Blogosfera e “o país desconhecido”

“(…) A vantagem fundamental da blogosfera sobre os media tradicionais como fonte de informação e de auscultação do país é a da pluralidade e a da liberdade. Com todas as virtudes e, também, com todos os riscos da liberdade. Jornais e TV têm patrões, e estes interesses. Em contrapartida, qualquer cidadão pode criar um blogue e divulgar nele o que quiser, factos (algum do melhor jornalismo de investigação que hoje se faz em Portugal tem sido publicado na blogosfera) ou opiniões. Por isso, a blogosfera tanto pode ser lugar da verdade como da calúnia (do mesmo modo, hèlas!, que jornais e TV), e daí que ela seja também um desafio constante à maturidade crítica de cada leitor. Até porque o que é dito num blogue pode ser (e é) controvertido em tempo real, seja nas caixas de comentários seja no blogue do lado. A comparação da agenda da blogosfera com a dos media tradicionais dá uma ideia do enorme desfasamento que hoje existe entre estes e o país. Talvez os analistas da crise da imprensa devessem debruçar-se sobre isso”.

Manuel António Pina,O país desconhecido“, in Jornal de Notícias, 25.6.2007

Reflectir a prática jornalística

Acaba de sair o 2º número da nova revista “Journalism Practice“, editada pela Routledge. O número inaugural já é de Fevereiro, mas o seu conteúdo pode ser consultado online, mediante registo prévio. Deixo aqui um panorama de alguns dos textos aí publicados:

  • INNOVATIONS IN CENTRAL EUROPEAN NEWSROOMS – Overview and case study, de Klaus Meier
  • FROM “KNOWING HOW” TO “BEING ABLE” – Negotiating the meanings of reflective practice and reflexive research in journalism studies, de Sarah Niblock
  • SETTING THE RECORD STRAIGHT – When the press errs, do corrections follow?, de Scott R. Maier
  • STORIES FROM PLANET FOOTBALL AND SPORTSWORLD – Source relations and collusion in sport journalism, de John Sugden e Alan Tomlinson
  • HOW THE WORLD LOOKS TO US – International news in award-winning photographs from the Pictures of the Year, 1943-2003, de Keith Greenwood; C. Zoe Smith
  • REPORTING THE EUROPEAN UNION – An analysis of the Brussels press corps and the mechanisms influencing the news flow, de Karin Raeymaeckers; Lieven Cosijn; e Annelore Deprez
  • RICH MEDIA, POOR JOURNALISTS – Journalists’ salaries, de Stephen Cushion

Rever o conceito de imparcialidade

Dar voz a ambas as partes de uma argumentação poderá, por vezes, ser um refúgio tranquilo para o jornalismo, mas a imparcialidade que se exige no presente precisa de contemplar matizes mais complexos – este terá sido o ponto de partida para um estudo elaborado pela BBC que agora foi publicado.
Safeguarding impartiality in the 21st century” aponta no sentido de uma reconsideração permanente do conceito por todos os envolvidos no processo de produção informativa e deixa, como complemento aos ‘editorial guidelines’ da casa, 12 novos princípios.

Grande Prémio Gazeta para Jacinto Godinho

Os prémios Gazeta, instituídos pelo Clube de Jornalistas em 1984, acabam de ser atribuídos na edição deste ano, relativa a trabalhos de 2006. E são os seguintes:

  • Grande Prémio Gazeta: Jacinto Godinho, da RTP1, pela série “Ei-los que partem – História da Emigração Portuguesa”, em reconhecimento – diz o JN, citando a Lusa – do “rigor com que a informação recolhida foi tratada, a multiplicidade de géneros jornalísticos utilizados – da entrevista, à reportagem e ao comentário – a clareza do texto produzido, a fluidez e pertinência das imagens transmitidas”.
  • Prémio Gazeta de Mérito: Manuel António Pina, ex-jornalista e actual cronista do Jornal de Notícias e da Visão, por ser um “cronista brilhante e exemplar” e “uma referência ética e cívica do jornalismo português”.
    • Prémio Gazeta Revelação: João Pacheco, da revista Pública, pelos trabalhos “Guardadores de sementes”, “O almoço ilegal está na mesa” e “Caça à pedra maneirinha”.
    • Prémio Gazeta Imprensa Regional: revista mensal Mais Alentejo.

    Ler: Comunicado do Júri.

    Morte de “Arrêt sur Images”

    O programa da France 5 “Arrêt sur Images“, que analisava a própria televisão, acaba de ser suspenso, sem que os responsáveis do canal tenham fornecido qualquer tipo de explicação. Daniel Schneidermann, que animava há 12 anos este espaço singular, já vinha dando sinais, desde o princípio deste mês, de que algo podia acontecer.

    Alguns analistas não perderam tempo a relacionar este facto com a recente vitória de Sarkozy e das ligações que ele tem no campo mediático. Assim como não falta também quem se congratule com a decisão da France 5. O que é verdade é que um espaço único e raro nas televisões foi silenciado. Por mais de uma vez me servi de casos e materiais analisados e debatidos no “Arrêt sur Images” e de que ainda se pode encontrar matéria relevante no respectivo arquivo que se mantém operacional.

    Ver: dossier publicado pelo site ACRIMED.

    Clube de Jornalistas

    A edição de hoje do programa Clube de Jornalistas (a emitir pela RTP2, depois

    das 23h30) «vai discutir a profissão de jornalista, a pretexto de dois livros lançados recentemente: “Jornalistas – do oficio à profissão”, de Fernando Correia e Carla Baptista, e “Os Jornalistas portugueses”, de Sara Meireles Graça.» São convidados os respectivos autores e haverá depoimentos de José Carlos Vasconcelos e de Adelino Gomes.

    Manuel José Lopes da Silva

    Morreu hoje o Prof. Manuel José Lopes da Silva. Era Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Foi fundador e director de investigação da RTP até 1987 e era sócio fundador da SOPCOM – Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação.