“Cuidado com a informação” Abril 27, 2008
Posted by Manuel Pinto in Jornalismo, Ética.add a comment
“(…) É, de facto, difícil explicar tão eloquentemente por que é que mostrar apenas uma parcela da realidade pode muito bem ser uma forma de mentira. Para não se ser ludibriado por ela, torna-se necessário, como diz o anúncio, ter muito cuidado com a informação que se recebe. Tarefa difícil, evidentemente. É que “há centenas de formas de manipular notícias na imprensa. E outras centenas na rádio e na televisão. E sem dizer mentiras”, afirmou Ryszard Kapuscinski, durante um diálogo com os participantes num congresso realizado em Itália há alguns anos, transcrito em Os cínicos não servem para este ofício. Conversas sobre o bom jornalismo, um magnífico livro, de leitura muito acessível, acabado de editar pela Relógio d’Água. (…)”.
[Ler o texto completo de Eduardo Jorge Madureira Lopes, hoje publicado no Diário do Minho, no blogue de apoio].
Bom senso…e sensibilidade Abril 22, 2008
Posted by Luis Santos in Jornalismo, Televisão, Ética.add a comment
Assunto: declarações de Marcelo Rebelo de Sousa à RTP sobre a crise no seu partido.
Espaço: Jornal da Noite, na SIC.
Tempo: Passava pouco das 20h10 de ontem…altura em que finalmente alguém resolveu abandonar um directo com o presidente de um clube de futebol que disse que foi dizer umas coisas a um sítio e que aconselhou todos os que lhe dizem coisas todos os dias a seguirem o mesmo caminho…ir ao tal sítio, dizer as tal coisas (…desnecessário comentar).
É uma prática quase institucionalizada - para uma ou outra notícias é necessário recorrer a imagens de um canal da concorrência. Segue o pedido, chegam as imagens, agradece-se e, depois, faz-se tudo para diluír ao máximo a indicação de proveniência.
Há mesmo quem, nas redacções, me tenha dito que a situação ’só se resolve’ chegando o logo da empresa proprietária das imagens mais para o centro.
Mas não poderia resolver-se de outra maneira?
Os acordos de auto-regulação que, em momentos de maior aperto por parte das entidades reguladoras, os operadores nacionais tendem a querer fazer não podiam estabelecer regras claras?
A entidade reguladora andará atenta?
Bem sei que pode facilmente dizer-se que é uma questão menor; uma questão gráfica, ou de estilo.
Mas não é.
É uma questão de educação.
E os telespectadores lá passam alguns segundos a tentar perceber que letras são aquelas por debaixo das letras da estação emissora.
Nota: O exemplo é da SIC, mas é isso mesmo - um exemplo. RTP e TVI adoptam procedimento semelhante.
Manchete com origem em blog (e com atribuição) Março 11, 2008
Posted by Luis Santos in Fotografia, Imprensa, Jornalismo, Participação, Weblogs, Ética.8 comments
NOTA(9h40, 12-03-2008): Este post resulta de uma observação inicial da edição online do Diário de Notícias do dia 11 de Março de 2008. Durante esse mesmo dia, foram aqui deixados comentários apontando a existência de alegadas discrepâncias entre o que existia online e a versão papel. Tanto eu como os autores dessas observações presumiamos, em boa fé, que as fotos pertenciam ao autor do blog em que apareceram pela primeira vez (e que foi citado pelo jornal). Tudo o que a seguir se disse (até mesmo sobre a troca de atribuições de autoria) resulta dessa presunção.
Foi um erro presumir que as fotos publicadas sem indicação de autoria diferenciada num blog de um fotógrafo eram suas. Será um erro presumir até que alguma delas possa ser sua.
Mantem-se - acredito - a essência do post, mas impõe-se, nesta fase, uma intervenção. Fica todo o texto, para benefício de quem precisar de um exemplo, mas aparecem sublinhados os excertos incorrectos ou já não relevantes e desaparece uma imagem (que, uma vez mais em benefício de quem necessitar de um exemplo, continuará disponível aqui).
A manchete visual do Diário de Notícias de hoje é uma foto da manifestação dos professores do passado sábado, onde se destaca deliberadamente uma das manifestantes - Fernanda Tadeu, mulher do presidente da Câmara de Lisboa (e ex-ministro), António Costa.
Não discutindo o valor informativo da foto e a decisão de fazer dela manchete creio que importa salientar que a ‘descoberta’ foi feita por um fotógrafo freelancer que a publicou no seu blog (Fotografia Sempre, de Paulo Vaz Henriques) e que o DN faz questão de nos dizer isso mesmo.
