jump to navigation

Os idosos ligam a TV. E a TV liga aos idosos? Julho 12, 2008

Posted by Manuel Pinto in Cidadania, Televisão, Weblogs.
add a comment

Os portugueses com idade acima dos 64 anos viram, em média, cinco horas e meia diárias de televisão, segundo os resultados da Marktest Audimetria/MediaMonitor, acabados de divulgar.
Um volume de consumo desta dimensão deveria fazer tremer o país. Com as crianças (cujos consumos estão longe destes valores) preocupamo-nos com o tempo e o impacte da TV. Mas com os mais velhos actuamos como se já nada houvesse a esperar, como se não fosse dramático que centenas de milhares vegetem a olhar para o ecrã, sem oportunidades para o que se chama propriamente vida, abandonados a si mesmos, sedados por esse moinho de imagens que entretém e distrai.
O quadro não está a ficar mais risonho, com o passar do tempo. Pelo contrário: o consumo médio de televisão entre os idosos cresceu mais de meia hora diária, nos últimos cinco anos, de acordo com a mesma Marktest.
A divulgação de um dado deste calibre deveria inquietar e mobilizar. Nomeadamente os próprios media e, em especial, as televisões. Só que esta gente não tem pedigree na bolsa de valores televisiva. Vota mas compra pouco, porque pouco pode comprar. Conta para o bolo do rating e do share, mas não merece uns programas regulares que lhe dê voz e vez.
Uma resposta ainda que indirecta a este problema acaba de ser dada pelo diário The New York Times. O jornal criou há dias no seu site o The New Old Age, um novo blogue - o 60º ! - que se propõe debater o grave problema das gerações adultas que se deparam com os cuidados a proporcionar aos pais idosos que vivem cada vez mais tempo e cada vez mais dependentes. É um pequeno gesto.

RTP para ‘maiores’ Junho 28, 2008

Posted by Manuel Pinto in Audiência, Televisão.
add a comment

” (…) Segundo informação da Audimetria Marktest, até 25 de Junho, a RTP1 perdeu, em relação ao período de Janeiro a Junho de 2007, quase o dobro de share entre os jovens dos 15-24 anos (15,6%) do que a perda média em todos os grupos etários (8,7%).  (…) só acima dos 55 anos a RTP1 tem mais audiência do que a SIC ou a TVI(…)”.

Eduardo Cintra Torres, in Público, 28.6.2008

À consideração da RTP… Maio 26, 2008

Posted by Manuel Pinto in Jornalismo, Televisão.
add a comment

… o comentário intitulado “O drama de Pacheco Pereira, Nuno Brederode … e dos telespectadores da RTP“, colocado num sítio improvável e, por conseguinte, susceptível de passar despercebido.

O ‘directo’ : “incentivo à preguiça” Maio 4, 2008

Posted by Manuel Pinto in Ipsis verbis, Jornalismo, Televisão.
4 comments
” (…) Os serviços de notícias dos três canais ditos ‘generalistas’, sem excepção, são cada vez mais divertimento e espectáculo e cada vez menos informação. Desapareceram os comentários inteligentes e informados. Foram-se os especialistas que podem ajudar a compreender. Acabou o recurso a documentação e arquivo que permita colocar os factos em contexto e percebê-los melhor. A explicação serena e fundamentada foi abolida. (…) O ‘directo’ é o maior incentivo à preguiça que se conhece. Dispensa trabalho e reflexão. Não precisa de inteligência ou estudo. É o que existe de melhor como veículo de emoções, até de histerismo. É finalmente o factor de mutação da notícia em espectáculo. É a autorização para não pensar nem investigar. É a troca deliberada, feita pelos editores e pelos jornalistas, de reflexão, do estudo, da investigação e da edição, todo este trabalho que deveriam ser os pergaminhos do jornalismo, pela aparência do imediato, do espectáculo, da concorrência entre canais e do despacho. É o reino das emoções em directo, o contrário mesmo do que deveria ser o bom jornalismo. O ‘directo’ não é a causa primeira, mas é o instrumento de degradação da televisão. É, sobretudo, a destruição da informação e da inteligência.(…)”

António Barreto, A arte da irrelevância, Público, 4.5.2008

Um programa ‘en construcción’ permanente Abril 25, 2008

Posted by Madalena Oliveira in Internet, Participação, Televisão.
add a comment

Estreia na próxima segunda-feira na TVE (Espanha), um programa, senão absolutamente original, pelo menos irreverente no formato. ‘En construcción’ é, diz-se, «um programa que os utilizadores constroem». Especialmente dirigido ao público juvenil (entre os 11 e os 16 anos), o programa pretende potenciar os novos media (como a Internet), com o objectivo central de interagir com os espectadores.

