Ciberjornalismo em Portugal

ciberjornO jornalista Fernando Zamith lança hoje, no âmbito do Congresso Internacional de Ciberjornalismo, que decorre na universidade do Porto, “Ciberjornalismo – as Potencialidades da Internet nos sites noticiosos portugueses” (Ed. Afrontamento).

O livro, que terei o gosto de apresentar, retoma o essencial da tese de mestrado daquele jornalista da agência Lusa, realizada e apresentada na Universidade do Minho em 2007. Nele se faz “um diagnóstico do jornalismo português na Internet, através do estudo da sua (pouca) adaptação às características do novo meio, complementado com a perspectiva de profissionais e académicos”.

“Mais cedo ou mais tarde”

José Manuel Paquete de Oliveira reconhece hoje, na sua coluna no JN, algo que partilho e que andava há tempos para referenciar:

Em “Mais cedo ou mais tarde“, programa conduzido sobre o lema ‘porque há sempre outras ideias e outras pessoas que podiam ser notícia’, João Paulo Meneses, com uma serenidade impressionante e um olhar de grande pesquisador social, traz ao programa actores e autores nos mais diferentes campos das múltiplas actividades que compõem e, afinal, constroem a vida de um povo. Normalmente, os seus entrevistados são gente social e politicamente desapercebida. Falam e contam sobre as coisas que fazem com uma enorme simplicidade. Quase parece pedirem desculpa de estar a fazer o que fazem. Ali emergem cidadãos deste país que, no silêncio das suas funções ou no anonimato das suas profissões, contribuem de modo concreto para que o país não se “afogue” de vez na crise que o devora. Nunca falei com o jornalista João Paulo Meneses. Mas ouço muitas vezes o seu ‘Mais tarde ou mais cedo’ e penso que a filosofia do programa é psicologicamente combater a crise que, acima de tudo, é social, motivacional”.

Descobrir coisas boas“, Jornal de Notícias, 11.12.2008

Vou mais longe: em “Mais cedo ou mais tarde”, abordam-se, com frequência, assuntos que os media  tomam como se fossem menores para as pessoas. E a prova disso é que, quando os abordam, remetem-nos para horários (ou para páginas) de segunda categoria (como de resto ocorre com o programa de João Paulo Meneses, na TSF).

E em tempos em que se vêem outras parcerias, não seria de aproveitar – por exemplo, num jornal – as entrevistas que “Mais cedo ou mais tarde” faz?

Nordicom Review

Está já disponível o último número da revista Nordicom, com o título genérico “NordMedia 2007″, que merece uma vista de olhos. Entre vários outros, há artigos de :

- Joseph Straubhaar (Global, Hybrid or Multiple? Cultural Identities in the Age of Satellite and the Internet),

- Thomas Tufte (Exploring Cultural Globalisation. New Forms of Experience and Citizen-driven Change Processes)

- Mats Ekstrom (Research on Media and Democracy. Reflections on Changes and Challenges).

Todos os textos são de acesso livre.

Alçada (1927-2008)

“Uma vez, na televisão, o Miguel Sousa Tavares perguntou-me porque é que eu não tinha inimigos. Eu respondi que um inimigo dá muito trabalho. Quando nas andanças da vida, alguém é desagradável comigo, deixo-o cair e não perco tempo com ele, muito menos a odiá-lo. Isto não é por bondade, é por gestão das minhas energias e, também, como já tenho dito, porque procuro ter uma visão estética da vida e o ódio e a agressividade são coisas muito feias”.

António Alçada Baptista in “A Cor dos Dias, Memórias e Peregrinações”

A Voz do Cidadão nº 100

A RTP emite hoje a centésima edição de “A Voz do Cidadão”. O programa do Provedor do Telespectador está no ar desde Setembro de 2006 e surge de uma lei (Lei 2/2006, de 14vozdocidadao1 de Fevereiro) em que se considera que «os serviços públicos de rádio e de televisão devem constituir um padrão de referência para os outros operadores». Até hoje, nenhum dos canais privados seguiu o exemplo. O que é pena, porque esta poderia ser uma oportunidade de o meio televisivo se abrir à reflexão permanente com os telespectadores. Ainda que modesta, a iniciativa de um programa que dá voz ao cidadão tem o apreciável gesto de atender aos comentários dos telespectadores, promovendo, pelo menos em teoria, espectadores mais críticos, mais exigentes e mais participativos… um passo, pequeno talvez, mas ainda assim um passo, para a TV de qualidade.