Não sendo a primeira vez que isto acontece - um blog ser origem de material informativo - parece-me que será das primeiras vezes que assistimos, num jornal nacional de grande expansão, à combinação do uso com a indicação clara da sua proveniência; não há referências vagas do género “o assunto já apareceu nalguns blogs” ou indicações de fundo de texto, do tipo, “Ah, a propósito…“.
Nada disso.
Ficam os leitores mais bem informados.
Ganha o DN (que, diga-se já agora, tinha, ontem mesmo, mostrado uma faceta muito menos radiosa…).
P.S.
Dois dos comentários aqui publicados chamam a atenção para detalhes que podem fazer toda a diferença. João Severino - que, ao contrário do que eu fiz, não se limitou a olhar a edição online - faz do episódio uma leitura completamente distinta. [Naturalmente, a minha mudará em consonância assim que confirme tudo o que diz e, nesse caso, ver-me-ei perante um 'dilema editorial' - retirar o post? mantê-lo, com este P.S.? escrever um novo (com uma qualquer indicação sequencial)?]
P.S. 2
A edição papel apresenta, de facto, aquilo que parece ser uma troca na atribuição das fotos.
Creio que se trata de um erro - que precisaria de ser corrigido - e não de uma alteração deliberada .
Importaria, porém, apurar se ‘Direitos Reservados’ aparece por indicação do autor ou se a foto foi usada sem qualquer contacto prévio.
Importaria, igualmente, não ver repetida a situação da primeira página (essa sim, merecedora de reparo mais veemente) em que a foto aparece sem qualquer indicação de autoria.
O jornalismo nacional ainda lida de forma desconfortável com conteúdos informativos produzidos por não-profissionais.
Há, certamente, um longo caminho a percorrer.
Obama, Clinton e os media Março 4, 2008
Posted by Manuel Pinto in Jornalismo, Media, Ética.1 comment so far
Nos últimos dias levantou-se alguma celeuma nos Estados Unidos, depois de Hilary Clinton se ter queixado de um alegado enviesamento dos media em favor do seu adversário de momento, Barack Obama.
O assunto é muito interessante porque nele se cruzam (e por vezes confundem) questões tão diversas como a construção mediática do carisma de Obama, o ‘não valor-notícia’ do argumento fundamental da experiência, invocado por H. Clinton; o medo dos jornalistas em parecerem racistas relativamente a Obama; o facto de a senadora ser mulher de um ex-presidente, etc.
A verdade é que , pelo menos do ponto de vista quantitativo, os números não deixam dúvidas: Obama destaca-se nitidamente da sua adversária. Na semana que passou, das notícias relativas à corrida para a Casa Branca, o senador protagonizou 69% delas, segundo um estudo do Project for Excellence in Journalism. Nunca, até hoje, nesta campanha, qualquer outro candidato atingira esta quota. Clinton ficou-se pelos 58%, o que é, entretanto, a sua melhor posição este ano.
Aguardemos pelos resultados desta (decisiva?) terça-feira.
Para acompanhar os debates em torno desta questão, dois textos de um site que “estuda, combate e denuncia” o “liberal bias” dos media:
- Stephanopoulos Attacks Media Bias Against Hillary
- ABC’s Sawyer: Press Using ‘Boxing Gloves’ on Hillary?
ACTUALIZAÇÃO 1:
Cf.: Why do secularists hiss when Huckabee preaches but purr when Obama preaches?
O autor cita este excerto de um discurso de Obama, em campanha, na passada sexta-feira:
“I’d like to begin with a prayer. It comes to us from Jeremiah 29, when the prophet sent out a letter to those exiled from Jerusalem to Babylon. It was a time of uncertainty, and a time of despair. But the prophet Jeremiah told them to banish their fear – that though they were scattered, and though they felt lost, God had not left them. “For I know the plans I have for you,” the Lord revealed to Jeremiah, “plans to prosper you and not to harm you, plans to give you hope and a future.” God had a plan for His people. That was the truth that Jeremiah grasped – the creed that brought comfort to the exiles – that faith is not just a pathway to personal redemption, but a force that can bind us together and lift us up as a community.”
ACTUALIZAÇÃO 2:
No New York Times: “Barack Obama addressed the issue of press bias today, saying he believed that reporters had been influenced by the Clinton campaign’s flood of complaints about media bias over the last week.”
ACTUALIZAÇÃO 3:
Miguel Gaspar, no Público (6/3):
(…) Obama trouxe uma novidade fortíssima à campanha e surpreendeu ao conseguir enfrentar a candidata do aparelho que no fim de 2007 parecia imbatível nas sondagens. A soma destes factores permitiu-lhe conquistar uma boa imprensa, em contraste com a adversária, tradicionalmente pouco apreciada pelo establishment mediático.