A ideia é tomar os telespectadores como parte activa, que possa sugerir conteúdos. ‘En construcción’ basear-se-á, por isso, sobretudo na Internet. O próprio casting para a selecção dos apresentadores foi feito através do ‘You Tube’, depois de um apelo aos jovens para que disponibilizassem na plataforma os seus próprios vídeos de apresentação que também foram votados na web pelos futuros espectadores.

O programa está a ser desenhado em colaboração com sete universidades espanholas (nomeadamente com o Laboratório de Programas Infantis e Juvenis da Universidade Autónoma de Barcelona). 

Bom senso…e sensibilidade Abril 22, 2008

Posted by Luis Santos in Jornalismo, Televisão, Ética.
add a comment

Assunto: declarações de Marcelo Rebelo de Sousa à RTP sobre a crise no seu partido.
Espaço: Jornal da Noite, na SIC.
Tempo: Passava pouco das 20h10 de ontem…altura em que finalmente alguém resolveu abandonar um directo com o presidente de um clube de futebol que disse que foi dizer umas coisas a um sítio e que aconselhou todos os que lhe dizem coisas todos os dias a seguirem o mesmo caminho…ir ao tal sítio, dizer as tal coisas (…desnecessário comentar).

É uma prática quase institucionalizada - para uma ou outra notícias é necessário recorrer a imagens de um canal da concorrência. Segue o pedido, chegam as imagens, agradece-se e, depois, faz-se tudo para diluír ao máximo a indicação de proveniência.
Há mesmo quem, nas redacções, me tenha dito que a situação ’só se resolve’ chegando o logo da empresa proprietária das imagens mais para o centro.
Mas não poderia resolver-se de outra maneira?
Os acordos de auto-regulação que, em momentos de maior aperto por parte das entidades reguladoras, os operadores nacionais tendem a querer fazer não podiam estabelecer regras claras?
A entidade reguladora andará atenta?
Bem sei que pode facilmente dizer-se que é uma questão menor; uma questão gráfica, ou de estilo.
Mas não é.
É uma questão de educação.
E os telespectadores lá passam alguns segundos a tentar perceber que letras são aquelas por debaixo das letras da estação emissora.

Nota: O exemplo é da SIC, mas é isso mesmo - um exemplo. RTP e TVI adoptam procedimento semelhante.

De espectadores a participantes: uma reflexao sobre cidadania Abril 16, 2008

Posted by Madalena Oliveira in Cidadania, Jornalismo, Participação, Televisão.
1 comment so far

Discutir o modo como os cidadaos se envolvem no discurso mediático e como o transformam é o objectivo do seminário que o Gabinete Comunicación y Educación da Faculdade de Ciências da Comunicaçao da Universidade Autónoma de Barcelona promove amanha. Num formato que pretende proporcionar sobretudo a discussao e o debate, este seminário - que é apenas o primeiro de uma série de actividades - reúne investigadores e profissionais dos meios de comunicaçao em torno da seguinte agenda de trabalhos:

  • Assinalar, descrever e explorar as novas formas de participaçao dos cidadaos nos media;
  • Ajudar a diagnosticar, lançar hipóteses e interpretar o fenómeno nas suas variáveis;
  • Indicar temas, linhas e tarefas de investigaçao que possam ajudar a conhecer o fenómeno que se estuda;
  • Estabelecer uma agenda de trabalho sobre a matéria.

O propósito é abrir um programa de investigaçao sobre o novo modo de participaçao dos cidadaos no discurso dos media e as suas consequências - estruturais, políticas, económicas, semióticas e culturais.

[Declaraçao de interesses: Participo com Sara Pereira neste seminário. O nosso contributo está já disponível no blogue do seminário.
Declaraçao de contrariedade!: os teclados espanhóis só têm til para consoantes!]

Nau - nova revista para o audiovisual Abril 12, 2008

Posted by Manuel Pinto in Publicações, Televisão.
add a comment

“Aqui e Agora”… finalmente! Março 31, 2008

Posted by Felisbela Lopes in Televisão.
add a comment

Quase não nos lembramos de “Hora Extra, o programa de debate conduzido pela jornalista Conceição Lino que a SIC criou em Janeiro de 2002 e que atirou para horas tardias. Depois disso, este género televisivo desapareceu da estação generalista privada. Agora, e talvez muito por acção da Entidade Reguladora da Comunicação Social, a SIC anuncia a criação de um outro debate: “Aqui e Agora”, cuja estreia está marcada para 17 de Abril. Segundo o “Jornal de Notícias”, este formato contará com um painel fixo de comentadores: o criminalista e presidente da Câmara de Santarém Moita Flores, o jurista e ex-bastonário das Ordem dos Advogados Rogério Alves e o psiquiatrae José Gameiro. Será que o estúdio vai manter-se fechado a outros convidados? Não me parece bem para um debate que se pretende vivo, mas diversificado. O propósito será, segundo se noticia hoje, ser um suplemento às notícas do dia. Indo para o ar à 5ª feira, este programa irá rivalizar com “Grande Entrevista”, da RTP1 (a TVI continua sem este tipo de programação). Trata-se, é certo, de géneros diferentes, mas o passado recente demonstrou que este tipo de coabitação pode influenciar temas e convidados. Vamos ver…

