Palavras para quê?
A marcha do pensamento único (neste caso com um pendor bélico nacionalista muito peculiar que também importaria não deixar de discutir) continua, nos desportivos, sem embaraço nem contratempos.

Nov
18
2009
Palavras para quê?
A marcha do pensamento único (neste caso com um pendor bélico nacionalista muito peculiar que também importaria não deixar de discutir) continua, nos desportivos, sem embaraço nem contratempos.

Mesmo: «Palavras para quê?» E ainda se “queixam-se” da recepção à selecção nacional! Quando se aproximam momentos decisivos para o futebol português, é sempre a mesma coisa (e, tal como disse, o mesmo «pendor bélico»).
A questão que aqui se coloca parece-me ser, antes de tudo, jornalística – quando joga a selecção, e, sobretudo, quando esta está em apuros, nada melhor do que recorrer a uma velha sabedoria – centrar o foco de todas as nossos sofrimentos e de todos os nossos fantasmas no ‘inimigo’. A questão é que um jornal, mesmo que seja desportivo, não deixa de ser um jornal, supõe-se que feito por jornalistas.
Agora, do ponto de vista antropológico – e é pena que a Antropologia da Comunicação seja uma disciplina ainda pouco desenvolvida – a matéria para que o Luís Santos chama a nossa atenção constitui mantimento do melhor. Afinal, qual o papel desta ‘violência simbólica’? Em que medida ela se torna compreensível, ou mesmo necessária, nas sociedades de violência (mal) contida que são as nossas? Questões velhas, afinal, e presentes em muito mais situações do nosso quotidiano do que aquelas que à primeira vista se nos apresentam.
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Só entendo a intenção deste post, ao constituir uma terceira edição do título do Joaquim Fidalgo sobre o “product placement” nos diários desportivos, no sentido de se aproveitar uma expressão popular ironicamente feliz como “Ele há cada coincidência”.
Acho, portanto, que as versões II e III deveriam ter títulos autónomos, porque, embora retratem o panorama dos jornais desportivos, abordam os critérios editoriais em si (que devem ser discutidos – e este é o espaço certo), enquanto a versão I se concentra na total deturpação de todo e qualquer princípio de independência editorial. Ou seja: de um lado, temos o jornalismo “mal feito”; do outro, a completa negação do mesmo. Mais: se nos casos II e III há incompetência da parte editorial, no caso I o problema é supra-editorial, é empresarial, porque faz transparecer uma promiscuidade grande entre as áreas de marketing, comercial e editorial – partindo do princípio de que o primeiro objectivo de um jornal é veicular informação, porque, como sabemos, o primordial objectivo de uma empresa, ligada aos média ou não, é dar lucro.
Caro Rui,
Dou-lhe razão.
).
Em minha defesa diria apenas que o link remete para o post II (esse sim, portador do pecado original
Um abraço.