A entidade reguladora britânica, OFCOM, acaba de divulgar o lançamento de um livro encomendou ao Reuters Institute for the Study of Journalism (Universidade de Oxford).
“The Price of Plurality:Choice, diversity and broadcasting institutions in the digital age“, editado por Tim Gardam e por David A. L. Levy, pode ser descarregado gratuitamente [.pdf - 935Kb].
Excerto da introdução:
“Plurality is a principle to which it is easy to sign up; however, in any PSB system, there is a price to be paid for it. This leads to hard-edged questions that cannot be pushed aside. They involve decisions as to what level of public intervention, direct or indirect, should fund broadcast content in the digital age; and, once determined, how that money should best be distributed. Framing any policy will involve tough trade offs between plurality and impact in our PSB system, and between broadcasters’ diversity and scale.”
Numa recente entrevista ao Jornal de Notícias o ‘Sr. Acontece’, Carlos Pinto Coelho, diz o seguinte:
Não me interessa perder o meu tempo, que é cada vez mais curto. Tenho tantos livros para ler, tantos países para viajar, tantas fotografias para tirar, tantas páginas para escrever e tantas para ler, e as da blogosfera, na sua esmagadora maioria, são desinteressantes e nada enriquecedoras. Da blogosfera - tirando o “Abrupto”, que me interessa - vou sobretudo aos blogues dos meus colegas jornalistas, porque procuro encontrar ali aquilo que eles, por uma razão ou por outra, não puderam ou não quiseram publicar nos seus próprios media.
O surpreendente nesta declaração não é Carlos Pinto Coelho, um profissional que cresci a admirar, dizer-nos que lê sobretudo quem já conhece (imagino que, até certo ponto, isso acontecerá com todos nós - é, para o bem e para o mal, o humano ‘conforto das grandes certezas’ que tão habilmente usava o Sebastião de Santa Comba).
O surpreendente é Carlos Pinto Coelho dizer que já lhe chega o que conhece.
O surpreendente é Carlos Pinto Coelho ter - aparentemente - desistido da busca da surpresa.
Não sei se é inevitável que assim aconteça.
PS: O formato ‘Farpas’ - entrevista curta, com ritmo quase radiofónico - só funciona bem quando é bem preparado. É o que acontece com o trabalho da Helena Teixeira da Silva.
“Comunicação Intercultural: Perspectivas, Dilemas e Desafios” é o tema da conferência internacional que se realiza na Universidade do Minho, no próximo dia 4 de Abril.
Inserida no âmbito do «Ano Europeu do Diálogo Intercultural», a conferência reunirá um conjunto de investigadores de diversas ciências sociais e humanas, com o objectivo de “debater ideias e pontos de vista sobre os desafios inerentes à complexa e multifacetada
realidade da comunicação entre culturas nos dias de hoje”.
A iniciativa conta com intervenções de Darío Páez, Faculdade de Psicologia da Universidad del Pais Vasco; Sheila Khan, Manchester University; Rosa Cabecinhas e Nesilita Nhaga, Departamento de Ciências da Comunicação, Universidade do Minho; Pedro Bacelar de Vasconcelos, Departamento de Ciências Jurídicas Públicas, Universidade do Minho; Isabel Estrada Carvalhais, Secção de Ciência Política e Relações Internacionais, Universidade do Minho; Maria Manuel Baptista, Centro de Línguas e Culturas, Universidade de Aveiro; Maria Paula Menezes, Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra; Ramon Sarró, Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa; Luís Cunha, Secção de Antropologia, Universidade do Minho; Joana Miranda, Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais, Universidade Aberta; José Coelho Sobrinho, Escola de Comunicação e Artes, Universidade de São Paulo; Joseph Straubhaar, University of Texas at Austin. Prevê-se a participação na sessão de encerramento de Rosário Farmhouse, a recém-empossada Alta Comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural.
Trata-se de uma iniciativa conjunta do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS) e do Núcleo de Estudos em Antropologia (NEA) do Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho, sendo a entrada é livre.