Em diálogo de qualquer lugar que seja notícia Março 20, 2008

Posted by Felisbela Lopes in Televisão, Weblogs.
add a comment

 Em http://cheiroapolvora.blogs.sapo.pt/, o jornalista da RTP Luís Castro não abre espaço apenas aos seus trabalhos, emitidos na televisão pública, a partir do Iraque. Deixa as impressões que a reportagem no terreno lhe provoca e, acima de tudo, dialoga com quem passa neste blogue e deixa ficar lá alguns comentários. Uma forma de estabelecer o diálogo que a TV (ainda) não proporciona.

Reflexões Março 20, 2008

Posted by Madalena Oliveira in Leitura, Televisão.
1 comment so far
«Porque é que a TV foi essa “caixinha que revolucionou o mundo”? Faço a pergunta e as respostas vêm em turbilhão. Fez de tudo um espectáculo, fez do longe o mais perto, promoveu o analfabetismo e o atraso mental. De um modo geral, desnaturou o homem. E sobretudo miniaturizou-o, fazendo de tudo um pormenor, misturado ao quotidiano doméstico. Porque mesmo um filme ou peça de teatro ou até um espectáculo desportivo perdem a grandeza e metafísica de um largo espaço de uma comunidade humana. (…) Mas a TV é algo de minúsculo e trivial como o sofá donde a presenciamos. Diremos assim e em resumo que a TV é um instrumento redutor. Porque tudo o que passa por lá chega até nós diminuído e desvalorizado no que lhe é essencial. E a maior razão disso não está nas reduzidas dimensões do ecrã, mas no facto de a “caixa revolucionadora” ser um objecto entre os objectos de uma sala. Mas por sobre todos os males que nos infligiu, ergue-se o da promoção do analfabetismo. (…) A TV dispensa tudo. (…) … na TV dá-se tudo de uma vez sem nós termos de trabalhar. Mas cada nossa faculdade, posta em desuso, chega ao desuso maior que é deixar de existir.»

Vergílio Ferreira, Escrever, pp. 23-24

Como os telespectadores interagem com o Provedor Março 19, 2008

Posted by Madalena Oliveira in Cidadania, Televisão.
add a comment

Não está ainda disponível no site da RTP, mas já foi divulgado à imprensa o Relatório do Provedor dos Telespectadores relativo ao ano 2007. Algumas notas interessantes que ressaltam das notícias do DN e do Público:

  • mais de 16 mil mensagens dirigidas ao Provedor (250 das quais relativas a queixas e críticas desfavoráveis sobre a objectividade e exactidão da RTP);
  • 70% das mensagens foram enviadas por homens;
  • mais de 2/3 são mensagens relativas à RTP1
  • mais interpelações associadas à informação do que à programação;
  • principais queixas: parcialidade na informação; incorrecções ou exageros nos directos; falta de pluralidade na escolha de convidados; futebol em demasia
  • “Prós e Contras” é o programa mais visado nas considerações dos telespectadores;
  • relativamente à programação, os telespectadores queixam-se de alterações na grelha, horários tardios e interrupção da emissão de séries e novelas;
  • programação da RTPi tem sido alvo de críticas altamente negativas;

Será isto sinal de um balanço positivo da actividade do Provedor?

A TVI, a SIC e as recomendações da ERC Março 7, 2008

Posted by Felisbela Lopes in Regulação, Televisão.
add a comment

Os canais generalistas privados têm hoje uma programação nocturna essencialmente de entretenimento. O que, de certa forma, não vai ao encontro da Lei de Televisão e, sobretudo, de duas deliberações da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC): uma de Junho de 2006 e outra de Dezembro de 2007. Esses documentos falam de um horário nobre com oferta televisiva diversificada onde se deveriam integrar programas de debate e de entrevista autónomos dos noticiários das 20h00. Até agora, essas recomendações estão por cumprir.

