Prós e Contras – razão e coração

O programa ‘Prós e Contras’ de ontem à noite, na RTP1, terá sido um dos melhores de sempre.
A brutal actualidade do tema – o caso da criança no centro de uma disputa de paternidade que já levou uma pessoa a ser condenada a seis anos de prisão efectiva – reforçou a posição ímpar daquele espaço enquanto lugar de discussão pública dos assuntos que, no dia a dia, vão preocupando a maioria dos portugueses. É, nesse sentido (e mesmo tomando em conta os programas em que a produção parece dar o flanco às críticas de submissão à agenda da classe política), um formato plenamente enquadrado numa estratégia de serviço público de televisão conjugando conteúdo de qualidade com sucesso de audiências.
A escolha dos convidados – quase todos profissionais ligados a processos de adopção – deixou na maioria dos telespectadores que optaram por roubar horas ao sono uma noção (para alguns, pela primeira vez) da complexidade deste processo em particular mas, sobretudo, do que pode acontecer a uma criança quando os adultos em seu redor falham e o Estado que tem por obrigação protegê-la não é sensato.
Uma nota adicional para referir a qualidade da intervenção do Miguel Gaspar. Sereno e acutilante enquanto tentava explicar a um juíz que a razão não é objecto de propriedade (de indivíduos ou de classes profissionais) e que uma democracia precisa do questionamento permanente (também) para que a aplicação da lei possa, em todos os momentos, estar mais próxima de cumprir o seu fim – a justiça.

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