“O pessimismo nacional é de facto arrasador, contamina tudo e todos, esmaga a esperança e tritura qualquer coisa que tenha contornos de ser reanimador. Este pessimismo assume mesmo contornos de epidemia. Nos dias que correm, com excepção de Sócrates, não aparece ninguém para ‘animar a malta’. É tudo uma desgraça. Na boca dos políticos, dos jornalistas, dos especialistas, dos ‘opinion makers’, dos observadores. Na sociedade portuguesa não parece haver alguém disposto a falar a sério, isto é, a separar as coisas boas que se faz no País das coisas más, a reconhecer, por exemplo, que o Governo tomou uma, só uma, medida acertada sobre o quer que seja. Não há pessoas sérias, não há governantes bons, não há gestores capazes. É tudo mau. A Educação é má, a Saúde é péssima, as Finanças são um desastre, a Justiça não tem solução. O primeiro-ministro é mau, o PR é escorregadio, a Câmara de Lisboa é incompetente, os jornalistas são amaldiçoados, os gestores são corruptos, os ricos são egoístas, os pobres, até os pobres, actuam com muitas artimanhas. E o País é o que se vê. Se melhorou o défice nos últimos três anos vai de certeza piorar nos próximos meses. Se o crescimento económico subiu uma décima em 2007 foi de certeza por engano, porque agora as décimas e as centésimas vão ser todas comidas pela crise avassaladora que chegará ao País”.
Da autoria de Paulo Nuno Vicente, jornalista da Antena 1, um novo blog que se se propõe debater o tema do exercício da profissão em ambientes hostis.
Diz-se, no post de lançamento:
Os últimos anos, ainda que nem sempre pelos melhores motivos, têm vindo a despertar a consciência das redacções portuguesas para a necessidade de formar jornalistas para a reportagem em ambiente hostil.
Os cursos, habitualmente em parceria com as Forças Armadas Portuguesas, mas também de iniciativa privada, serão sempre tão atempados quanto escassos: basta perguntar quantas redacções têm em permanência o equipamento ajustado a este tipo de reportagem para percebermos que a falta de preparação é estrutural.
O weblog que hoje nasce quer contribuir para a criação de um espaço de partilha e reflexão em torno do tema. Não apenas o da reportagem de guerra, mas o da reportagem em ambiente hostil: seja o acompanhamento de actividades de uma força de segurança, uma sessão de tribunal mais quente, um derby num estádio com ânimos incendiados, etc.
Estaremos tanto mais seguros quanto o que soubermos partilhar.
No momento em que escrevo esta nota (20h0 são já 172.635 as assinaturas numa petição online que pede a remoção de conhecidas imagens históricas de Maomé do texto sobre o fundador do Islão na Wikipédia.
“I request all brothers and sisters to sign this petitions so we can tell Wikipedia to respect the religion and remove the illustrations“, diz-se no texto da petição.
Os responsáveis da Wikipédia respondem, num espaço especialmente criado para esclarecer dúvidas sobre o assunto:
“Wikipedia is an encyclopedia that strives to represent all topics from a neutral point of view, and therefore Wikipedia is not censored for the benefit of any particular group. So long as they are relevant to the article and do not violate any of Wikipedia’s existing policies, nor the law of the U.S. state of Florida, where most of Wikipedia’s servers are hosted, no content or images will be removed from Wikipedia because people find them objectionable or offensive“.
A informação (que recolhi no Indústrias Culturais) aparece numa notícia da Meios & Publicidade e cita o director do jornal, José Manuel Fernandes, como tendo dito que o espaço vai ter um novo enquadramento e “não será só para jornalistas”.
O jornal vai fazer ainda outras mudanças - como data de início marcada para o dia 5 de Março (18º aniversário) - acabando o caderno digital (cuja área de interesse passará, ao que parece, a ser dividida entre um “Fugas” mais completo e o tal retomado espaço de ‘Media’)
(O reaparecimento do espaço ‘Media’) É um passo atrás…no bom sentido.
The digital divide between rich and poor countries is narrowing as mobile phones and Internet use become more available, but the developing world still lags far behind, a United Nations report said on Wednesday.
The “digital divide” between rich and poor countries is growing with developing countries still far behind in the use of broadband internet, the UN trade and development agency has warned.
“When communication loses its ethical underpinning and eludes society’s control, it ends up no longer taking into account the centrality and inviolable dignity of the human person”
(…)
“For this reason it is essential that social communications should assiduously defend the person and fully respect human dignity. Many people now think there is a need, in this sphere, for ‘info-ethics’, just as we have bioethics in the field of medicine and in scientific research linked to life”
Excertos da mensagem do Papa Bento XVI para o Dia Mundial das Comunicações, que a Igreja Católica assinala a 4 de Maio.
Mensagem completa(em inglês) aqui.
ACT: Mensagem completa em português aqui.
A mostra da Consumer Electronics Association (CEA) deste ano abriu, uma vez mais, com o tradicional discurso de Bill Gates.
Mas desta vez foi o último, enquanto presidente da Microsoft.
À semelhança de anos anteriores, Bill fez-se acompanhar de um video.