Apesar de (ainda) longe do que estipula a entidade reguladora, os canais generalistas privados terão de alterar, a curto prazo, a oferta televisiva em horário nobre. As deliberações da ERC (1-L/2006, de 20 de Junho; e 2/Lic-TV/2007, de 20 de Dezembro) impedem-nos de programar, diariamente, apenas ficção após o noticiário das 20h00 e até bem perto da meia-noite. É claro que SIC e TVI poderão colocar em antena uma informação-espectáculo, impulsionadora do “voyeurismo” e não muito distante das “novelas da vida real” que até então inundaram as grelhas. É claro que a SIC e a TVI poderão encher os “plateaux” informativos com uma confraria de convidados que se tem perpetuado no poder (sobretudo político) na exacta medida em que garante lugar cativo nos estúdios de televisão (e vice-versa). Não será isso, talvez, que mais agradará aos jornalistas dos canais de TV, nem será isso que mais favorecerá o espaço público por onde todos nós andamos. Como o passado recente comprovou, informação de interesse público poderá não ser sinónimo de audiências residuais. Beneficiaríamos todos com projectos de qualidade informativa. Nos diferentes géneros de informação televisiva.

Ler texto completo no Blogue de Apoio.

Desistir da surpresa Março 4, 2008

Posted by Luis Santos in Futuro, Imprensa, Internet, Jornalismo, Participação, Sociedade, Televisão, Weblogs.
add a comment

Numa recente entrevista ao Jornal de Notícias o ‘Sr. Acontece’, Carlos Pinto Coelho, diz o seguinte:

Não me interessa perder o meu tempo, que é cada vez mais curto. Tenho tantos livros para ler, tantos países para viajar, tantas fotografias para tirar, tantas páginas para escrever e tantas para ler, e as da blogosfera, na sua esmagadora maioria, são desinteressantes e nada enriquecedoras. Da blogosfera - tirando o “Abrupto”, que me interessa - vou sobretudo aos blogues dos meus colegas jornalistas, porque procuro encontrar ali aquilo que eles, por uma razão ou por outra, não puderam ou não quiseram publicar nos seus próprios media.

O surpreendente nesta declaração não é Carlos Pinto Coelho, um profissional que cresci a admirar, dizer-nos que lê sobretudo quem já conhece (imagino que, até certo ponto, isso acontecerá com todos nós - é, para o bem e para o mal, o humano ‘conforto das grandes certezas’ que tão habilmente usava o Sebastião de Santa Comba).
O surpreendente é Carlos Pinto Coelho dizer que já lhe chega o que conhece.
O surpreendente é Carlos Pinto Coelho ter - aparentemente - desistido da busca da surpresa.
Não sei se é inevitável que assim aconteça.

PS: O formato ‘Farpas’ - entrevista curta, com ritmo quase radiofónico - só funciona bem quando é bem preparado. É o que acontece com o trabalho da Helena Teixeira da Silva.

RTP sem publicidade, Menezes dixit Fevereiro 28, 2008

Posted by Manuel Pinto in Política, Televisão.
3 comments

A proposta feita por Luís Filipe Menezes de acabar com a publicidade na RTP foi considerada “errática” e “avulsa” e deparou com a crítica de praticamente toda a gente que sobre o assunto se pronunciou.  Entendo que o assunto merece ser discutido e não é razoável blindar o debate em torno da RTP e do seu modelo de financiamento, com o argumento de que foi subscrito há uns anos um contrato que encerra o assunto até quase ao final da próxima década. Aí concordo com José Manuel Fernandes quando faz notar (cf editorial do Público de hoje) que o panorama do audiovisual se vai alterar substancialmente nos próximos anos, com a entrada em cena da televisão digital terrestre e de mais um operador generalista.

Mas, dito isto, é preciso sublinhar o seguinte:

1. Aquilo que é errático não é apenas a posição do actual líder dos sociais-democratas, é a posição do próprio PSD que, nos últimos dez anos, defendeu (intermitentemente) a privatização da RTP, a privatizaçção de um dos canais públicos; a alienação de um dos canais à sociedade civil; e, agora, a estatização do operador público, subjugado pelo orçamento do Estado.

2.  É grave e preocupante que um dossier delicado como é este da RTP seja utilizado como matéria do jogo político, com o risco de a solução agora preconizada para o serviço público poder vir a comportar um agravamento substancial das contribuição dos cidadãos. Uma tal proposta significa, por outro lado, o enveredar por um caminho de ruptura com uma solução considerada equilibrada e bem sucedida, empreendida por um governo do próprio PSD. Deste ponto de vista a proposta é um verdadeiro tiro no pé.

3. Finalmente é de mau agoiro que o líder do maior partido da oposição coloque um tema (e uma medida de política) desta magnitude na agenda pública sem aparentemente estar escorado em estudos rigorosos, que assegurem que o cenário de uma RTP financiada apenas pelo orçamento do Estado é mais vantajoso (não apenas do ponto de vista económico-financeiro) do que o modelo que temos actualmente.