Congresso da SOPCOM: chamada de comunicações

Os investigadores ligados ao campo dos estudos jornalísticos são convidados a apresentar propostas de comunicação ao 6º Congresso da SOPCOM que decorrerá conjuntamente com 4º Encontro Ibérico, na Universidade Lusófona, em Lisboa, entre 14 e 15 de Abril próximo. O prazo para esse fim termina no próximo dia 15.
As comunicações poderão incidir em estudos empíricos sobre a realidade portuguesa e o contexto internacional, incluindo estudo de casos e trabalhos comparativos, bem como em estudos de pendor mais teórico e/ou metodológico.
Os campos temáticos são relativamente abertos. Valorizam-se especialmente os seguintes:

- Questões éticas e de deontologia
- Abordagens de natureza histórica
- Perfil e redefinição da profissão
- Relação entre públicos e jornalismo
- Questões de epistemologia do jornalismo
- Empresas mediáticas e condições de exercício da profissão
- Formação inicial e contínua
- Impacto das tecnologias
- Jornalismo especializado
- Fontes jornalísticas e agenda das redacções
- Regulação e auto-regulação em jornalismo

Para conhecer as condições de apresentação das propostas, recomenda-se a consulta do site do congresso, na secção “Call for papers” (zona em cuja parte final se encontra o formulário próprio).

Agregação de Manuel Pinto – dia 2

Segundo dia de prova dedicada à lição de síntese intitulada “Digressão sobre a crise do jornalismo: entre diluição e re-invenção”.

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Excertos da apresentação:

O adquirido do jornalismo:
- a informação de serviço público
- a busca da independência e da verdade
- a vigilância dos poderes (watchdog)
- a investigação, a verificação e a GR
- a mediação entre insttuições
- a afirmação de novos géneros discursivos

A crise do jornalismo não é dos nossos dias; acompanha-o desde o nascimento e isso não servindo para nos tranquilizar serve de certeza para nos ajudar a pensar a situação.

Não há uma, mas várias crises, sucessivas ou simultâneas.

A crise do jornalismo não pode dissociar-se dos processos globais de mujdança social e são dois os eixos criticos da crise: a cedência ao mercado (1) e o impacto das inovações tecnológicas (2)

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1 – Jornalismo contaminado pelo mercado
Há uma diluição da ‘empresa jornalística’ nos conglomerados mediáticos / lógicas de competrição à escala global e agudização da concorrência / de uma lógica de edição a uma logica de fluxo, pautada pela velocidade / políticas redactoriais restritivas (precarização e assimetrias profissionais) / aligeiramento da informação e reforço da lógica do entretenimento.

2 – Factor tecnológico
Impacto dos diferentes suportes / transmissão via satélite e recurso ao directo / o aparecimento das estações 24/7 (lógica de breaking news) / digitalização da informação e convergência redactorial / plataformas e ferramentas de auto-edição.

Outros factores
- Os mais novos e o aparente desinteresse pela actualidade jornalística
- A queda da circulação e da publicidade
- A fragmentação das audiências
- O tempo disponível perante a multiplicação e variedade da oferta informativa
- Mudanças nos hábitos de consumo

Reacções à crise

Jornalismo cívico ou comunitário ( a crítica que veio de dentro)
A corrente do citizen journalism (a crítica que veio/vem de fora)

Será a crise efectivamente passageira? Não creio.

Bases possíveis de progressão:
- Existe um campo possível de interacções de geometria variável entre os media profissionais e amadores
- É improdutiva a estratégia de contraposição entre os dois pólos (ou de ‘acolhimento táctico’)
- Torna-se necessário identificar os pontos sensívies das mudanças em curso, a saber:
- Capacidadev de escutar e aprender com o público
- Exploração do ‘jornalismo distribuido’
- Epistemologia: pensar rizomaticamente
- Novo método: alargar as fontes e envolve-las no desencadear da conversação
- Desafio ético das redes: a ética do link, da transparência, da correcção
- Papel do jornalista: pivot ou parceiro

Agregação de Manuel Pinto – dia 1

Decorre, neste momento, a primeira parte das Provas Públicas de Agregação de Manuel Pinto, o principal animador deste blog.
Aqui se apresentam excertos da discussão em torno do curriculum do candidato:

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“Este é um momento importante para os professores porque são obrigados a rever o seu caminho e ainterrogar-se sobre ele; em dez anos de jornalismo foi sempre disso que mais falta senti – o questionamento permanente”

“Tenho a sorte de estar numa equipa de trabalho que é também uma equipa de solidariedade e este é um elemento que dá uma expressão diferenciada ao que fazemos; sou devedor de todos eles e não entendo o trabalho que fazemos numa universidade a não ser neste espírito”

“O brio que queremos pôr nas coisas que fazemos leva-nos, nas actuais condições, a trabalhar muito mais do que deveríamos para combater as desvantagens de estar longe dos centros de decisão e dos grandes pólos; a verdade é que, mesmo assim, estamos longe de ter as condições que desejaríamos para desenvolver o trabalho que podemos e que os nossos alunos merecem. Creio que o desinvestimento generalizado nas áreas das Ciências Sociais atinge-nos de forma muito aguda”.

