Do regime dos factos ao regime das emoções Maio 25, 2007
Posted by Madalena Oliveira in Jornalismo.3 comments
A pretexto do post anterior, vale a pena recordar o terceiro seminário de Doutoramento em Estudos Jornalísticos que ontem se realizou na Universidade do Minho. Sob o signo da “sentimentalização das sociedades” ou da “mundialização dos afectos” (expressões caras a José Augusto Mourão), discutiu-se particularmente neste seminário a propensão dos media para reportar emoções, sobretudo quando parece não haver factos propriamente ditos. Recordaram-se a propósito vários acontecimentos em que os media insistentemente fizeram notícia com a dor (a queda da ponte de Entre-os-Rios, os atentados terroristas do novo milénio, o desaparecimento de Madeleine, inevitavelmente…). Sendo talvez certa a proposição de Mario Perniola segundo a qual vivemos hoje numa sociedade mais de índole sensológica do que ideológica, algumas interrogações são, no entanto, persisitentes:
- Até onde pode o jornalismo ir quando reporta a dor dos outros?
- Se calhar é de espectáculo que o público gosta, mas não será também por isso mesmo que o público rapidamente se cansa?
- Que matéria informativa contêm as emoções?
- Que relação tem este interesse jornalístico pelas emoções com o eventual reconhecimento de que o sensorial também é fonte de conhecimento?
- …
Abrimos o espaço a outras interrogações dos leitores deste blogue.
‘Mea culpa’ agora… sobre o caso Madeleine Maio 25, 2007
Posted by Manuel Pinto in Jornalismo.2 comments
Depois do argumento “mesmo sem haver novidade, tem de haver notícia”, Fernanda Câncio introduz, no Diário de Notícias de hoje, vários outros argumentos para discussão sobre a cobertura mediática do desaparecimento de Madeleine, no Algarve: “nós fazemos, mas os outros também fazem; se nós não fizermos, haverá quem faça; e havendo quem faça, nós temos de fazer. Porque os media são um negócio”. E alude àquilo que perspicazmente chama “mecanismo”: primeiro faz-se, de forma escancarada e ad nauseam, o contrário do jornalismo, como aconteceu com a queda da ponte de Entre-os-Rios ou com o caso Casa Pia, e depois faz-se mea culpa.
A jornalista toca, depois, num ponto que é evidentemente fulcral: a necessidade vital de termos um “público exigente”. Só que ele não nasce de geração espontânea nem “pega de estaca”. E nesse processo é aos próprios media que também cabe um papel, queiram ou não assumi-lo.
De qualquer modo, creio que esta vertigem louca e desenfreada que se apodera dos media em ocasiões assim pode salvar o “negócio”, mas desacredita o jornalismo e é, a prazo, contrária aos interesses dos media. Pelo menos daqueles - e creio que os há - para quem o jornalismo é mais do que um produto para encher os olhos e a barriga dos velhos e novos proletários.
“É quando o jornalismo está a morrer que precisamos dos jornalistas”, observa Fernanda Câncio. E eu subscrevo.
