Marcelo Rebelo de Sousa é sempre notícia? Março 17, 2008
Posted by Madalena Oliveira in Jornalismo, Rádio.7 comments
Por força das minhas rotinas, a segunda-feira é um dia da semana em que, por norma, oiço a TSF no período entre as 6h30 e as 8h00. Reparo, por isso, com frequência que à segunda-feira Marcelo Rebelo de Sousa é quase sempre notícia. Não posso constatá-lo senão impressivamente, mas a verdade é que, pelo menos na TSF (hei-de ver o que fazem as outras rádios também!), as escolhas de Marcelo contêm um grande ‘valor-notícia’. Interrogo-me sobre a pertinência desta opção. Por que razão há-de a opinião do ‘Professor’ ser catapultada sempre (muitas vezes, pelo menos) para além dos limites do próprio programa da RTP? Não corre a TSF (e eventualmente outros órgãos) o risco de ser caixa de ressonância de uma linha de opinião que se constrói semanalmente?
Tese de doutoramento sobre webrádio Março 13, 2008
Posted by Manuel Pinto in Internet, Rádio.1 comment so far
Acaba de ser discutida e aprovada na Universidade Federal de Minas Gerais, na cidade de Belo Horizonte, no Brasil, a tese de doutoramento intitulada “Webrádio: novos géneros, novas formas de interação”, da autoria da investigadora Nair Prata.
O assunto merece-nos uma referência não apenas pela novidade do assunto - são ainda escassas as investigações em profundidade sobre o webrádio - mas também porque a autora fez parte do seu trabalho em regime de “doutoramento-sanduíche”, no Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho.
O objetivo desta tese é “conhecer os novos géneros e as novas formas de interacção na webradio. Para se chegar a esse fim, foi realizada pesquisa qualitativa, com corpus delimitado a 30 emissoras de rádio agrupadas em três grandes grupos (hertzianas, hertzianas com presença na internet e webradios). Em cada grupo, foram estudadas as duas categorias de análise desta tese: género e interação. Como parte do estudo da interação nas webradios, foi feito
ainda um levantamento sobre a usabilidade das homepages”.
A pesquisadora concluiu que “os novos géneros da webradio são o chat, o e-mail (mensagem eletrónica), o endereço eletrónico, a enquete e o fórum, nascidos genuinamente em meio digital. Mas também são novos, no suporte internet, os tradicionais géneros radiofónicos hertzianos. Trata-se de formas híbridas, nascidas da complexa tessitura digital da webradio”.
“A webradio - observa Nair Prata - pode ser entendida como uma constelação de géneros que abriga formatos antigos, novos e híbridos”.
[O abstract completo pode ser lido no blog de apoio]
[A autora anuncia que muito em breve o texto da tese vai ficar disponível na web. Cá estaremos para dar notícia].
20 anos de TSF Fevereiro 28, 2008
Posted by Luis Santos in Jornalismo, Rádio.add a comment
A TSF assinala amanhã a passagem de 20 anos sobre a data da sua entrada em funcionamento como rádio legal. Foram duas décadas de altos e baixo mas a rádio que nos prometia ‘ir ao fim da rua e ao fim do mundo’ mudou de forma radical o jornalismo português e o entendimento que dele fazia a sociedade.
Com a TSF (e, numa outra dimensão, com o Independente) o jornalismo nacional foi abanado em finais da década de 80, nos seus ritmos, na postura perante os actores sociais, na sua presença junto das pessoas e das suas causas. A promessa da rádio que foi para a rua, da rádio que - depois do advento da TV - precisou de se reinventar com base na proximidade só começou a cumprir-se em Portugal, de facto, com a explosão das rádios piratas, caldo em que fervilhava já a TSF.
O ‘estilo TSF’ - e isso talvez funcione em desfavor da estação neste momento da sua vida - disseminou-se de tal forma (passando para outras rádios - a Antena 1 é, neste momento, claramente um exemplo - para a televisão e mesmo para as agendas dos jornais) que é quase impossível já distingui-lo. Foram os primeiros tsf’s que o criaram mas popularizou-se e é hoje de todos; à falta de melhor imagem, é uma espécie de software livre do jornalismo nacional.
Esse mérito é deles, dos tsf’s originais e dos tsf’s que, ao longo de duas décadas, deram muito do seu génio e empenho a uma casa que é uma causa - a Rádio.
Muito haveria, talvez, para dizer sobre o que correu mal, o errado, o menos prestigiante…mas só se molha quem anda à chuva e é esse andar à chuva que agora se assinala.
Alguém o faz, tentando, todos os dias, há 20 anos.
