Ainda o ‘Público’ e o plágio

Duas notas breves a propósito do desfecho do caso que envolveu o Provedor do Leitor do Público e uma sua jornalista (acusação de plágio):

1) Este é um bom exemplo de como, apesar de ter poderes bem delimitados, um Provedor do Leitor pode ser não só útil, mas também eficaz, desde que os responsáveis editoriais não deixem “cair em saco roto” as recomendações que ele faz. Mais: que aproveitem o seu trabalho (como prometeu agora a Direcção do Público) para actualizar e aprofundar as normas de conduta internas, com isso diminuindo as possibilidades de erros futuros. É isto a auto-regulação.

2) Este é também um bom exemplo de como a eficácia dos mecanismos de auto-regulação não depende obrigatoriamente da aplicação de sanções materiais. Uma sanção moral — como a que foi aplicada neste caso e como as que são habitualmente usadas no terreno das infracções deontológicas — parece suficiente, e suficientemente penalizadora para a jornalista em causa. A reprovação pública de um determinado comportamento profissional, feita pelos pares,  é uma sanção bem pesada para quantos vivem sobretudo da credibilidade que o seu nome tem junto dos leitores. Pudéssemos nós ver também estas reprovações públicas em determinadas corporações profissionais muito ciosas da sua deontologia (mas que preferem julgar os casos e aplicar eventuais sanções no mais rigoroso segredo…) e talvez a auto-regulação ganhasse a credibilidade e o destaque que ainda lhe vão faltando.

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