O “mundo” das “cartas ao director” Março 13, 2007
Posted by Manuel Pinto in Audiência, Imprensa, Publicações.1 comment so far
Quando exerci as funções de provedor do leitor do Jornal de Notícias, uma das maiores surpresas que tive foi descobrir o pequeno universo daqueles leitores que têm todo o tempo do mundo e que (não) se fartam de escrever para os jornais.
Onde estava a novidade? Estava no facto de haver cavalheiros que levavam o papel tão a sério que faziam constar na sua entourage que eram jornalistas (então não escreviam no jornal?) e, como prova disso, chegavam a mandar imprimir cartões com o logotipo do jornal e com o respectivo nome. E a coisa era de tal monta que se as cartas que enviavam não saíam com a frequência que lhes permitia alimentar a ilusão protestavam, neste caso junto do provedor.
São extremos de um mundo que vale a pena conhecer e que a investigadora Marisa Torres da Silva, ex-jornalista e actualmente monitora na Universidade Nova de Lisboa, quis estudar. A pesquisa que fez para o seu mestrado a partir do caso do Público, e que acaba de ser publicada em livro, procura indagar, entre outros aspectos, sobre quais os critérios de selecção das cartas, se é que os há, e que características revestem aquelas que são seleccionadas. O trabalho permite ver como é construída a voz dos leitores através da Imprensa, os constrangimentos e regras que a condicionam, proporcionando, ao mesmo tempo, “elementos de reflexão e ferramentas críticas aplicáveis a outros espaços de diálogo e fóruns de imprensa abertos”.