“já corremos de mãos dadas
a mais secreta noite do mundo
já subimos ao alto da montanha
sabemos todos os nomes do medo e da alegria
em ti me transcendo
podia morrer nos teus olhos
se nestes dias de cigarras doidas
perderes de vista o meu coração vagabundo
dá-me um sinal
abraçar-nos-emos de novo
antes dos rigorosos frios
de novo o grande sobressalto
o formidável estremecimento dos instantes felizes
podia morrer nos teus olhos amada rádio”Fernando Alves
“Quem tem um rádio…” Janeiro 23, 2008
Posted by Madalena Oliveira in Rádio.2 comments
«Quem tem um rádio não está só. A emissão de rádio é a luz na escuridão que ilumina os nossos pensamentos e torna visíveis os seres amados.»Sinais, Fernando Alves, TSF
“Página Um” - 40 anos! Janeiro 8, 2008
Posted by Manuel Pinto in Rádio.2 comments
Relativamente ao ano de 1968, regista o site “História da Rádio em Portugal” [página "A Rádio em Portugal em Datas"], de Jorge Guimarães Silva, uma efeméride que faz por estes dias quarenta anos:
“Começa a ser transmitido a 2 de Janeiro, pela onda média da “Rádio Renascença”, o programa “Página Um”, realizado e apresentado por José Manuel Nunes e Luís Paixão Martins. Faziam parte da equipa para além dos realizadores: Adelino Gomes, Homero Cardoso, Fernando Santos, Fernando Tenente, Amaral Marques, Maria Emília Correia, Fernando Cascais, Viriato Dias, Joaquim Letria, António Cartaxo e António Borga, os três últimos da BBC, elementos da Voz da América e da Deutche Welle, Rui Pedro, Artur Albarran, Moreno Pinto e José Videira. O programa conciliava a reportagem do quotidiano lisboeta do fait-diver, mas aos poucos, foi-se especializando para abordar as questões políticas e sociais. O governo chegou a suspender a transmissão do programa durante um mês e dez dias. Uma ocasião, o programa organizou um grande espectáculo musical, no Colégio dos Salesianos do Estoril, em que participou o extinto Conjunto 1111 e que começou logo após a hora do almoço e se prolongou até cerca da hora do jantar. Sem qualquer aviso, sem qualquer razão ou motivo, a meio da tarde, a Polícia de Choque invade o Colégio e os seus elementos começam a bater, indiscriminadamente, em quem encontravam pela frente, atiçando os cães a tudo o que mexesse. Foi assim que muitas pessoas que se encontravam na Arcadas do Estoril, ou que passavam pelas cercanias, foram espancadas, inclusivé mulheres grávidas, idosos e até turistas. Naturalmente que tal violência provocou enorme indignação (um dos filhos do professor Marcelo Caetano foi fortemente espancado) e muitas famílias da zona, bem posicionadas, lavraram o seu forte protesto. O resultado foi, apenas, a transferência do capitão Maltês. Naqueles tempos a rádio mexia com o sistema, era saudavelmente incómoda e os programas não se limitavam a ser gira-discos.”
Pelo reconhecimento da excelência Dezembro 22, 2007
Posted by Manuel Pinto in Rádio.1 comment so far
Acontece-me, nos últimos tempos, ouvir o “Lugar ao Sul“, na Antena 1, em viagem que demora sensivelmente o tempo do programa. Para o ouvir, organizo-me para sair de casa quando ele começa. Hoje, como há oito dias, os temas natalícios eram o prato forte - com as canções dos janeireiros, a gastronomia típica, os costumes da quadra. Mais uma vez pôde, quem como eu ouviu o programa, constatar as excelentes qualidades de conversador e de entrevistador de Rafael Correia. Chega a circular na conversa por um registo que, para uma escuta menos atenta, poderá parecer sobranceria ou provocação. Lembro-me de ter sentido isso, nos primeiros anos em que comecei a seguir este inestimável programa, nos anos 80. É, porém, necessário um excepcional poder de criar empatia, de lançar pistas, de retomar deixas, de adoptar a ironia, de jogar aos papéis para compreender este caso de artista da reportagem e da entrevista. Folgo por isso em ver um jornalista da craveira de Pedro Coelho tomar, nas aulas de rádio que lecciona, o caso de “Lugar ao Sul” como exexemplo.
Mas Rafael Correia e o seu programa são muito mais do que isso. Porque a sua arte está também - sobretudo? - em ser capaz de fazer brilhar as artes, as vozes, as memórias e as paisagens do Sul e de quem nele tem histórias para contar. Reside em, semana a semana, programa a programa, há mais de um quarto de século, ir recolhendo, editando e acumulando um portentoso património cultural que espanta como ninguém, até hoje - a começar pela própria RDP - ainda não se preocupou em difundir (ou, pelo menos, tornar acessível).