Isto é o que já sabemos. O que continua a não fazer sentido é o modo como o discurso mediático trocou a prudência em relação ao desenvolvimento da campanha por narrativas épicas ou trágicas, que fazem do vencedor do dia o herói que já nada afastará do triunfo anunciado e transformam cada derrota num drama terminal. Algo de novo? Nem por isso; a doença profética é comum no jornalismo contemporâneo. “Estar à frente” da história consiste em adivinhá-la antes dos outros. E isso complica-se quando o ângulo dominante da cobertura das campanhas eleitorais é o da “corrida de cavalos”.
Os (ab)usos da publicidade Fevereiro 9, 2008
Posted by Joaquim Fidalgo in Jornalismo, Publicidade, Regulação, Ética.1 comment so far
A ERC acaba de publicar uma deliberação que procura ‘pôr alguma ordem’ no modo como as publicações periódicas vêm lidando com a publicidade.
Além de chamar a atenção para a legislação que proíbe as confusões entre espaço editorial e espaço publicitário (com particular destaque para esse género estranhíssimo que é a chamada ‘publireportagem’, uma típica contradição nos termos…), a deliberação pronuncia-se também contra “práticas publicitárias particularmente invasivas dos espaços jornalísticos“.
Estas, infelizmente, continuam a proliferar nos mais diversos meios e das mais bizarras formas. Como a da imagem aqui ao lado, patente há alguns dias (21 de Janeiro de 2008, p. 5) no Público. O suposto trocadilho com os dizeres do anúncio - “break away” - vai , de facto, muito longe, quebrando a meio uma notícia de apenas duas dúzias de linhas!
Mas não faltam por aí exemplos. É questão de ir olhando com atenção pelos jornais e pelas revistas…
Auto-regulação avança Janeiro 28, 2008
Posted by Joaquim Fidalgo in Jornalismo, Regulação, Ética.1 comment so far
Três notícias sobre iniciativas muito recentes (e muito concretas, e muito interessantes…) nos domínios da auto-regulação:
1) O Expresso reformulou e ampliou o seu Código de Conduta, conforme tinha anunciado na edição comemorativa do seu 35º aniversário. É útil que os leitores o conheçam, para que possam também apreciar o seu cumprimento.
2) Em Espanha, o diário Público (não confundir com o homónimo português) adoptou, numa iniciativa pioneira, um código auto-regulador especificamente para a informação sobre violência de género. Indicações muito precisas sobre a terminologia a utilizar, sobre procedimentos a não esquecer, constituem um compromisso do jornal com os seus leitores em forma de “Dez Mandamentos”. Como o próprio periódico explica: “A partir de ahora, desde la redacción de Público nos comprometemos a que nuestro decálogo sea de obligado cumplimiento y pedimos a nuestros lectores que así nos lo exijan“.
3) Ainda em Espanha, o jornal LaVanguardia.es - edição digital do conhecido diário de Barcelona La Vanguardia — decidiu criar um Conselho Editorial dos Usuários, espécie de órgão auto-regulador que diz pretender “romper la historica distancia existente entre los medios informativos y su audiencia”. (Informação recolhida no blogue E-Periodistas, de Ramón Salaverría, que recorda, a propósito, a criação, em 2006, de um outro organismo semelhante: um Conselho de Leitores na revista Tiempo).
“É preciso uma info-ética” Janeiro 26, 2008
Posted by Luis Santos in Comunicação, Ipsis verbis, Media, Política, Sociedade, Ética.add a comment
“When communication loses its ethical underpinning and eludes society’s control, it ends up no longer taking into account the centrality and inviolable dignity of the human person”
(…)
“For this reason it is essential that social communications should assiduously defend the person and fully respect human dignity. Many people now think there is a need, in this sphere, for ‘info-ethics’, just as we have bioethics in the field of medicine and in scientific research linked to life”
Excertos da mensagem do Papa Bento XVI para o Dia Mundial das Comunicações, que a Igreja Católica assinala a 4 de Maio.
Mensagem completa(em inglês) aqui.
ACT: Mensagem completa em português aqui.
Até onde deve ir a regulação Janeiro 16, 2008
Posted by Luis Santos in Cidadania, Espaço público, Imprensa, Jornalismo, Política, Regulação, Ética.4 comments
Ezra Levant, o advogado e publisher canadiano que há dois anos atrás foi responsável pela re-publicação dos famosos cartoons dinamarqueses na revista Western Standard, foi alvo de uma queixa de um grupo de islamistas (a ideia genérica é a mesma de outros tempos, a da ofensa) e vê-se perante a condenação a penas pecuniárias ou de prisão.
