Sobre a formação contínua dos jornalistas Fevereiro 3, 2008
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De entre os aspectos que tenho por mais gratificantes no trabalho de formação universitária de jornalistas destaca-se a presença nas aulas (de licenciatura, de mestrado, de doutoramento) de jornalistas que estão / estiveram no activo. A maturidade e a riqueza do seu contributo (e, havendo oportunidade, a colaboração que podem dar no próprio ensino) é das dimensões mais relevantes para a qualificação do ensino superior.
É claro que a formação de jornalistas não se faz apenas mediante a frequência de cursos mais ou menos formais nas Universidades. A revista Jornalismo e Jornalistas, no seu último número, dá bem a ideia da diversidade de possibilidades e de oportunidades que se abrem hoje aos profissionais. Ainda que custe ver a insensibilidade reinante entre a maioria das administrações e chefias dos media jornalísticos, que tendem a ver a valorização profissional dos seus quadros mais como um gasto do que como um investimento e uma prioridade. A insensibilidade vai, não raras vezes, ao ponto de nem sequer facilitarem a vida àqueles que pretendem frequentar a formação, obrigando-os, para tal, a recorrer a folgas, férias e licenças sem vencimento.
Julgo, todavia, que as instituições vocacionadas para a formação, têm, também, neste plano, um grande caminho a fazer. Não apenas no sempre incompleto esforço de adequação da formação às necessidades das redacções de hoje, mas inclusivamente no reconhecimento do saber que os profissionais trazem para a Universidade. Há, de facto, saberes e competências que só uma formação sistemática e aprofundada proporciona, mas há outros que faltam na Universidade e que os profissionais, em níveis diversos possuem. Poderia, assim, ser muito mais de troca de saberes e de serviços a concepção dominante da formação de jornalistas no activo. E, se assim fosse, talvez as próprias empresas (algumas, pelo menos) pudessem estar interessadas em colaborar e entrar no jogo, quem sabe!?
Pus-me a reflectir sobre isto, ao ler hoje o texto “Conversas sobre bom jornalismo com Kapuscinski“, de Ryszard Kapuscinski, que o Público traz na edição de hoje, como pré-lançamento do livro da Relógio d’Água “Os Cínicos não Servem para Este Ofício”. Nele Kapuscinski enuncia três requisitos para o exercício do jornalismo. Um deles é o “sacrifício” e a dedicação exigidos por uma profissão que não acaba no fim da jornada de trabalho. O outro é o da “paciência” e do tempo necessário para se mostrar (ao público) o valor do trabalho próprio. O terceiro é o da formação contínua. E escreve ele, a este propósito:
O segundo requisito da nossa profissão é o aprofundamento constante dos nossos conhecimentos. Há profissões em que vamos para a Universidade, obtemos o diploma e o estudo acaba ali. Devemos simplesmente gerir, para o resto da vida, o que aprendemos. No jornalismo, ao invés, a actualização e o estudo constantes são a conditio sine qua non. O nosso trabalho consiste em indagar e em descrever o mundo contemporâneo que está em permanente, profunda, dinâmica e revolucionária transformação. De um dia para o outro, temos de acompanhar tudo isto e ser capazes de prever o futuro. Por isso, é necessário aprender e estudar constantemente.
Leituras Fevereiro 3, 2008
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No número relativo a Fevereiro-Março da American Journalism Review:
- Nonprofit News de Carol Guensburg - As news organizations continue to cut back, investigative and enterprise journalism funded by foundations and the like is coming to the fore.
- Second Time Around, de Sherry Ricchiardi - After their credulous performance in the run-up to the war in Iraq, how are the news media handling the Bush administration’s allegations against Iran?
- Wikipedia in the Newsroom, de Donna Shaw - While the line “according to Wikipedia” pops up occasionally in news stories, it’s relatively rare to see the user-created online encyclopedia cited as a source. But some journalists find it very valuable as a road map to troves of valuable information.
