Quando o jornalismo intervém no desenrolar dos acontecimentos… (ACTUALIZAÇÃO) Junho 14, 2007
Posted by Madalena Oliveira in Jornalismo.trackback
Na senda da mais recente pista na insvestigação do desaparecimento de Madeleine McCann, há uma pergunta que fica para já no ar: até onde devem ir os jornalistas para investigar um caso? Devem os jornalistas, em nome da procura da verdade, empreender investigações paralelas, como a que parece ter decorrido esta manhã com a contratação de civis que percorreram com cães a zona assinalada na nova pista?
Sendo certo que todos os meios se justificariam para um desfecho desta história, até onde devem ir os jornalistas para conseguir uma notícia? É esse o objectivo, não é? Conseguir uma notícia… ou a notícia! Independentemente de um certo altruísmo ou de uma certa solidariedade com esta história, o que é que motiva este envolvimento dos jornalistas? Não tenho respostas nem sinto segurança para ajuizar sobre a correcção ou não dos procedimentos jornalísticos. Mas diria que podemos reflectir um bocadinho sobre estas práticas, porque os jornalistas já não fazem apenas o relato do que acontece… podem mesmo fazer acontecer.
ACTUALIZAÇÃO: Ver texto do Público “São os media, não a polícia, quem investiga nova pista no Algarve” (edição de 15 de Junho, p.14)

Também não tenho certezas - intelectuais, académicas ou profissionais, digamos assim - sobre este assunto. Mas a «intuição ética» diz-me que está mal. Nem mesmo o jornalismo de investigação é policial, e não é certamente o caso. Jornalistas à procura dum suposto cadáver num suposto local indicado por um suposto indício anónimo? Não pode estar certo.
De qualquer forma, aconteceu porque as autoridades portuguesas deixaram. Recordo que quando assassinaram o dirigente palestino Sartawi em Albufeira (anos ‘80) foi um jornalista português duma rádio local (creio que na altura ainda «pirata») quem encontrou a arma do crime num descampado, porque a polícia estava a olhar para o lado.
É questionável. Ponto. Mas eu realço que, para obter uma história, disponibilizam meios, quaisquer meios, para lá chegar. E esta parte é que me parece interessante. Seja porque acham que a investigação de quem de direito, no terreno, é lenta e improfícua; seja por considerarem que factores importantes foram descurados desde o início, como apontam investigadores britânicos que conhecem melhor estas realidades fruto da sua convivência com casos de pedofilia que, de resto, não perdoam em termos de visibilidade, exposição e até sujeição à ira do público. Mas o que me espantou foi chegarem, trazerem cães, “alugarem” pessoas para a busca, isso significa que não brincam em serviço nem estão de braços cruzados à porta do resort. Dou mais valor a este profissionalismo, em nome da procura de algo que interesse ao leitor e nas circunstâncias em que se arrasta o caso em apreço.
Se a intervenção dos jornalistas for benéfica, porque não ? Qual o problema de fazer acontecer em vez se limitarem ao relato do que acontece ? Não vejo qualquer problema nisso.
O que me incomoda muitas vezes é os jornalistas não prestarem ajuda a quem precisa porque acham que não devem intervir. Na minha opinião, ajudar os outros é mais importante do que a profissão ou as questões éticas.