A queixa está a ser analisada por uma Comissão de Direitos Humanos - que tem poder para o fazer e para, em nome do Estado, condenar ou não o acusado.
(Todos os video da audição de defesa aqui)
Facilmente se encontram neste caso traços de um Estado amorfo, tecnocrata, desenquadrado do bom senso e da herança cultural do seu povo. Em oposição, encontramos também um testemunho apaixonado (ou politicamente inflamado, se preferirmos) em defesa da liberdade de expressão; Levant, um activo neo-con, escolheu uma estratégia de afrontamento:
The point of civil disobedience is not to get off scot-free, but to willingly accept the punishments of an unjust system, to shame that system into reform.
Independentemente da sensatez do Sr. Levant ou da sensatez do Estado, este caso levanta questões importantes sobre a regulação.
Até onde pode e/ou deve o Estado ir em nome do ‘bem comum’?
Porque é que o aceitável pelo Estado aparenta ser cada vez mais alheio ao aceitável pela comunidade?
A quem interessa (mais, quem se sentirá identificado com) um ‘bem comum’ desinfectado de qualquer réstea de emoção humana, de qualquer referência histórica, de qualquer marca cultural?
Jornais em auto-análise (not) Janeiro 8, 2008
Posted by Luis Santos in Audiência, Imprensa, Jornalismo, Participação, Regulação, Ética.add a comment
Porque há dias assinalámos aqui a proposta de uma actuação mais dinâmica do novo Provedor do jornal Público e fizemos eco da iniciativa ‘El Mundo por dentro’ importará dar também conta de um movimento em sentido contrário.
O Baltimore Sun vai trocar o seu provedor por um blog, onde os leitores podem apresentar questões, que serão respondidas pelos vários editores. Há, naturalmente, mais do que uma leitura a fazer sobre esta atitude mas penso que a nenhuma delas pode escapar a imagem de uma visão estreita sobre o papel do provedor e a desvalorização de um relacionamento multi-facetado com os leitores.
Anda muita poeira no ar…
Sugestão recolhida no The Editorialiste.
Jornais em auto-análise Janeiro 6, 2008
Posted by Manuel Pinto in Imprensa, Jornalismo, Regulação, Ética.2 comments
Com a facilidade de criar blogues e outras ferramentas de edição de informação no espaço público, a produção jornalística é hoje mais comentada - nas suas acções e nas suas omissões.
Os próprios media - alguns, pelo menos - esboçam também formas de acolhimento da auto-análise nas suas páginas. Joaquim Vieira, o novo provedor dos leitores do Público, anuncia, na sua primeira coluna, a intenção de dinamizar o blogue, no site do diário, disponibilizando, sempre que se justifique, a documentação de base dos casos analisados e “fazendo mesmo a análise de casos novos”. Isto é, procurando fazer do blogue não só o repositório (eventualmente enriquecido) dos textos dominicais, mas alargando o âmbito da sua intervenção pública.
Isso é positivo. Mas poder-se-ia ir ainda um pouco mais longe e criar algo do género daquilo que o diário espanhol El Mundo - que não tem, tanto quanto sei, ‘defensor del lector’ - hoje anuncia: convidou o escritor, jornalista e blogger catalão Arcadi Espada para animar, no site do jornal um blogue dedicado à análise diária de cada edição. “El Mundo por dentro” se chamará o blogue, cujo objecto será a “análise crítica” da matéria publicada”.
É o que faz, de resto, o ombudsman da Folha de São Paulo, que, além da coluna semanal, publica uma “crítica diária” do jornal.
Breves Dezembro 5, 2007
Posted by Manuel Pinto in Jornalismo, Regulação, Ética.add a comment
Rui Araújo no Clube - “Qualquer que seja a opinião de cada um sobre o seu mandato, é inegável que Rui Araújo recolocou o papel do provedor no centro da discussão das questões dos media”, observa o site do Clube de Jornalistas, ao contextualizar o debate de que o ex-provedor do leitor do Público será o centro, no programa de hoje à noite, na RTP2. Participam, também, Nuno Pacheco, director-adjunto do “Público”, e Orlando César, presidente do Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas. O moderador é João Alferes Gonçalves.
Auto-regulação - A Associação Portuguesa de Imprensa promove segunda-feira, dia 11, em Lisboa, o 5º Dia Nacional da Imprensa, centrado em dois temas: publicidade e auto-regulação. Na altura apresentará um ciclo de conferências para 2008 sobre “auto-regulação e media literacy“.