Este é sobre ele próprio e conta com a ajuda de inúmeros amigos famosos…
Em “Documentos para uma década triste” (”que até podia ser pior”), José Pacheco Pereira (JPP) carreia uma boa dose de elementos para caracterizar o “espírito do tempo” de uma época, aquela de que temos sido testemunhas (e, em graus diversos, actores), nos últimos dez anos. Vem no “Público” de hoje, com acesso apenas a quem paga.
Chama, de novo (sem que aparentemente, ninguém lhe ligue), a atenção para a necessidade de preservar a diversidade de formas de enunciação que se exprimem na Internet (no YouTube, na blogosfera…), sem as quais será um dia dífícil, se não impossível, recuperar e dar vida à memória de um tempo que encontrou outros canais e outras plataformas para se dizer, e que as burocracias vigentes, movidas pela inércia, não valorizaram.
Mas é, sobretudo, na captação dos sinais que fazem o tal “zeitgeist” que JPP se distingue e assume um papel relevante. Com alguma regularidade, proporciona-nos análises em que secundariza aquelas marcas conjunturais e estreitas de outras prosas, para entrar como antropólogo que procura indagar para lá do visível e ligar aquilo que aparece fragmentado. Vozes e registos como este fariam falta se não existissem. Fazem, de resto, cada vez mais falta.
Act.: Colocado o link para o texto em referência, disponibilizado no Abrupto.
De 2004 para cá o número de jovens norte-americanos - com idades compreendidas entre os 12 e os 17 anos - que produzem pelo menos um tipo de conteúdo na net aumentou de 57 por cento para 64 por cento.
Se as raparigas parecem preferir os blogs - cerca de 35 por cento delas ‘blogam’ e só 20 por cento deles o fazem - os rapazes parecem mais inclinados para a disponibilização de video - 19 por cento deles; 10 por cento delas.
Estes dados aparecem no mais recente estudo do Pew Internet & American Life Project, onde se pode ainda ler esta interessante constatação:
The survey found that content creation is not just about sharing creative output; it is also about participating in conversations fueled by that content.
Carlos Zorrinho chama a atenção, no Público, para o problema do fosso que “separa uma minoria que já vive no mundo do pós-conhecimento (economia global baseada no valor do capital intelectual) e a maioria que ficou amarrada ao mundo do pré-conhecimento (economia local baseada na subsistência).”
Partilho da ideia do coordenador nacional da Estratégia de Lisboa e do Plano Tecnológico, segundo o qual “a promoção da inclusão das pessoas na sociedade do conhecimento, a formação generalizada na utilização das tecnologias e o acesso aos computadores não é uma questão meramente tecnológica”, porquanto essa promoção da inclusão “constitui um importante motor de combate às desigualdades e de promoção da igualdade de oportunidades”.
Não estou, no entanto, tão satisfeito como Zorrinho com a forma como, em Portugal, se tem trabalhado para combater esse fosso, que é sócio-económico, mas é também educativo e cultural.
Salienta aquele responsável que “a conjugação da aposta nas qualificações com o desenvolvimento da banda larga e com a promoção do acesso a computadores em rede de professores, estudantes e adultos em requalificação demonstra a aposta clara no combate à fractura digital como o caminho mais eficaz para mudar o perfil competitivo da economia e reforçar a coesão social”. E entende que aí reside “a base de um projecto de sociedade progressista [que] é uma inovação política cada vez mais necessária e na qual Portugal tem sido um dos pioneiros”. Chega a considerar que a política seguida se reveste de uma “textura visionária”.
Não se nega que algo está a ser feito e que é, porventura, importante. Mas começa a não se suportar o tique de auto-satisfação exibicionista (e por vezes balofa) que caracteriza a acção de vários sectores do actual Governo. Um exemplo muito simples: como é possível atribuir tais virtudes e tal espírito visionário à actual política no sector da promoção da sociedade da informação e do conhecimento e não se ver praticamente nada de consistente em torno da “literacia digital”, que é, seguramente, muito mais do que o acesso e a utilização de computador e da Internet? Onde está a formação, os contratos-programa, a investigação, o incentivo às iniciativas dos agentes sócio-culturais, no sentido de capacitar o maior número de pessoas para saber tirar partido, ser crítico e ser activo face à (e na) Internet?
Act. :
“Na televisão, como na sociedade, o risco é o de passar a haver dois mundos: o dos mais endinheirados, que podem aceder ao cabo e à banda larga e suportar o preço da escolha personalizada, e o dos pobres, a quem resta o fluxo reality-show/novelístico das “generalistas”, a água da torneira do entretenimento básico”.
Nuno Artur Silva, in Público,16.12.2007
Blog colectivo do Projecto Mediascópio (CECS - UMinho)