Tanto quanto sei, este profissional dos media é avesso à mediatização. Mas, ainda assim, o nosso jornalismo está longe de o tratar com o destaque análogo ao que confere a pessoas e obras que não valem um caracol ao pé de “Lugar ao Sul”.
O Provedor do Ouvinte, José Nuno Martins, considerou já o programa um “sinal de excelência” do Serviço Público de Radiodifusão e a movimentação dos ouvintes e admiradores impediu que tivessem persistido, naquela antena, em colocá-lo em horas impróprias para consumo. Com o pretexto do próximo 28º aniversário do programa e a próxima aposentação do seu autor, Álvaro José Ferreira, um ‘militante’ da causa da rádio de serviço público e grande admirador de “Lugar ao Sul”, propôs há dias ao presidente da República a atribuição a Rafael Correia da Ordem de Mérito por relevantes serviços culturais prestados a Portugal. Eu apoio tal proposta.
Museu da Rádio - últimas imagens Dezembro 5, 2007
Posted by Luis Santos in Jornalismo, Rádio.add a comment
Disponível, desde ontem, no site da RR-Informação, um trabalho de Dina Soares e Conceição Sampaio sobre os últimos dias do Museu da Rádio.
Discos de baquelite, gongos para sinais sonoros, aparelhos lindíssimos e as memórias de muitos profissionais estão a ser arrumados em caixotes para guardar num parque de estacionamento do novo edifício da RTP.
A propósito de Rádio, uma outra sugestão, a reportagem ‘O meu filho chocolate‘, de João Paulo Baltazar e João Félix Pereira (difundida no fim de semana passado na TSF mas disponível online).
O trabalho é daqueles que serve bem para defender as vantagens do’ som-só’ porque nos ‘mostra’ a intimidade profunda de uma conversa cheia de afecto entre mãe e filhos sem precisar da sua imagem.
Caso Madeleine: análise da cobertura jornalística Novembro 8, 2007
Posted by Manuel Pinto in Jornalismo, Rádio.1 comment so far
A Radio 4 da BBC emitiu anteontem uma edição do programa “Inside Stories“, de cerca de três quartos de hora, conduzido por Steve Hewlett, que escalpelizou o modo como os media têm vindo a cobrir o desaparecimento de Madeleine McCann. Nele participam com depoimentos alguns jornalistas portugueses (nomeadamente do Jornal de Notícias e do Correio da Manhã). Os interessados em ouvir as leituras sobre um caso marcante do jornalismo internacional e que carece de ser estudado também entre nós poderão ainda aceder à gravação do programa no site da BBC (alguns programas são retirados ao fim de uma semana). De resto, neste mesmo site da Radio 4 é possível escutar também vários outros programas sobre o sector da imprensa e do jornalismo, nomeadamente a série “Can Newspapers Survive?“.
RR - Passos certeiros Outubro 12, 2007
Posted by Luis Santos in Futuro, Internet, Jornalismo, Rádio.3 comments
A inauguração, esta tarde, da nova Basílica de Fátima foi, para a Rádio Renascença, o motivo certo para dar início ao aparecimento de uma nova funcionalidade no seu site - a infografia animada.
Depois da experiência (inédita no contexto nacional) com o ‘Página 1‘ a RR dá mais um passo no sentido de uma presença de valor acrescentado na net.
Embora o ritmo possa ainda ser lento demais (se comparado com o de empresas noutros países) e embora o próprio site pareça não ter a flexibilidade suficiente para dar o merecido destaque a estas iniciativas a verdade é que elas vão acontecendo.
É um sinal de que a empresa está atenta. É um sinal positivo.

Declaração (de interesse, mas também de muita satisfação): Parabéns ao talentoso Pedro Candeias, de quem fui professor.
“Antena aberta” ou fechada? Setembro 30, 2007
Posted by Manuel Pinto in Participação, Rádio.add a comment
Se bem entendi José Nuno Martins, no seu programa de sábado, ele considera, enquanto provedor do ouvinte, que não compete à rádio pública ter na sua grelha de programação programas de microfone aberto, dirigidos à participação do cidadão comum. O caso que motivou a ‘deliberação’ do provedor foi a edição do programa “Antena Aberta”, emitido pela Antena 1, em 4 de Julho último.
José Nuno Martins - que se debruçou sobre o assunto ao longo de quatro semanas - entende que a linguagem, o insulto, o abuso de identidade e, por conseguinte, o risco de o espaço da antena poder ser utilizada para fins que não o do debate dos assuntos de actualidade e a não interferência do condutor do programa o tornam impróprio para a RDP.
Diz que a rádio pública tem outras formas de fazer participar os cidadãos (bem conhecidas na casa, ainda que sem as explicitar), considerando também que programas de tipo fórum são próprios de quem quer caçar audiências e, logo, mais adequadas a estações privadas.
