo? E não seria viável um cálculo, ainda que por alto, que nos desse a ideia de que a realidade dos factos se aproximava mais dos números policiais ou, pelo contrário, dos dos promotores?

– Em resumo: uma manifestação com oito ou nove mil pessoas é bastante diferente de uma com 20 mil, nos tempos que correm. E aí também se apreende o significado do evento. Dando-nos duas cifras completamente disparatadas ou fornecendo-nos apenas uma versão dos números, será que ficamos informados do que se passou?