“Creio que é uma marca nossa o esforço desenvolvido para criar projectos colectivos; permitem o crescimento dos investigadores já com carreira, mas permitem ainda a incorporação de contributos de novos investigadores”.

“Vejo a investigação num sentido amplo como uma prestação de serviços à sociedade pela qual precisamos de dar contas”.

O segundo dia da prova – amanhã, novamente às 15h00 – está reservado à lição de síntese intitulada “Digressão sobre a crise do jornalismo: entre diluição e re-invenção”.

«Da tribo à profissão»

No P2 (PÚBLICO) de hoje (pp. 8 e 9)…

pp2 

  … “os mais velhos têm uma ideia do jornalismo como uma missão que se cumpre de serviço público, e também como uma tribo, com laços de solidariedade muito fortes, exportam para fora da redacção as relações de amizade”. Em contrapartida, no caso dos mais novos, é muito diferente a forma como encaram o ofício: “Exercem o jornalismo como uma profissão, com horário de entrada e saída, reclama-se uma estruturação mais completa da profissão e uma regulação maior do acesso.” As amizades fazem-se também “lá fora, na busca de deixar as preocupações na redacção e de ter um espaço para outras ocupações”. [Declarações de José Rebelo]

Agregação de Manuel Pinto e de Helena Sousa (actualização)

Os professores Manuel Pinto e Helena Sousa, do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho (e colaboradores deste blogue), apresentam, nos próximos dias, as suas Provas de Agregação.
As Provas de Manuel Pinto decorrem quinta e sexta-feira (dias 4 e 5 de Dezembro), pelas 15h00, no Salão Nobre do Edifício dos Congregados da Universidade do Minho (Avenida Central). No primeiro dia, far-se-á a discussão do curriculum e do relatório da disciplina “Teorias do Jornalismo”. O segundo dia é reservado à lição de síntese intitulada “Digressão sobre a crise do jornalismo: entre diluição e re-invenção”.
As Provas de Helena Sousa decorrem na quinta e sexta-feira seguintes (dias 11 e 12 de Dezembro), pelas 11h00, no Salão Nobre da Reitoria da Universidade do Minho. O primeiro dia é ocupado com discussão do curriculum e do relatório da disciplina “Economia Política dos Media”. O segundo dia é preenchido com uma aula sobre os percursos, as características nucleares e as grandes temáticas da Economia Política dos Media.

Actualização: ao contrário do que estava previsto, as Provas de Agregação do Prof. Manuel Pinto têm lugar no Salão Nobre da Reitoria da Universidade do Minho, no Largo do Paço, e não no IEC. A informação correcta é a seguinte: dias 4 e 5 (amanhã e 6ªfeira), pelas 15 horas, no Largo do Paço.

Cem anos de ensino de jornalismo na RTP2

O programa desta semana do Clube de Jornalistas, na RTP2 tem por tema a formação superior em jornalismo, no ano em que se celebra o centenário do primeiro curso de jornalismo do mundo (na Universidade de Missouri, Estados Unidos da América)  e quase 30 sobre o primeiro curso universitário de comunicação social, em Portugal (Universidade Nova, 1979).
O Clube de Jornalistas vai debater o assunto com Carla Batista, professora do curso de Ciências da Comunicação da Universidade Nova de Lisboa, Paulo Moura, professor do curso de Jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social, e Adelino Gomes, jornalista e, actualmente, Provedor do ouvinte da Rádio Difusão Portuguesa. O programa, que vai para o ar à meia noite e um quarto (de quarta para quinta-feira), inclui um depoimento de Fernando Cascais, jornalista e director do Cenjor, e é moderado por  Dina Soares.

(Em tempo – Na Universidade do Minho, Sandra Marinho está a fazer um doutoramento precisamente sobre a qualidade do ensino do jornalismo em Portugal, em particular sobre o modo como os cursos de Ensino Superior português aproveitaram o processo de Bolonha para acompanhar os desafios que o campo jornalístico vem enfrentando).

Jornais, teremos. E jornalismo?

Há uma semana, o novo dono do Los Angeles Times e do grupo Tribune, o magnate Sam Zell, aceitou conversar em público sobre as suas opções à frente do grupo, num ano particularmente crítico como tem sido 2008. O diálogo foi disponibilizado na Internet. Hoje surgiu uma resposta, por parte do ex-director do Los Angeles Times James O’Shea, a quem Zell sugeriu que se deixasse do jornalismo e “passasse a dedicar mais tempo à família”. Intitulada “Of course we’ll have newspapers. But will there be any news in them?“, pode ler-se no blog Nieman Watchdog.
Estão aqui compendiados alguns dos mais importantes argumentos do debate sobre os media e o jornalismo e as empresas jornalísticas.