Não sigo a posição do provedor do ouvinte. Entendo ser vantajoso e salutar que a rádio pública disponha de programas do tipo da Antena Aberta. Quer neste quer no Fórum da TSF, é verdade que por vezes se ouvem enormidades; que não raro se torna penoso acompanhar certos pretensos contributos; que é fácil a grupos organizados manipular a participação enviesando-a a favor de certas agendas particulares.
Mas isso não lhes tira, a meu ver, o interesse e o papel que têm (ou que podem ter) em fazer ouvir outras vozes nas grandes rádios. Tais programas, ainda que com uma ‘estética sonora’ que por vezes deixa a desejar, são uma manifestação - ambígua, é verdade - do país que somos. Não vale a pena escamotear a realidade.
Que possa ser feito um esforço no sentido de qualificar esses tempos de emissão, parece-me necessário e desejável. Assim como acautelar manipulações ou ofensa de direitos de terceiros. E aí talvez a RDP devesse procurar distinguir-se e renovar o modelo. Acabar com o espaço seria empobrecer a participação dos cidadãos e a democracia. Um tal sinal, dado precisamente pela rádio pública, seria um péssimo sinal.
Complementos:
- Para ouvir o programa em causa, clicar aqui. Para ler o guião: aqui.
- Posição de Luís Bonixe, no Rádio e Jornalismo: O provedor e a Antena Aberta
Regressa o ‘Intima Fracção’ Maio 27, 2007
Posted by Manuel Pinto in Rádio.4 comments
Passados mais de três anos sobre a sua retirada da grelha da TSF, o programa Íntima Fracção volta, dentro de escassos minutos, a uma antena nacional: o ‘novo’ Rádio Clube Português.
Este programa de culto, da autoria de Francisco Amaral, viveu discretamente, durante estes anos, na net (podcast) e na Rádio Universidade de Coimbra.
Podemos agora ouvi-lo semanalmente, nas noites de domingos para segunda, entre a meia-noite e as 2 h.
Rádio e espaço público Maio 14, 2007
Posted by Manuel Pinto in Investigação, Rádio.1 comment so far
“O espaço público na rádio do século XXI - Interacção para a cidadania ou para o consumo?” é o tema do trabalho que Vítor Soares, blogger e profissional da rádio, apresentou recentemente na Faculdade de Ciências da Informação da Universidade Complutense de Madrid, como requisito para a obtenção de um Diploma de Estudos Avançados.
O estudo, de que o autor disponibiliza, no Infoinclusões, um texto-resumo e um powerpoint, debruçou-se sobre o caso do programa “Forum TSF”.
Explicando o âmbito e alcance do seu estudo, Vítor Soares escreve:
“A interacção social que ocorre através da rádio está a contribuir para a vinculação entre produtores e consumidores. Quer seja através do podcasting, quer seja através da participação em múltiplos formatos de programas interactivos, os consumidores estão também a tornar-se produtores. Paralelamente, esbatem-se, cada vez mais, os papéis entre os consumidores/produtores e os cidadãos. Daqui resulta a emergência de uma vinculação crescente entre a cidadania e o consumo (…)”.
E já que andamos pela rádio… Fevereiro 28, 2007
Posted by Manuel Pinto in Jornalismo, Rádio.1 comment so far
… é de ler este post do recém-criado Online Journalism Blog:
Five reasons for audio journalism: actuality, debate, emotion, background, podcast
Ouvir rádio pela Internet Fevereiro 28, 2007
Posted by Manuel Pinto in Internet, Rádio.1 comment so far
O hábito de escuta de rádio pela internet em Portugal está em crescimento, ainda que a escuta regular (diária) apresente valores pouco expressivos. Os dados são do estudo Bareme Rádio da Marktest e vêm na newsletter da Marktest (acesso por assinatura) que assim inicia a publicação de uma série de análises que pretendem “constituir um olhar aprofundado e objectivo sobre a rádio em Portugal, abordando a evolução do meio e o modo como se tem processado a relação dos portugueses para com este”. A escuta de rádio pela internet efectua-se sobretudo em casa, embora com o local de trabalho bem posicionado.
RR em papel - número 1 Fevereiro 21, 2007
Posted by Luis Santos in Jornalismo, Rádio.add a comment

A Rádio Renascença disponibiliza, a partir das 12h30 de hoje, a sua primeira publicação em papel, o “Página 1″.
As duas edições diárias do PDF podem ser descarregadas às 12h30 e às 17h30 durante os dias de semana.
Além das informações respeitantes ao que é notícia durante o dia - hoje, por exemplo, a manifestação em Chaves ou a confirmação de um segunda caso de BSE - o “Página 1″ deverá apresentar também materiais de produção própria, como é o caso da reportagem ‘Emigrantes à força’ que integra o primeiro exemplar.
(Post anterior sobre o mesmo assunto).
