100 dias após o desaparecimento de Madeleine McCann Agosto 10, 2007
Posted by Felisbela Lopes in Jornalismo.trackback
Factos:
. Desapareceu a 3 de Maio último do quarto onde dormia, num hotel da Praia da Luz, uma criança inglesa que, na altura, tinha 3 anos.
. Os pais da criança desaparecida ampliaram essa tragédia à escala global, fazendo uso dos meios de comunicação social.
. A opinião pública ‘adoptou’ esta criança quase como um membro da família, fruto de uma cobertura jornalística assente sobretudo em códigos emocionais.
. As autoridades policiais, a quem compete as investigações, não estavam preparadas para a ampla cobertura mediática que invadiu o Algarve e os planos de comunicação gizados nem sempre foram eficazes.
. Os media ingleses desenvolveram um trabalho participativo nas investigações, não se percebendo, por vezes, qual a distância que separava os jornalistas das forças policiais/dos familiares da criança.
. Os media portugueses fizeram assentar os seus relatos em fontes anónimas, frequentemente com informação desencontrada, criando assim um processo circular em que uns desmentiam os outros.
. Nos sucessivos directos das televisões e rádios feitos para a Praia da Luz não há informação, mas relatos que oscilam entre o quotidiano dos McCann, as movimentações exteriores da PJ e o circo mediático montado pelos próprios jornalistas.
Do que foi enumerado, o que nos interessa? Isto: desapareceu a 3 de Maio último do quarto onde dormia, num hotel da Praia da Luz, uma criança inglesa. Cem dias após esse desaparecimento, nada se sabe sobre o seu paradeiro. Tudo o mais que se escreve/diz sobre este trágico acontecimento são elementos produzidos pelas máquinas mediáticas e especulações criadas por fontes não-identificadas.

Tudo o que foi escrito neste post tem toda a razão de ser, de facto, o caso foi sempre mais “badalado” do que o acontecimentos que não eram nenhuns.
No meio de toda esta informação inútil será importante analisar o papel do assessor do casal, que curiosamente foi despedido antes de toda esta polémica “rebentar”.
Nenhum assessor consegue manter esta notícia viva, como este conseguiu e à medida que iam desaparecendo crianças em Inglaterra quase à velocidade da luz. Por isto, penso que o caso da miúda desaparecida pode dar grande objecto de estudo para quem se interessa pelas relações públicas e assessoria de imprensa.
Não sei como se chama o assessor, mas que fez grande trabalhar fez.
Será o ex-assessor de Blair?
Fica no ar
O mesmo assessor que inventou, há 10 anos, o “Princess of the People”? Se foi ele, está de parabéns. Para os jornalistas, nada mais vergonhoso do que um colectivo e gritado bem alto “Shame on you”. Mais uma vez, em Portugal, temos jornalismo por encomenda, notícias feitas a granel, factos embrulhados sem uma ponta de investigação séria, concreta, bem feita. Durante estes 100 dias, tem sido desembrulhar e comer fartamente. Se o dito e escrito é verdade ou não - e quantas mentiras não rolaram já? - não interessa. Se tem “McCann” ou “Maddie” vende copiosamente. Isso é que continua a interessar nos 100 dias que se seguem.
[...] 100 dias após o desaparecimento de Madeleine McCann. Por Felisbela Lopes. [...]
Será que Portugal dá aos estrangeiros o mesmo apoio e relevo mediático que dá aos seus cidadãos? Ou serei o único a achar que a dor dos pais de Maddie não é maior do que a dos pais do Rui Pedro, do João Teles, da Cláudia Sousa, da Joana etc.?
Olá… sou novo visitante do BLOg e se me permite, vou fazer um comentário: as suites, como são conhecidas em nosso meio, muitas vezes são utilizadas para preencher os espaços vazios dos tabloídes, telejornais e demais produtos informativos. É quando a criatividade e o profissionalismo falham, resolverm ressucitar um assunto antigo, que outrora atriaiu a atenção da opinião pública, que (de preferência) envolva criancinhas, para tapar o vazio de notícias da agenda do dia.
Sad, but true.
Excelente BLOG… gostei mesmo…
Abs.
Leonardo Camacho
http://leonardocamacho.blogspot.com
Não me parece que seja o vazio de notícias que motivou a cobertura excessiva do caso, foi sim o sensacionalismo e um grande trabalho de marketing, por parte do assessor dos McCann.
Foi a minha modesta opinião, de quem anda nisto há uns aninhos….