‘Back to basics’ = ‘back to ethics’ Dezembro 2, 2007
Posted by Manuel Pinto in Jornalismo, Ética.add a comment
Já está disponível online o texto da comunicação que Joaquim Fidalgo apresentou, em Julho passado, na conferência da IAMCR, em Paris, intitulada What is journalism and what only looks like it? Re-defining concepts, roles and rules in the wide field of communication. Nele o autor reflecte sobre o caso, tratado pelo provedor do leitor do Público, das crónicas que aquele jornal publicou como sendo trabalhos jornalísticos, em Janeiro de 2006, a propósito da cobertura do rali Lisboa - Dakar, quando, de facto, haviam sido encomendadas e pagas por uma empresa externa que fazia publicidade nas mesmas páginas em que a matéria jornalística tinha sido publicada.
O argumento do artigo pode resumir-se neste excerto do resumo:
“In this paper (…) [w]e argue for the need of a kind of back to basics effort, meaning specificaly back to ethics, under the assumption that, particularly in our digital environment, the line defining the boundaries of journalism (and, therefore, distinguishing journalism from other forms of public communication) is not a matter of ‘who’, ‘what’ and ”where’ things are done, but rather a matter of ‘how’, ‘whay’ and ‘what for’ you do them”.
“Pinças deontológicas” Novembro 19, 2007
Posted by Manuel Pinto in Ipsis verbis, Ética.add a comment
“Nunca serão suficientemente louvadas as pinças deontológicas com que jornais e TV pegam em casos criminais que envolvem muitos zeros. E seria tema interessante para uma tese a volubilidade de conceitos jornalísticos como o de “interesse público”, que este fim-de-semana fez com que tantos jornalistas corressem para a porta de um tribunal onde eram interrogados uns árbitros e uns dirigentes do futebol regional, suspeitos de câmbio de 500 euros pelo resultado de um jogo (neste momento, já todos os portugueses estão informados sobre o nome, idade, estado, profissão e morada de cada um deles) e ninguém se tenha interessado minimamente por saber quais são as “grandes empresas” que o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais acusou de estarem envolvidas em crimes de fraude fiscal, provavelmente de valor superior (digo eu, que tenho uma imaginação perversa) a 500 euros.(…)”
Responsabilidades do jornalismo Outubro 17, 2007
Posted by Manuel Pinto in Jornalismo, Ética.add a comment
Eugénio Bucci tem vindo a publicar, nas últimas semanas, no brasileiro Observatório de Imprensa, uma série de artigos sobre questões actuais do jornalismo e a liberdade, que vale a pena compendiar. Bucci é doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo e autor de alguns livros, entre eles Sobre Ética e Imprensa (São Paulo: Companhia das Letras, 2000) e foi presidente da Radiobrás entre 2003 e 2007. Eis os links para os textos:
- A missão de servir ao cidadão e vigiar o poder
- A liberdade de imprensa entendida como um dever
- A qualidade da cobertura da agenda social
- Jornalista precisa de formação continuada
Da mais recente peça, sobre a formação contínua de jornalistas, destaco:
Persiste em parte das redações, ainda, a tristonha presunção de que o jornalismo se faz e se aprende “na prática”: se o sujeito leu uns livros bons, tem vocabulário acima do comum, é curioso e esperto, vai brilhar. Assim é que esse ofício se firmou e se reproduz, com base na ilusão de auto-suficiência. Talvez ela bastasse até meados dos anos 1970, mas hoje é apenas vã. O jornalismo, como as demais atividades, impõe a seus praticantes que estudem.
É verdade que temos jornalistas notáveis que nunca foram à universidade, assim como, no passado, também tivemos bons dentistas que não tinham diploma. Ainda hoje, aliás, há parteiras no interior que, sem ter passado pela faculdade, trazem crianças ao mundo. Não se pode mais pretender, porém, que a imprensa atinja bons níveis sem ter pontes com a pesquisa e com a capacitação aprofundada. Estudar com método, se já não era no passado, é no presente parte integrante da responsabilidade social do jornalista.(…)
“Caso Maddie” no Clube de Jornalistas Setembro 11, 2007
Posted by Manuel Pinto in Jornalismo, Ética.add a comment
Está de regresso o programa “Clube de Jornalistas” e nesta primeira edição pós-férias vai abordar a cobertura mediática do desaparecimento de Madeleine McCann. É amanhã, depois das 23.30, na RTP2. Em estúdio estarão Cristina Ponte, professora e investigadora, Eduardo Dâmaso, jornalista, e Manuel Magalhães e Silva, advogado. O jornalista Miguel Gaspar fará um depoimento gravado. O moderador é João Alferes Gonçalves.

